Sinta a sua miséria! Lamente e chore!

“Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza.” (Tg 4:9)

Essa é realmente uma proposta paradoxal nos dias de hoje. “Ei, você que está alegre, se liga e fica triste, beleza?” Soa estranho. Parece uma militância contra a autoestima, um movimento dos melancólicos, dos masoquistas. Mas, esse é um mandamento do Deus que fez os céus e a terra e diz respeito ao mal que habita em nós.

Um irmão certa vez fez uma alegoria questionando o que eu acharia se visse um criminoso cometer um assassinato e, ao virar a esquina, sentar num barzinho com seus amigos, tomar uma taça de vinho e deleitar-se na celebração da sua própria vida. De maneira bem simples, isso não parece justo. Não parece honesto. No mínimo, estaríamos falando de um psicopata.

O psicopata é conhecido por sua característica de não sentir. Ele é insensível, resistente a qualquer tipo de emoção. Vive por buscar os seus próprios interesses, e empatia é uma palavra que jamais foi usada no seu vocabulário mais interno.

Ah… Quantas vezes não somos nós os “psicopatas de Jesus”? Quantas vezes não somos tão insensíveis a ponto de cometer os nossos particulares crimes de ofensa a Deus e, ao terminar o ato pecaminoso, tocar a vida como se nada tivesse acontecido. Eu mesma já o fiz tantas vezes que perdi as contas. E agora, acabo por ser confrontada com este imperativo tempestuoso: “Sinta a sua miséria! Lamente e chore!”

Para que isso aconteça, é preciso que dediquemos aos nossos pecados detalhada atenção. É fácil ser enganado pelo mal. Ele se apresenta pra gente como algo pelo que vale ofender a Deus, como um prazer que vale o custo do afastamento da eternidade, como um gozo suficientemente intenso que faz a condenação parecer coisinha boba, irrisória.

No entanto, quando a ficha cai, percebemos que tudo se trata de uma grande mentira. A verdade é que quando cometemos o pecado, a satisfação que parecia tão grande, depois de obtida, se transforma em um mar de desgosto, igualmente grandioso. Isso deve nos levar ao lamento. Enquanto lidarmos com os nossos pecados como erros que passam despercebidos, certamente será difícil nos livrarmos deles.

Jesus Cristo morreu para que enxergássemos os nossos crimes. Para que tomássemos ciência da aversão que o Deus Santo tem sobre os que praticam o mal. E ao reconhecer as nossas mazelas, as abandonássemos com a urgência de quem foi resgatado de uma eterna condenação.

Ao contrário dos ímpios, por causa da cruz, podemos, envergonhados pelo mal que fizemos e envergonhados pelo bem que recebemos,  achegar-nos à sala do trono com a ousadia de quem crê em Jesus, o Cristo. Não há maneira de sair dessa sala sem a vontade de nunca mais ofender ao Reluzente Senhor de toda a Terra.

Dar atenção às nossas práticas miseráveis e depravadas é uma declaração escandalosa de que nos importamos em agradar a Deus. Perceber o horror dos nossos pecados com zelo para que jamais encontremos gozo no que é reprovável ao Soberano é, racionalmente, conduzir a nossa alma para que ela, atenta, repugne tremendamente qualquer coisa que está fora dos desígnios divinos.  Sentir as nossas misérias, lamentar e chorar é, portanto, um convite para que vivamos o padrão da eternidade.

Que o Senhor nos ajude!

 

 

Deixe uma resposta