Minha personagem preferida é Lúcia, mas eu sou Edmundo!

Esses dias assisti, novamente, As Crônicas de Nárnia – o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Apaixonei-me pelas Crônicas quando ainda nem entendia direito o que era o cristianismo. E muito menos imaginava que houvesse alguma ligação deste com as Crônicas. Quando descobri que, na verdade, As Crônicas de Nárnia eram uma analogia do Cristianismo, fui pesquisar sobre o assunto. Constatei, perplexa, que a analogia era, em certo sentido, muito clara. À medida que fui conhecendo mais sobre o Evangelho, pude me encantar ainda mais com As Crônicas ao perceber mais e mais suas ligações com ele. Da última vez que assisti O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa, pude constatar mais uma.

Lúcia é, realmente, uma personagem adorável. Uma garotinha que com sua inocência e amabilidade conquista facilmente aos telespectadores. Ela é, sem dúvida, minha personagem preferida. Edmundo, por sua vez, é egoísta, mentiroso e arrogante. Suas atitudes causam sentimentos de revoltas naqueles que assistem ao filme. E comigo não foi diferente.

Fiquei indignada quando Edmundo zombou de Lúcia quando ela contava sobre como tinha descoberto Nárnia através do guarda-roupa. É ainda mais revoltante quando Edmundo conhece Nárnia, encontra Lúcia lá e, ainda assim, mente para os seus irmãos sobre o fato. Já em Nárnia, Edmundo é facilmente encantado pelas promessas da feiticeira branca, afinal, são promessas de satisfação de suas próprias vontades. Por causa disso, Edmundo põe seus outros três irmãos em apuros. Sempre mentindo, manipulando e prejudicando outros em nome da satisfação de seus próprios desejos egoístas. Impossível não o odiar.

Após o sentimento de ira em relação a Ed tomar conta de meu coração, pude perceber algo: Edmundo sou eu. Sou eu mesma que tento manipular as situações para que elas aconteçam da forma que me beneficie. Sou eu que minto para obter vantagens através disso. Sou eu que só penso em mim na hora de fazer certas escolhas, se eu ganharei algo com isso é o que importa. Sou eu que, por diversas vezes, piso no sentimento de outros, faço-os sofrer e se entristecerem, mas ainda assim acredito que estou correta. Eu sou tão odiável quanto Ed. É uma constatação desesperançosa e triste, se o filme/crônica acabasse aí. Mas não acaba.

Edmundo é um traidor e, segundo a Magia Profunda, ele deve morrer por causa disso. Mesmo depois de ter sofrido as tristes consequências dos seus atos, de ter conversado com Aslam e se arrependido, a sentença possível é morte. E A Feiticeira Branca reivindica o sangue de Ed. Aslam, no entanto, troca sua vida pela dele. Aslam morre por Edmund. Aslam, justo e bom, morre por causa dos erros do odiável Edmund. Assim como Cristo fez conosco:

Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. (Rm 5.8)

Assim como Ed, eu era merecedora da ira divina e morte eterna, no entanto, recebi graça e vida.

Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),
(Ef 2.3-5)

Mas não é apenas isso. Além de ter sido salvo da morte, Edmundo, desde o encontro com Aslam, é outro. O garoto egoísta, agora está disposto a ficar em Nárnia e defendê-la ainda que isso signifique arriscar sua própria vida. O garoto que antes agia apenas para si mesmo, agora luta “for Aslam! For Nárnia!“.

É uma amostra da graça que transforma. Aslam não só morreu por Edmundo, mas lhe transformou. E semelhante obra realizada por Aslam em Edmundo tem feito Cristo em mim. Eu O louvo por isso e constato, cheia de gratidão, que até na forma graciosa em que fui tratada pelo “Aslam desse mundo”, eu me pareço com Edmundo.

21 anos, estudante de ciências biológicas, pernambucana. Congrega na Igreja Presbiteriana dos Guararapes. Vê na escrita uma maneira de servir ao Reino.

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