Eleição Incondicional, a Doutrina da Esperança

Talvez o título do texto já lhe traga indagação, de cara. E eu considero natural, pois, confesso, pode parecer um pouco contraditório: Eleição Incondicional x Esperança. E aí você se pergunta: Como assim? Bem, vamos entender o porquê que essa doutrina é chamada dessa forma.

Temos a tendência de tentar conseguir todas as coisas através dos nossos esforços. O homem está acostumado a confiar no seu próprio braço, nas suas próprias estratégias, em si mesmo. Por isso, quando descubro que esses esforços não me levarão à eternidade, mas que eu dependo de outra pessoa, é normal que eu me desespere. É normal que eu acabe não tendo tanta esperança de ser salvo, afinal, não depende de mim. Porém, eu quero lhe mostrar que é justamente o contrário. É por isso mesmo que eu devo ter esperança, porque não depende de mim.

Para entendermos isso, precisamos começar de um ponto crucial: Qualquer ser humano é totalmente depravado e merece o inferno. A Bíblia é bem clara quanto a isso. Leia Romanos 3 e você verá a mais verdadeira descrição do homem.

Esse é o nosso ponto de partida. Todo ser humano já nasce pecador e, por isso, caminha para o inferno. Entendido? Percebe como isso é desesperador? Percebe como isso traz angústia? Diante dessa situação, entendemos que é impossível para o homem buscar a Deus por si mesmo. Ele está morto espiritualmente e não consegue fazer outra coisa senão pecar. O homem natural está cego e não consegue ver Deus, como irá tocá-Lo? O homem natural está acorrentado pelo pecado e não consegue sequer dar um passo adiante. As correntes são curtas e apertadas demais, ele não consegue. Então, como o homem terá a sua alma salva? Como isso se torna possível?

A verdade é que Deus escolheu aqueles que iriam ser salvos, sem que eles tenham cumprido nenhuma condição para isso. Ao escolher as pessoas que escolhe, Deus não olha para as coisas dentro delas. Ele tem seus próprios conselhos sobre o porquê faz o que faz.

Veja como esta verdade nos traz ESPERANÇA! Não depende de mim! Isso é maravilhoso, pois eu não iria conseguir por mim mesmo! Deus nos elegeu INCONDICIONALMENTE. E essa é a doutrina da esperança para aqueles que se sentem totalmente depravados!

Se cremos em Deus hoje, é porque Ele nos elegeu (At 13.48).

Se eu fui até Cristo um dia, é porque pertenço a Deus (Jo 17.6-9 e Jo 6.37-39).

Eu não me tornei ovelha porque cri em Deus, mas eu cri em Deus porque sempre fui uma ovelha. Cristo chama Suas ovelhas pelo nome. Conhece cada uma pelo seu nome, pois as escolheu individualmente (Jo 10.24-27).

Todavia, alguns questionamentos sempre surgem, e um deles é: Em que base Deus decide eleger algumas pessoas e outras não? A resposta é simples: Não existe ato algum do ser humano que induza Deus a decidir salvá-lo. Por isso, a eleição é baseada somente na DECISÃO SOBERANA DE DEUS de salvar quem Ele queira salvar. A salvação do homem depende unicamente de uma vontade, a de Deus.

Lembre-se que você estava caminhando em direção ao inferno, sem esperança alguma, sem poder algum para determinar a própria salvação, e, de repente, chega uma notícia aos seus ouvidos: É Deus quem salva o homem, de forma incondicional. Agora eu tenho a esperança de ser salvo, pois entendo que depende unicamente de Deus. Eis a minha esperança: Que Deus tenha misericórdia de mim e me salve.

Certa vez ouvi o pastor Steve Lawson dizer o seguinte: “A doutrina da eleição não é difícil de entender, é difícil de engolir”.

Eu concordo com ele. Muitas vezes trombamos nessa doutrina, pensando ser algo injusto da parte de Deus, ou até mesmo questionando os motivos de Deus para realizar tal feito. Porém, meu querido, você precisa tomar cuidado com essas armadilhas. Quem é você para questionar as obras de Deus? Como você ousa questionar a justiça daquele que é plenamente justo? A eleição incondicional é uma das mais belas doutrinas, pois serve para destruir qualquer possibilidade de orgulho do ser humano. Ela nos derruba e nos deixa prostrados diante da magnitude e soberania de Deus. Essa doutrina exalta ainda mais a Deus e dá a Ele o que Lhe é devido: toda a glória. Ela nos faz ter a esperança de que um dia estaremos com Ele na eternidade.

“Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9.13-21)

Soli Deo Gloria.

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