Lutero, o monge reformador

Nascido em 10 de Fevereiro de 1483, Martinho Lutero é um dos nomes mais importantes quando o assunto é reforma protestante. Hoje é citado em diversos livros como sendo um marco no período da idade média, isso por seus posicionamentos fortes, que provocaram grande confusão em sua época, e que repercutiram em toda a Europa. Nossa proposta, com este texto, é trazer uma breve biografia sobre esse homem que foi usado por Deus para libertar seu país das prisões que impediam as pessoas de terem o verdadeiro conhecimento das Escrituras Sagradas.

Filho de Hans Luther e Margareth Lindemann, Lutero nasceu em Eisleben, mas mudou-se posteriormente para a cidade de Mansfield, pois seu pai iria então dirigir uma mina de cobre na região. Atendendo ao desejo de seu pai, que queria que ele fosse funcionário público, aos dezessete anos, em 1501, Lutero ingressa na Universidade de Erfurt. Em 1505, ele conclui um mestrado na área. No mesmo ano, de volta de uma viagem de visita a casa dos pais, sob forte temporal, um raio caiu próximo a ele, que com medo teria suplicado: “Sant’Ana, ajuda-me e serei um monge!”. Tendo sobrevivido à tempestade, imediatamente abandonou seus estudos, vendeu seus livros e entrou para a ordem dos agostinianos, de Frankfurt, em 17 de Julho de 1505.

No período monástico, o jovem Lutero, dedicou-se incansavelmente à vida de oração e boas obras, além de manter contínuo estudo das Escrituras. Dedicava horas a fio de seu dia à meditação e até mesmo a autoflagelações, pois acreditava que através disso poderia agradar a Deus. No entanto, quanto mais fazia, mais se achava indigno de Deus. Foi então que o superior de Lutero, Johann Von Stauptuioz, mandou que ele ocupasse sua mente com outros trabalhos, para descansar de suas exaustivas reflexões, a partir de então o jovem inicia seus estudos acadêmicos. Em 1507 ele é ordenado sacerdote, e em 1508 se torna professor na Universidade de Wittenberg. No ano de 1512, Lutero recebe o título de “doutor em Bíblia”. Após iniciar suas atividades de pregador na Igreja de Santa Maria o jovem doutor começou a perceber os problemas com relação às doutrinas que a igreja católica estava aplicando aos fiéis.

Uma das grandes causas das discussões que Lutero teve com os membros do clero católico, se tratava exatamente da validade das indulgências. O monge questionava se havia de fato na Bíblia uma base para adquirir algum benefício, ou até mesmo expiação de pecados por meio delas, e com isso a saída de um indivíduo do purgatório. Lutero condenava fortemente essa prática, pois parecia a ele um estimulo à avareza e ao paganismo dentro da igreja. Já cheio de ver tamanha heresia se espalhando entre o povo, no dia 31 de outubro de 1517, Lutero fixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg um documento que ficou conhecido como “As 95 teses de Lutero” e, anexado a este, estava também um convite à um debate sobre o conteúdo delas. A resposta da Igreja não foi nem um pouco amigável. Após ter dito que Lutero “não passava de um bêbado, e que ao voltar a si, mudaria de opinião”, o Papa Leão X enviou o professor de teologia dominicano Silvestro Mazzolini para investigar os fatos. Este, alegou que Lutero se colocava contra a autoridade papal, já que ia de encontro aos interesses da igreja (que naquele momento era de arrecadar fundos para a construção da basílica de São Pedro, com a venda das indulgências, entre outras coisas). Tal foi o atrito entre Lutero e o representante que o Papa enviara para fazer com que o mesmo voltasse atrás com seus ensinos, que foi marcada, então, a famosa Dieta de Worms. Lutero se apresentou para a audiência da Dieta em 16 de abril de 1521, onde foi questionado pelo assistente do arcebispo de Trier sobre a autoria dos livros que estavam expostos em uma mesa que foi colocada na frente dele. Após ser instigado a se retratar, Lutero respondeu:

Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão – porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos – pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.
Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude!”.

 Tendo-se mantido fiel às suas convicções, a igreja excomungou o monge Martinho Lutero em 18 de abril de 1521, além disso ele foi também considerado um “fora da lei” e foi publicado um Edito do Imperador que absolvia qualquer um que assassinasse Lutero. Por isso, seu então amigo Frederico, O Sábio, forjou seu sequestro de Worms, para seu castelo em Wartburg. Estando em uma espécie de exílio, onde ele chamava de “Patmos”, o ex-monge inicia sua tradução das escrituras do latim para o idioma do povo, o alemão, possibilitando que todos pudessem ter acesso à Bíblia Sagrada.

Em abril de 1523, Lutero, auxiliou a fuga de 12 ex-freiras do convento de Nimbschen, sendo uma delas Catarina Von Bora, com quem futuramente se casaria e teria seis filhos; Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margaretha. O casamento de Martinho Lutero com uma ex-freira incentivou outros padres a se casarem, o que foi um marco de rompimento definitivo com a igreja católica romana. Em 18 de fevereiro de 1546, o pastor Martinho Lutero faleceu por causas naturais. Há discordâncias acerca de sua morte, mas as teorias mais aceitas afirmam que ele teria morrido de apoplexia ou de um angina pulmonar.

Atualmente, mesmo alguns séculos depois de sua morte, as obras desse homem que fora usado por Deus para pregar o evangelho que anuncia a salvação apenas pelo arrependimento de pecados e fé em Cristo Jesus o filho de Deus, continuam a falar aos nossos corações. Com certeza a vida de Lutero pôde nos proporcionar o aprendizado de que devemos ser cativos ao que diz a escritura e apenas ela é nossa regra de fé e prática, não a tradição de homens. Que possamos através desse exemplo de vida ser inspirados a nos posicionar de forma contundente contra as heresias que tentam minar o verdadeiro evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.


REFERÊNCIAS:

e-Cristianismo. Disponível em: <http://www.e-cristianismo.com.br/>.

Hora Luterana. Disponível em <http://www.horaluterana.org.br/>.

LUTERO, Martinho. Nascido Escravo. 2 ed. São José dos Campos: Fiel 2007.

22 anos, cristão, escritor, blogueiro. Estudante de teologia. Membro da Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo, Recife – Pernambuco.

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