A comunhão com a família da fé: um gostinho da Vida Eterna

No primeiro dia da semana, Dia do Senhor, costumo ir à igreja que congrego, gastando cerca de uma hora e meia no percurso dividido entre dois ônibus. Voltar para casa no domingo, sozinha, à noite e de ônibus não é uma boa opção, ou melhor, não é nem uma opção, tendo em vista o cuidado da minha família comigo em não permitir. Logo, alguns irmãos da igreja começaram a me acolher em suas casas. Estar na casa dos irmãos garante que eu não falte aos domingos. Isso em si já é maravilhoso, porém, não é só isso: a comunhão é exercida. Voltamos comentando o que temos aprendido do evangelho, compartilhamos aflições e palavras de ânimo, cantamos salmos e refletimos como Deus tem estado conosco. Isso é difícil de acontecer em meio a uma rotina atarefada, principalmente se você mora numa cidade grande.

Estou escrevendo esse pequeno texto para incentivá-lo a gastar mais tempo com seus irmãos na fé, principalmente no Dia do Senhor. Não falo em encontrar os amigos a fim de apenas como entretenimento, mas passar tempo com eles, e crescer juntos na graça de Deus. E por que é tão bom estar entre os irmãos? Porque tudo (ou quase tudo) gira em torno de teologia, da forma mais simples e acolhedora possível. Pois isso é o elo mais forte que temos, o que nos une. Observe que Deus nos ensina e abençoa, por exemplo, na simplicidade de uma sala de jantar, quando você lembra de comentar algum detalhe da pregação do culto enquanto come com os irmãos. Você pode até aprender com um irmão mais novo na fé, em meio a sua sede de evangelho e humildade. Muitas vezes estou no meio dos rapazes, ouvindo as discussões atentamente e tirando dúvidas, ou com minhas irmãs na cozinha, conversando sobre nossa condição totalmente depravada. Nunca vou esquecer do dia em que sentamos no chão e ficamos assistindo debates teológicos no Youtube, com as bíblias abertas, e rindo de alguns comentários absurdos. Momentos como esses são preciosos demais!

Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” (Hb 10.25)

Ser hóspede também fez com que eu aprendesse a ouvir um pouco mais o próximo. Em meio a essa correria em que as pessoas se comunicam mais pelo whatsapp, ter um tempo com os irmãos é desenvolver o “pronto para ouvir” (Tg 1.19), como também a ter um coração grato e disposto a servir. Aliás, às vezes não é tão confortante assim, pois você pode lembrar quão pecador você é nessas pequenas visitas. Porém, é disso que precisamos, e assim, glorificar o Senhor pela sua graça! 

“Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé.” (Gl 6.10)

Se você é solteiro e não tem crianças em casa como eu, conviver com uma família da igreja também pode render preciosas lições. A disciplina dos filhos, o respeito às autoridades, a masculinidade e feminilidade bíblicas, o cuidado com o próximo e a harmonia de um lar que busca servir a Deus em meio às dificuldades, são coisas que você pode observar. Eu, particularmente, já disse para uma irmã da igreja que esse período na casa dela tem sido como um estágio para mim, vendo os cuidados dela com a filhinha de dois anos. Aproveite também a maturidade dos irmãos e escute conselhos.

O caminho do insensato aos seus próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos.” (Pv 12.15)

Enquanto escrevo isso, lembro da igreja que é descrita em Atos dos Apóstolos (At 2.42-47). Não devemos enxergá-la como uma igreja perfeita, como muitos fazem, e nem quero que você ache que a minha igreja é perfeita pelas coisas boas que estou contando. Mas quero que se sinta motivado em desfrutar dessa graça que é ser igreja, corpo de Cristo. E por que não lembrar da nossa vida celestial? Se você diz que anseia pela eternidade com Deus e com o seu povo e não se interessa pela comunhão com seus irmãos aqui na terra, tem algo muito estranho. Você não precisa se hospedar na casa dos irmãos como eu faço, basta chamá-los para almoçar em sua casa, por exemplo. Conversem, animem uns aos outros, se importem! Desfrutar dessa comunhão carrega as nossas energias para vencermos as batalhas do dia a dia e permanecermos firmes até a segunda vinda do nosso Salvador. Valorizem esse bem que o Senhor nos deu: a família da fé.

Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima.” Tg 5.8

Soli Deo gloria!

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