Russell Shedd e a alegria de voltar para casa

“Realmente é uma experiência muito boa. Estou muito feliz com essa experiência.”

Essa é uma afirmação comum. Falamos isso cotidianamente. Quando iniciamos na faculdade, quando iniciamos em um novo emprego, quando nos casamos, quando temos um filho, quando viajamos a algum lugar que sempre desejamos, e em diversos outros momentos de nossas vidas, essa afirmação é sempre utilizada. “Uma experiência muito boa” é o que respondemos quando nos perguntam acerca do que estamos achando de determinadas situações. Porém, eu pergunto: e quando se trata de um momento de sofrimento? A resposta seria a mesma? E quando estamos à beira da morte, conseguimos dizer: “Estou muito feliz por estar assim”?

Você pode achar que é impossível para o homem dizer algo desse tipo caso ele esteja beirando à morte, cheio de dores e sofrimento, mas eu lhe digo que não é. Um grande homem de Deus nos deixou recentemente e foi isso que ele falou dias antes de sua morte: “Sofrer é uma experiência muito boa. Estou muito feliz”. Esse homem se chamava Russell Shedd. Como podemos ver, ele aprendeu muito bem com o Apóstolo Paulo.

Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles”. 2 Coríntios 4.16-18

Russell Phillip Shedd foi um grande mensageiro das boas novas. Percorreu o Brasil e o mundo como missionário, conferencista e professor, sempre pregando o puro e simples Evangelho de Cristo. Sempre muito eloquente, educado e respeitoso quanto aos que dele discordavam, era amado por todos, independentemente de denominações ou pensamentos teológicos. Terminou seus dias de vida deixando um grande legado e mais um grande ensino: qualquer que seja o sofrimento a que venhamos passar nessa vida, nada há de se comparar com a alegria que sentiremos ao nos encontrarmos com nosso Pai nos céus.
Na verdade, ele não nos disse nada de novo, mas ele nos fez lembrar, ele nos fez meditar, ele nos fez olhar para nossas vidas tão confortáveis e nos perguntarmos se realmente entendemos o verdadeiro Evangelho. Será que nós entendemos o que Paulo fala aos filipenses?

Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Pelo contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer pela morte; porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro”. Filipenses 1.20,21

… pois a vocês foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele, já que estão passando pelo mesmo combate que me viram enfrentar e agora ouvem que ainda enfrento”. Filipenses 1.29-30

Paulo estava sofrendo. Ele estava, supostamente, em uma masmorra com os pés acorrentados em situação nada agradável. As dores já sentidas pelas pedradas na cabeça, as dores sentidas pelos diversos momentos de fome já passados: Paulo sabia o que era sofrer, meu irmão. Porém, em suas palavras fica bastante claro que o sofrimento não o deixava abatido ou cabisbaixo. A possível condenação a uma pena de morte não fazia Paulo desfalecer. Pelo contrário, ele se sentia animado para escrever palavras de encorajamento e contagiar a igreja em Filipos com a alegria que somente o Evangelho pode trazer. Ele se sentia feliz ao imaginar que poderia morrer a qualquer momento e que isso seria a melhor coisa que poderia lhe acontecer. Paulo desejava se encontrar com o Seu Senhor nos céus mais do que qualquer outra coisa. Ele não temia a morte. Por isso ele não “sofria com o sofrimento”. Paulo se alegrou. Sua dor não era maior do que a alegria que estava por vir. Ele sabia disso.

Como ler esses textos, olhar para a vida de Paulo e não lembrar de Russell Shedd? Como olhar para as palavras ditas por Shedd e não lembrar de Paulo? Ambos humanos, feitos de carne, com sangue correndo em suas veias. Um chamado para ser apóstolo, o outro chamado para ser mestre. Um chamado para sofrer, o outro, também. Ambos sofredores e alegres ao mesmo tempo. Ambos cheios da expectativa de, finalmente, ter um encontro face a face com o Criador do universo. Qual seria o sofrimento capaz de tirar essa alegria?

Sinto-me desmamando do mundo e pronto para subir” Russell P. Shedd

Para Shedd, nada mais importava. Este mundo não importava mais. O sofrimento? As dores que o câncer estava causando? A falta de força para conseguir ao menos ficar de pé? Não, não e não! Nada disso era tão forte que pudesse ofuscar sua visão. Nada disso era tão grande que pudesse impedi-lo de ver o que estava à sua espera. Ele leu o que Paulo escreveu em suas cartas, acreditou e experimentou. Ele ouviu e seguiu os conselhos de Cristo com todas as suas forças e fé! Ele não estava caminhando para a morte, mas para a vida! Ele estava voltando para casa e nenhum sofrimento poderia lhe impedir de sentir-se alegre. Que grande exemplo. Como olhar para este grande exemplo de fé e não sentir nada? Impossível.
Dr. Russell Shedd fará muita falta neste mundo. O grande exército de Cristo perde um de seus homens de frente. Nós, como irmãos em Cristo e discípulos de seus ensinamentos, ficamos tristes com sua partida, mas ao mesmo tempo ficamos felizes com o seu descanso. Que O Senhor continue nos ensinando através de Shedd. Que Deus nos dê a honra de poder viver nossos sofrimentos sorrindo.

“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno.”
2 Coríntios 4.16-18

Um comentário em “Russell Shedd e a alegria de voltar para casa

Deixe uma resposta