Uma breve reflexão sobre o Filho de Deus

Não tenho dúvidas que nosso pecado nos deu uma imagem distorcida do Filho de Deus. Quantas vezes já não moldamos seu caráter para que condissesse com nosso, querendo justificar nossos erros? Ativista político, um mestre da moral, socialista, direitista, revolucionário, um bom rapaz, alguém que pregou sobre paz…

Temos criado uma imagem de Cristo que se enquadra dentro das características humanas, mas não o temos encarado como quem realmente ele é: O Filho de Deus!

Disse C. S. Lewis [1]: “Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: ‘Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus.’ Essa é a única coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático – no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido — ou então o diabo em pessoa. Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la.

Temos um problema em dar qualquer outro nome a Cristo que não seja “O Filho de Deus”. Eu sei que ele tinha personalidade e características humanas. Mas todas as demais coisas que podemos enxergar em Jesus não sobrepõem este fato impar em seu ser. As Escrituras revelam a Salvação dos homens através deste Cristo e tê-lo como qualquer outra coisa, ao invés de quem realmente Ele é, nos separará dele para sempre.

A Confissão de Fé de Westminster [2] é enfática:
O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas – a Divindade e a humanidade – foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.

Deus, através de seu Filho amado, nos trouxe paz. Ele, o Filho de Deus, reconciliou os homens com o Rei do Universo. Mas não nos trouxe apenas paz, ou somente amor, ensinamentos bacanas ou liberdade. Ele nos trouxe a si mesmo. Jesus, o Cordeiro de Deus, nos trouxe a si mesmo.

Diante de tantos rótulos dado Àquele, por quem intermédio, que todas as coisas foram criadas, como cristãos temos a responsabilidade de manter viva em nossas mentes quem Ele é de verdade: Cristo, o único Filho de Deus. Nossa teologia deve ser centralizada Nele. Toda nossa vida depende disso.

Eu lhes afirmo que está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e aqueles que a ouvirem, viverão. João 5.25


REFERÊNCIAS

[1] LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. Edição revista e ampliada, com nova introdução, dos três livros: Broadcast Talks, Christian Behaviour e Beyond Personality. Tradução de Álvaro Oppermann e Marcelo.
São Paulo: Martins Fontes, 2005.

[2] Confissão de Fé de Westminster. Capítulo VIII, parágrafo II.

22 anos, nordestino da Paraíba, membro da IPBE (Igreja Presbiteriana do Bairro dos Estados), casado com a Narayanne e estudante de Gestão Comercial. Um rapaz que acredita que as duas maiores realizações de um homem são: Ser um ótimo marido e um bom pai.

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