O Achamento do Livro: notas sobre a reforma de Josias (Parte II)

A glória da audição espiritual

O que culminou com o rompimento das vestes reais de Josias (seu arrependimento e humilhação pessoal) não começou com Josias, começou com o achamento do Livro por outra pessoa (o Sumo sacerdote Hilquias), seguido da transportação e leitura do Livro por outra pessoa (o escriba Safã), completado com a audição humilde do nosso grande Rei. Deus utiliza um dos sentidos mais negligenciados atualmente: a audição espiritual. A audição de Josias. É impossível evitar o impacto da Humildade de Josias diante do trabalho espiritual do Soberano – tudo estava fora de seu alcance (para um rei, isso era irônico demais), aceitou se humilhar para a ministração (leitura e profecia) de outros, emprestando audição atenta e total às Palavras Divinas do Livro do Senhor: Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas (Ap. 2:7). Como em Josias, a audição é a participação humana no trabalho espiritual do Senhor. Ela é qual um abraço forte dado a Deus.

Vale dizer mais: a audição tem uma mania silente de humilhar-nos ante a voz de outros enquanto subtilmente semeia em nós o acolhimento da Palavra de Deus de forma bíblica. Por causa disso, a audição é perigosa. Quem escuta, sempre escuta o que espera e o que não espera, escuta o que gosta e o que não gosta, escuta o que quer e o que não quer, escuta o que pode fazer e o que somente Deus pode fazer. A audição é imprevisível em todos os sentidos, perigosa demais, principalmente quando é audição espiritual à Palavra de Deus. Porque a Palavra de Deus confronta o pecado e exige arrependimento radical, metanoia e serviço. Talvez por isso épocas idólatras fogem da audição. Homens como Josias é que são homens para esses tempos: auscultam com o coração o que o Espírito diz com e em as Escrituras e fazem isso com “ouvidos de eruditos”, como se orassem as palavras de Samuel: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (1Sm 3:10).

Pérola rara, a audição é uma obediência e confiança profética na Palavra de Deus, e abre nossa interioridade ao amor, sede e fome de Deus, gera a fé e impele-nos ao serviço público ao Senhor, como lemos: “Ouve, ó Israel” (Dt. 6:4-7); “agora nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Joã 4:42). “Logo a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo” (Rom 10:17). Sem a Fé, o mundo só tem o moralismo e relativismo. Sem a audição espiritual da Palavra que gera a Fé, tudo que resta são egolatrias, cada um inventando a sua bíblia individual, e ungindo-se com as larvas do inferno. E antes de ensinar e proclamar, o homem precisa ele mesmo ser inundado, pela auscultação espiritual, pela Verbum Dei: “Filho do homem, recebe no teu coração todas as minhas palavras que te hei de dizer; e ouve-as com os teus ouvidos. E vai ter com os do cativeiro, com os filhos do teu povo, e lhes falarás, e tu dirás: Assim diz o Senhor Deus; quer ouçam quer deixem de ouvir” (Eze 3:10-11). Esse padrão é o que vemos em Josias, que ouviu primeiro para si o Livro, e só depois levou o livro para o seu povo.

Nesse tempo de barulho, Josias é um encorajamento: a sua audição espiritual da Palavra comunica-nos uma fulcral verdade: numa era barulhenta, a audição perde sua sacralidade e sentido (daí a necessidade de eu falar numa audição espiritual ou total – ouvir com a alma e o corpo e para praticar o auscultado – para diferenciá-la da audição carnal e parcial: Jesus explica melhor essas duas castas de audição em Mt. 7:24-27), portanto, o nosso dever, como jovens de Deus, é resgatar e aprimorar a audição e buscar ouvir o Livro; amar e ofertar auscultação “em espírito e em verdade” às pregações verdadeiras da palavra de Deus (de preferência, longas) bem como nunca desprezar os profetas e sua missão de ler e explicar-nos as Santas Escrituras.

O fruto externo da audição espiritual

Deixando de lado o primeiro fruto da audição do Livro (o rompimento das vestes ou avivamento pessoal), vamos agora, nesta segunda parte, ver a terceira consequência da audição Sagrada prestada às Palavras (a segunda fora a busca da pregação profética como confirmação da Palavra lida e ouvida – com a profetiza Hulda): a coletivização do avivamento ou promoção da reforma. Os movimentos de visitação de Deus ao seu povo começam com indivíduos, mas sempre deságuam no compartilhamento da Verdade com a comunidade condenando o seu pecado e apelando a sua aderência real e consequente na aliança divina, pela graça. Josias foi acusado, condenado e redimido pelo Livro. Então, levou este fogo livresco que lhe penetrara e habitara a interioridade de sua existência para fora de si: promovendo o avivamento nacional de grande importância e valor. Vejamos o que nos ensina II Reis 23:

a) Reforma religiosa: convocação, leitura do Livro e pacto

Josias foi “à casa do Senhor” na companhia de todos os anciãos e todo o povo que atendia a sua convocação (23:1), inclusive todos os profetas, neste caso: Jeremias, Sofonias, Habacuque e Hulda, provavelmente. Posto no Templo, o rei Josias “leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do pacto, que fora encontrado na casa do Senhor.” (23:2). Josias leu o que ouvira, falou o que ouvira do Senhor. Na expressão “livro do pacto” temos a acusação do que o povo quebrara, mas antecipa o que Josias queria: um renovação do pacto, mas pelo Livro, e não pelos pensares carnais deles. O pacto era para andar perante o Senhor livrescamente – “de todo o coração e de toda a alma”,como se lê em Dt. 6:4e todo o povo esteve por este pacto (23:3).

Quando lemos “todo o povo” devemos entender que é todo no sentido formal. Formalmente, todo o povo fez um pacto com o Senhor. Até porque se recusassem sabiam que o rei tinha poderes para eliminar do seu território os cépticos. Os textos de Jeremias, Sofonias e Habacuque mostrarão que o arrependimento do povo não era geral, e que a maioria esmagadora estava durante e depois de Josias longe do Senhor em seu coração. Extraviado, povo perdido.

b) Reforma institucional e social: limpeza geral em Judá

Após firmarem o pacto, Josias ordenou ao sumosacerdote Hilquias, aos sacerdotes e guardas que do Templo do Senhor retirassem todos os vasos que tinham sido feitos para Baal, e para a Asera, e para todo o exército do céu” (v.4). Josias lançou fogo em todo esse lixo fora de Jerusalém. Onde lemos “Asera” não deve passar despercebido que é nome duma deusa considerada então a dama de Baal bem como a deusa da felicidade e prosperidade. Os judeus estavam idolatrando, como nossa sociedade hoje, a prosperidade e a felicidade aqui na terra. A imagem de Asera é importante: ela era a corporificação do que o povo amava – as riquezas terrenas e o bem-estar mundano. E as justificações decerto não faltavam também. Depois de quebrar e queimar os altares e os ídolos, o nosso rei “Destituiu os sacerdotes idólatras que os reis de Judá haviam constituído” (23:5) acabando com seus cultos pagãos, sua astrologia inclusive. Onde lemos reis de Judá” saibamos que se trata mais especificamente do Manassés (o devoto do filicídio e da estátua de Asera2 Reis 21: 1-8) e de Amom, seu filho idólatra, herdeiro excelente de sua idolatria (2 Reis 21:19-23). Josias limpou a casa de Deus, reiterou todos os ídolos que lá estavam(23:6).

Notemos: a sua sede e busca de Deus levou-o a reparar as rachaduras das paredes do Templo. Esse desejo era bom, mas insuficiente, pois só atingia a exterioridade, a carcaça da religiosidade. Todavia, o Senhor não o desprezou, usou-o para levar ao que realmente é a fonte da vida e avivamento espiritual: a Palavra de Deus – e não o desejo do coração humano de estar com Deus, por mais santo que seja. O avivamento é fruto direto da Palavra, que, ouvida, i.e., acolhida pelo espírito do homem, explode dentro dele como um vulcão bem como uma árvore frutifica frutos de arrependimento e serviço. Não é fruto do desejo do coração humano por Deus, mas a fome humana de Deus é incluída embora seja insuficiente, pois é necessária e importante no processo da reforma e é paradoxalmente um dos frutos da reforma: quando o povo ouve a Palavra, santifica-se, e essa santificação não é verdadeira se não leva a mais necessidade e busca e fome ardente por mais auscultação da Voz de Deus escrita no Livro Sagrado. Somos filhos das Escrituras, somos o povo da audição. Isso não digo com arrogância, mas com jubilação e assombro, pois é pura graça. Muitos têm ouvidos, mas não ouvem, se nós ouvimos a voz de Deus, hoje (Hb. 4:7) é graça divina apenas.

Continuando, porém, Josias destruiu as casas de homossexualismo. Essas casas de sodomia, de prostituição estavam no próprio Templo. O Josias não fez nenhuma concessão com a prática e espírito perversos do homossexualismo (23:7) e feitiçarias. O Livro abomina o homossexualismo, e isso deve alegrar e ser a posição dos que amam o nosso Livro. Josias derrubou as suas casas e retirou da casa do Senhor e extirpou além dos homossexuais, “os médiuns, os feiticeiros, os ídolos do lar, os ídolos e todas abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém” para cumprir “as palavras da lei, que estavam escritas no livro que o sacerdote Hilquias achara na casa do Senhor” (23:24). A nossa era deveria parar de discutir a lei sobre essas abominações e ver que Josias aplicou-a já e da forma como Moisés mandou, sem concessões. Ele era um homem intolerante as abominações e zeloso, como Jesus. Jerusalém se escondia atras do estatuto de cidade santa, por fora era vista por todo o mundo talvez como viva e branca, mas por dentro era um antro infinito de ídolos e abominações, era o que Jesus chamou de “sepulcro caiado”. O zelo e a intolerância às abominações devem jamais morrer em nós, e devem jamais ser seletivos.

Josias continuou a reforma e derrubou todos os altares e acabou com os cultos aos ídolos: acabou e proibiu a queima de crianças a Moloque, eliminou todos os utensílios de culto idolátrico, perseguiu os ídolos em todos os muitos lugares em que estavam, e queimou-os, queimando inclusive os altos construídos por Salomão aos ídolos Astarote, Quemos e Milcon (o escriba sacro de Reis diz que esses deuses, sequencialmente, sãoabominaçãodos sidônios, abominação dos moabitas e abominação dos amonitas). E em todo este derrube e queima de ídolos e seus utensílios, Josias não só quebrou, mas lemos que ele profanou esses cultos (23:8-14). Ele odiava a idolatria.

Eu não posso compor o coro dos que acham que a reforma de Josias foi superficial. 2 Re. 22:16-20 nos conta que Josias sabia que Deus não livraria a sua nação. O Matthew Henry diz que Jesus, apesar de saber disso, cumpre o seu dever e deixa o assunto com Deus. Ele comprometeu o povo de forma mais solene para abolir a idolatria e servir a Deus com justiça e santidade verdadeira. E o resultado de sua reforma é que muitas vidas foram salvas das chamas de Moloque e a maldade externa foi aplacada no seu reino. Beneficiou a nação. Talvez o rei Josias estivesse tentando fazer Deus compadecer da nação e não punir como dizia no Livro que puniria. Mas penso que a melhor tese é que Josias, embora soubesse da firmeza de Deus em mandar o povo para o exílio, não disse como Ezequias que não seria no seu tempo, mas preocupou-se em fazer a sua parte. Isso é uma grande lição para nós: mesmo quando a religião estiver perdida de modo geral, devemos fazer a diferença, não importante o que ganharemos com isso ou não, mas simplesmente porque é nossa missão, nossa vocação ser santos e promotores da santidade. Notemos: por consequência, a reforma do templo e o pacto, restauraram a adoração em Judá e agora há espaço legal para o trabalho do arrependimento, do ensino, dos sacrifícios, do louvor, e da oração. Agora a casa pode se chamar novamente de Casa de Oração.

c) A reforma institucional e social: limpeza geral em Israel

O movimento reformista de Josias ultrapassou as fronteiras de Judá, reino do Sul, e chegou a Israel, reino do Norte. Lá, o nosso rei, intrépido e confiante, derrubou e queimou os altares e o alto que Jeroboão (o revolucionário ímpio, 1 Re. 11-15:1-6) e também matou os sacerdotes dos ídolos sobre os seus altares de serviço satânico (23:19-20). Ele profanou os altares pagãos queimando ossos dos mortos sobre eles (23:15-16), em cumprimento de profecia antiga, mas exceptuou o túmulo de um profeta (23:17-18). (O Josias amava não apenas o Livro de Deus, mas os profetas, os homens de Deus eram seus notáveis). A profecia deste profeta cujo túmulo poupara Josias (e isso é sinal de honra!) falou de tudo o que Josias fazia em Samaria e chamou-o pelo nome antes mesmo de seu nascimento (1 Reis 13:1-5). E nisso aprendemos que Deus usa a profecia desse homem para mostrar a Josias e a todos que o que estava acontecendo era apenas cumprimento duma profecia antiga dada por Ele mesmo (e o túmulo do profeta era prova disso!), e tudo ali estava sendo obrado pelo Soberano há muito tempo e agora Ele inclui a participação do homem. E “os homens da cidade” (23:17) sabiam que o que Josias estava a obrar era divino. Ora, se Deus de antemão escolheu Josias para o que fazia ao mesmo tempo em que decidira não perdoar Judá pela sua idolatria, não porque dizer que Josias fracassou, porque não fracassou, mas cumpriu exatamente o papel para o qual nasceu, cumpriu a sua missão. Os remanescentes decerto foram tocados por meio dele, e avivados por meio dele.

A ida de Josias a Israel numa viagem profética atípica mostra que, como nos livros de Reis e Crônicas, Deus, aliancista eterno que é, estava tratando com o seu povo inteiro, que o reino embora dividido, para Deus era um único povo do mesmo pacto ainda; para o meu espírito viciado por ver Cristo no AT, também, a meu pobre ver, isto aponta para a forma como a redenção messiânica também atingirá tanto judeus como samaritanos bem como anunciou o tipo de rei que Jesus, o verdadeiro filho de Davi, seria: um rei temente a Deus e santo em cujo reino só morarão a puridade e a aliança eterna com Deus.

Notemos: ao eliminar os altos de Jeroboão, Josias está a reafirmar aos samaritanos que o lugar de adoração é Jerusalém, como a Lei prescreve. A reforma toda é feita sob a sombra do Livro achado!

d) Reforma religiosa: a ressuscitação da Páscoa

Tendo regressado a Jerusalém, Josias ressuscitou a celebração da Páscoa, mas ela, segundo o Livro, dentro do pacto, como diz-nos 2 Reis: “Celebrai a páscoa ao Senhor vosso Deus, como está escrito neste livro do pacto.” (23:21). O verso 22 diz-nos algo triste sobre um povo entristecido: “… não se celebrara tal páscoa desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco nos dias dos reis de Judá.” Isso significa ou que desde os juízes não se fez Páscoa como a de Josias com a participação ou que não se fez mesmo Páscoa desde os dias dos juízes. O avivamento aponta para e culmina na Páscoa, a festa da liberdade, da redenção recebida pela morte de outrem. O meu olhar se prende a importância da Páscoa no avivamento, ou seja, a como o avivamento vem para nos levar para o centro da religião bíblica, que é Jesus Cristo, a nossa Páscoa, logo, para a Igreja, mesmo que essa entrada na Igreja seja uma ruptura com uma parte falsa ou desviada dela. E o mais importante é dizer que a reforma nos leva para Jesus “Cristo, a nossa Páscoa” (1 Cor. 5:7).

e) A morte e homenagem a Josias

Por essa dedicada e dura obra de restauração da religião verdadeira em Judá e Israel, o escriba de Reis é abertamente deste grande rei, aliás quem não gostaria dele? Um exemplo raro e singular do filho de David, herdeiro do trono, Josias é elogiado no fim com palavras que espantam e enobrecem principalmente em se tratar de um jovem apenas: Ora, antes dele não houve rei que lhe fosse semelhante, que se convertesse ao Senhor de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés; e depois dele nunca se levantou outro semelhante.” (23:25). Isso é belo e triste. Depois dele deveria haver Reis iguais ou quase iguais a ele, com um coração fiel a Deus, mas não houve, seus filhos se extraviaram do Senhor.

Homens há cuja morte regozija e alivia o povo. Mas outros há, os inesquecíveis, que quando morrem o povo geme e sente o peso das perdas insubstituíveis, sente que o Céu roubou-lhe pérola peculiar, de carácter, fé e força inigualáveis. Tal foi Josias.Apesar dessa verdade, temos que ver o seu calcanhar de Aquiles: ele desobedeceu a voz de Deus e isso lhe ceifou a vida (2 Cron. 35:20-27). Ele errou ao entrar numa guerra em que o Senhor lhe disse que não entrasse, isso matou-o. Os que não escutam a voz de Deus, a sua palavra, morrerão certamente, porque a palavra do Senhor é que é vida e por ela viverá o justo. Mas creio como Matthew Henry que Josias, não obstante alvejado mortalmente em combate, morreu em paz com Deus uma morte que transportou-lhe para a Glória. Além do escriba de 2 Reis, Josias foi homenageado em sua morte por outros escribas apaixonados por ele, entre eles Jeremias, e pelo seu povo, que eternizaram-no em seus poemas e cânticos para sempre:

Seus servos o removeram do carro e pondo-o no seu segundo carro, o trouxeram a Jerusalém. Ele morreu, e foi sepultado nos sepulcros de seus pais. E todo o Judá e Jerusalém prantearam a Josias. Também Jeremias fez uma lamentação sobre Josias; e todos os cantores e cantoras têm falado de Josias nas suas lamentações até o dia de hoje; e as estabeleceram por costume em Israel; e eis que estão escritas nas Lamentações. Ora, o restante dos atos de Josias, e as suas boas obras em conformidade com o que está escrito na lei do Senhor, e os seus atos, desde os primeiros até os últimos, eis que estão escritos no livro dos reis de Israel e de Judá (2Cr 35:24-27).

Sabemos todos que a boca profética de Jeremias era um vulcão em erosão para o povo de Israel, mas é justamente este Jeremias que elogiou em poemas elegíacos o rei que nunca mais Israel teria. Josias um dos poucos que Jeremias elogiou em Israel no seu ministério. (E como eu daria toda a minha biblioteca para ter a lamentação de Jeremias sobre Josias!!!)

Conclusão

Há uma sequência de acontecimentos neste avivamento de Josias. Primeiro, o achamento do Livro. Segundo, a leitura e auscultação do Livro. Terceiro, o arrependimento ou a resposta adequada ao Livro. Quarto, a busca da pregação profética ou confirmação dos profetas. Quinto, a proclamação do Livro ao público. Sexto, a reforma religiosa e institucional. Sétimo, a morte do reformador. Minha oração é que os jovens atuais sejam e façam o mesmo que Josias, e vivam essas sete experiências, pela fé.

Aé filha da audição, sabemos. Mas esquecemos que a incredulidade se origina na surdez, ou na não auscultação. Qualquer avivamento ou reforma que veio e ainda virá será primeiro um despertamento da audição espiritual, uma reforma dos ouvidos da Igreja e, então, da vida espiritual e da religião: o povo de Deus ouvindo a santa Vox Dei escrita na inerrante Bíblia Sagrada. Não vivemos pela vista, vivemos, contudo, pela audição, e damos realização ao mandamento: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. E a nossa audição deve de ser espiritual, total ou será inautêntica. Precisa de ser feita com o ser pleno do homem. Alegra-me ver que a fé de Josias tinha mente para entender a mensagem divina, tinha coração para emocionar-se e arrepender-se com o que ouvira, tinha olhos para chorar, tinha mãos para rasgar as vestes, tinha voz para proclamar a verdade ao seu povo. Não era uma fé mutilada e nem incorpórea, mas fé total. E sabemos que toda fé verdadeira é fé auditiva, ou seja, filha da audição.

Desde Abraão, sabemos que viver Deus é uma espécie de caminhada literal, espiritual ou ambas e com John Bunyan aprendemos o mesmo com O Peregrino. Eu, o que sugiro com este texto é que a caminhada cristã a Deus e em Deus é feita com os pés da auscultação espiritual, total do Livro. Segundo Josias: a auscultação do Livro avivará e salvará a igreja. O Livro, o Livro salvará o mundo. Para isso, o Livro precisa de ser achado, encontrado, descoberto e comido urgentemente entre nós. Leitor, busque o Livro e, se o achar, ouça-o “em espírito e em verdade” e rasgue suas vestes (arrependa-se) e, depois, proclame o Livro, crendo que Deus avivará outros muitos em Jesus. Amém!

O irmão Delo é pregador do Evangelho, poeta e, nos tempos livres, professor. É casado com a Carolina Nanque e membro da Igreja Presbiteriana de Casa Amarela. É natural da Guiné-Bissau (África do Oeste) e, desde 2008, reside em Recife. A sua paixão: a Bíblia e a literatura.

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