Sete motivos pelos quais os homens têm direito de falar contra o Aborto – Daniel Hoffman (Desiring God)

Na luta contra o aborto, alguns alegam que os homens não têm o direito à opinião sobre a questão. “Isto é sobre uma escolha e a saúde da mulher”, eles dizem; homens não têm fundamento para falar sobre essa questão.

Contudo, de um ponto de vista bíblico, tal alegação carece de fundamento. O dever moral não é uma construção social arbitrária, mas se baseia no caráter e decretos de Deus. Os julgamentos que nós devemos fazer com base nisto tem nada a ver com sermos homens ou mulheres. Se o aborto é qualificado como assassinato (e ele o é), então homens e mulheres, de igual modo, têm responsabilidade de opor-se a ele. Evitar ter uma opinião sobre esta questão não é uma opção.

Na sociedade de hoje, o apelo emocional superficial deste argumento é compreensível. Ele recorre ao nosso senso de tolerância e liberdade, cuidando de seus próprios interesses. Mesmo sem referências explícitas à realidade bíblica, há boas razões pelas quais os homens devem ter algo a dizer quando se tratam de políticas públicas sobre o aborto. Aqui estão sete razões pelas quais homens têm o direito de falar e não devem render-se ao silêncio.

 1. Homens carregam uma enorme parte da responsabilidade de criar uma cultura abortista.

Homens e pais negligentes são um enorme fator por trás das altíssimas taxas de aborto mundiais e, assim, parte do arrependimento masculino deve manifestar em falar contra e assumir muito da responsabilidade do aborto. Homens têm um papel a desempenhar nessa questão, pelo menos pelo fato de que sua incapacidade de se comprometer e apoiar as crianças que eles geraram, fez com que muitas mulheres se unissem e achassem que o aborto fosse a sua única opção. Estes homens devem se arrepender e mostrar os frutos do arrependimento se opondo ao aborto e se preocupando com seus filhos e com as mães de suas crianças.

2. Todos nós estávamos no útero.

Homens não são simplesmente “machos”. A masculinidade deles é apenas um aspecto de sua existência. Eles também são humanos: pais, filhos, irmãos, crianças, adultos, e ex-fetos. Não está claro para nós porque este único aspecto – a masculinidade – deve ser um trunfo aos outros, que deve ser relevante. Por exemplo, todos os homens já foram crianças no útero. Todos os homens já foram vítimas em potencial do aborto, e muitas vítimas do aborto são, de fato, homens. Por que estas realidades não deveriam conceder aos homens o direito de falar sobre a questão? Por a sua masculinidade deveria impedi-los?

3. Cada criança abortada tem um pai. 

Uma criança é uma extensão do pai assim como é da mãe. Isto é objetiva e cientificamente verdadeiro tanto quanto a origem da genética e do DNA, e é social e legalmente reconhecido no que diz respeito aos sobrenomes, dependência, custódia, herança, e dentre outras formas. A Bíblia assume e afirma esta realidade também (Gn 5.3; Gn 44.30; Mq 6.7). A criança ser abortada não é uma unidade isolada, mas o fruto de uma mãe e um pai. Certamente, o pai deve ter algo a dizer em relação ao que acontece ao bebê.

4. Nós somos parte de uma sociedade que está sendo privada, anualmente, de centenas de milhares de pessoas.

A vida humana nunca existe dentro de uma bolha; nós somos seres intrinsecamente sociais em relacionamentos uns com os outros. Mais de 50 milhões de bebês têm sido abortados na América desde 1973 – perto de um sexto da população americana. Há um valor inerente e dignidade em cada um destes indivíduos, e é incompreensível pensar em toda contribuição potencial a sociedade e cultura que esta falta representa. Se a sociedade em geral é de preocupação pública(e claramente é), então homens devem ter algo a dizer sobre os grandes números de quem vem para ele e deve simplesmente ser apagados, ou autorizados a participar.

5. Tirar uma vida humana é sempre uma questão pública até certo ponto (homicídio, legítima defesa, guerra, pena de morte). Não há uma boa razão de porque o aborto deve ser diferente.

Se o aborto é de fato tirar uma vida humana, isso exige um julgamento da sociedade em geral. Tirar uma vida pode envolver homicídio, o qual demanda julgamento público e prestação de contas diante das autoridades civis. Pode ser legítima defesa que, da mesma forma, demanda avaliação e julgamento público. Pode ser guerra, que requer uma declaração por autoridade pública. Pode ser pena de morte, que é uma penalidade civil e pública. Pode ser puro acidente, que ainda exige algum tipo de determinação de terceiros para discernir.
Em qualquer caso, tirar uma vida nunca pode ser uma preocupação puramente privada, e não há nenhuma razão boa para restringir homens de tomarem parte no julgamento disto.

6. Parte da masculinidade está tratando dos mais vulneráveis.

Nossa sociedade hoje é menos persuadida pelos apelos a masculinidade. Mais e mais toda ideia de “masculino” é visto como uma construção arbitrária de gênero. Esta é uma questão importante em si própria, mas, pelo menos, nós devemos ser capazes de concordar que os mais fortes devem proteger os mais fracos. Ninguém é tão fraco quanto aqueles que estão no útero, então a decência comum (o cavalheirismo, alguns podem chamar assim) apela a sua proteção de qualquer um que seja capaz – incluindo homens.

7. A posse de um útero tem zero a ver com julgamentos morais.

Um último ponto a considerar é que a objeção de que os homens não tem o direito de falar contra o aborto porque eles não tem um útero é completamente arbitrária. O que faz isto ter relevância? Como ter ou não ter um útero afeta a habilidade de alguém fazer julgamentos morais válidos?
O pecado encontra refúgio no absurdo. A alegação de que os homens deveriam abster-se de condenar o aborto pelo que é simplesmente porque eles são homens não é uma afirmação racional. É sim uma fachada que pode parecer culta ao primeiro relance, mas é, de fato, uma rejeição a honrar a Deus e sua imagem no homem. Entendimento obscurecido (Rm 1.21).


Leia o texto original no Desiring God. Tradução feita por Isaque Ferreira, do Jovem Reformado.

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