Uma vez salvo, salvo para sempre

Se você afirma ser reformado, ou não, com certeza já ouviu o título deste texto na boca de algum sermão ou pregador, de acordo ou não com a frase. A salvação é um dos maiores mistérios e controvérsias da teologia e história da Igreja. Muitos bradam em alta voz essa afirmação, enquanto outros se opõem ferozmente. Mas afinal, o que tal afirmação quer dizer? Ela é verdadeira? Baseado em que os calvinistas afirmam-na com tanta certeza?

Aquele que mais afirmou isto não foi Calvino ou Lutero, mas o próprio Cristo. Ele não cansou uma vez sequer de falar que o homem uma vez salvo, salvo sempre será, pois é uma forma de revelar o Seu amor para com ele. No Evangelho de João é onde mais encontramos Cristo falando acerca disso.

Muitos se opõem dizendo que tal afirmação é falsa, e que dá vazão ao pecado deliberado, pois se o homem sempre estará salvo – esse salvo para essas pessoas é, na verdade, uma espécie de passaporte para o céu – e com isso não se preocupará com o temor a Deus e viverá pecando sem medo do Inferno. Isso é uma falácia e um grande problema doutrinário. Primeiro, o homem não salva a si mesmo, e visto que é Deus quem nos salva em Cristo, então a obra será completada perfeitamente em Cristo, como diz em Filipenses 1.6:

“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”.

Segundo, Deus prometeu algo àqueles que salvaria na sua Nova Aliança, que poria seus mandamentos em nossos corações e que nunca nos deixaria apartados dEle. Tal promessa corrobora mais uma vez que aqueles que são salvos, salvos sempre serão.

“E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.” 
(Jr 32.40)

Terceiro, Cristo é o Bom Pastor e não deixa nenhuma de suas ovelhas se perderem. Como foi dito antes, Cristo foi o que mais afirmou essa verdade. Em João 10 Cristo confirma mais uma vez mostrando que o Pai deu as ovelhas dele e que a elas dá a vida eterna e que nunca poderão perecer. E Ele vai mais além dizendo que nem terceiros podem fazer que seus planos para elas sejam frustrados, pois Ele é maior que todos. O Deus da salvação é maior que tudo e até maior que o nosso pior pecado. Nada pode nos arrebatar das mãos do Todo-poderoso. Uma vez salvo pelo Deus Todo-poderoso, sempre em Suas mãos.

“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.”
(Jo 10.28,29)

Peca também aquele que acha que a salvação é apenas um passaporte para o céu. Cristo não afirmou tal verdade para que saiamos vivendo como alguém que não tem Senhor. Ele afirmou essa verdade para que tenhamos esperança de que nosso pecado a todo momento está sendo tratado. Nosso temor e obediência deve refletir sua grandiosa obra de Salvação em nossas vidas. Sua obra não é desleixada, mas responsável e segura. Na Nova Aliança que Ele fez com Seu povo Ele prometeu por seus mandamentos em nossos corações, e no Salmo 130.4 Ele afirma que o Seu perdão gera temor: “Mas contigo está o perdão, para que sejas temido”.

Nossa garantia de perseverança na salvação é para termos segurança de que mesmo pecando, o Espírito nos conduzirá ao arrependimento. Que possamos desfrutar de tal esperança não confiando em nossas forças como fazem os reis e os homens valentes do Salmo 33.16, mas que cresçamos confiando na Palavra que um dia nos vivificou e continua nos aperfeiçoando, pois foi para isso que fomos para sempre salvos.

“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.”
(Ef 1.4)

 

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