A vocação da maternidade e a modernidade

Há um tempo, eu tinha um pensamento de que maternidade era algo que não combinava comigo. E sei que não sou a única! Isso não é estranho em relação à sociedade em que vivemos, que incentiva as mulheres a construir uma carreira profissional e conquistar espaços cada vez mais longe do ambiente familiar. A não ser que a mulher tenha apenas um filho (porque ter muitos filhos é caro e ultrapassado), o coloque numa creche assim que puder e o deixe ser educado por outros (até pelo Estado), para que, por fim, consiga atingir os seus objetivos pessoais/profissionais. Crescemos numa sociedade ímpia, humanista, que não sabe os valores do Reino sobre a família, que despreza o trabalho no lar e mostra os filhos como um peso, um atrapalho. As famílias estão tendo poucos filhos e não temos tanto contato com crianças como era no tempo dos nossos pais. Assim, ser mãe não parece tão natural como deveria, mas parece ser assustador. Eu sou uma jovem solteira e entendo perfeitamente quando alguém diz que é difícil enxergar a maternidade como uma coisa linda, plena e natural: gravidez, enjoos, amamentação, parto etc.

Na verdade, minhas amigas que são mães relatam que é, sim, um trabalho duro, que existem sofrimentos, que é necessário abrir mão de muitas coisas, mas que a real beleza da maternidade é a manifestação de uma vida totalmente dependente da graça do nosso Deus. É preciso entender isso! E claro que tudo recompensa quando você olha para aquela “coisinha pequena” se desenvolvendo a cada dia, aprendendo com você o caminho que deve andar (Pv 22.6).

Bem, viver cuidando de criança e não ter um trabalho fora de casa não parece motivo de se orgulhar hoje em dia. Mas, uma mulher cristã não deve buscar agradar o mundo, ou a si mesma, e sim ao seu Senhor. É importante saber que fomos criadas para glória de Deus, e com uma função diferente dos homens, mas também importante, quebrando qualquer ideia que o feminismo possa afirmar.

E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.” (Gn 2.18)

Deus não criou outra líder para dominar o jardim do Éden, muito menos uma líder para Adão, mas sim uma ajudante capacitada para Adão. De fato, não há distinção entre homem e mulher, escravo e livre, judeu e grego, quando se trata de salvação (Gl. 3.28), pois são todos filhos de Deus mediante a fé em Cristo (Gl. 3.26). Porém, sim, existem funções distintas entre o homem e a mulher, estabelecidas pelo Criador e para a sua glória.

“Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada.” (Tt 2.4-5)

A Bíblia nos mostra as características de uma mulher/esposa piedosa e todas elas giram em torno da sua família. Quando a mulher realiza seus deveres perante Deus, ela está honrando-o, cumprindo sua representação no matrimônio (Ef. 5:22-33) e passando o bom testemunho da graça de Deus. Não estou aqui querendo dizer que mulher não pode, de jeito nenhum, ter um trabalho fora do lar, mas que o trabalho no lar é a sua vocação, onde realmente deve estar a sua dedicação.

Em Salmos e Provérbios também mostram que a mulher virtuosa e bem aventurada é aquela que cuida da sua família e teme ao Senhor (Pv 31.10-31), que será como videira frutífera, e os filhos como plantas de oliveira ao redor da mesa (Sl 128.3), e também são como herança do Senhor, como flechas na mão de um homem poderoso (Sl 127.3-5). A Bíblia evidencia os filhos como bênçãos, algo de muito valor.

O apóstolo Paulo, na carta à Timóteo, afirma a importância da maternidade:

“Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação.” 1 (Tm 2.12-15)

Muitos costumam olhar para esses versículos e alegar que se trata de um contexto cultural da época de opressão e patriarcado, o que é um grande erro. Paulo apenas confirma o papel de liderança masculina, dada por Deus desde a criação e mostra onde a mulher deve exercer o seu trabalho, de forma santa. É interessante o que Mary Pride comenta a respeito no livro “De Volta ao Lar – Do feminismo à realidade”:

Paulo diz que permanecendo firmes no papel maternal que Deus nos deu, com uma atitude pura, nós seremos salvas. “Dar à luz filhos” resume todas as nossas funções domésticas e biológicas especiais. Essa é exatamente a mesma construção gramatical do conselho que Paulo deu a Timóteo para que Timóteo continuasse firme em sua vida e ensino cristão, “pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1 Timóteo 4.16). O caminho específico de Timóteo para a glória celestial era pregar e ser exemplo. O nosso é trabalhar no lar, tudo girando em torno do nosso papel maternal. (PRIDE, 2004, p.44)

Bem, você pode estar lendo isso e achando um absurdo contra as conquistas feministas. Ou o seu coração pode estar em conflito por perceber que estava interpretando a Palavra de Deus de maneira errada e sendo arrastada pelas ondas do feminismo de nossos dias, mesmo que de forma sutil. Espero sinceramente que seja a segunda opção. Negligenciar a nossa vocação feminina é pecado contra o Senhor, é dizer que o que desejamos é mais importante do que a vontade Dele. Mas e quando entendemos isso, porém, o medo permanece? “Eu não sou tão boa com os cuidados da casa, e, sinceramente, nem tenho desejo de ser mãe e morro de medo de tudo relacionado a maternidade. Como isso pode ser a minha vocação?” Calma! A pergunta deveria ser: como posso me livrar do feminismo impregnado em meu coração?

Peça a Deus para abrir seus olhos (Jo 16.8/ Tt 3.4-5): apenas o Espírito Santo tem o poder de nos convencer de nossos pecados, mostrando o nosso erro e moldando-nos conforme a Sua vontade. Lembre-se que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rom 12:2). Quando meditei o porquê de eu não querer ter filhos, percebi quão egoísta eu estava sendo, quão desobediente, quão pecadora!

Entregue suas fraquezas a Cristo diariamente, reconhecendo quem você é perante um Deus santo e bom (1 Tm 1.15/ 2 Co 12.9-10/ Mt 11. 28-29): não esqueça da sua natureza pecaminosa, confessando os pecados, agradecendo a obra redentora de Cristo e sua bondade em nos perdoar e nos ajudar em nossas cargas.

Leia a Palavra e busque instrução da fonte do conhecimento (2 Tm 3.16-17): só por meio da Palavra de Deus e seu Santo Espírito que você vai compreender e descansar na verdadeira vontade do Senhor para a mulher. Lembre-se que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pv 9.10).

Ore para que Deus trabalhe suas habilidades femininas, e não duvide de Sua Palavra (1 Jo 5.14/ Tg 1.5-6): Deus mostrará o quão você pode ser boa em determinadas tarefas que você nem imaginava, moldando o seu caráter e te capacitando, por pura graça e dom que procede Dele. Confie em Deus e não ouça os medos do seu coração enganoso (Jr 17.9).

Aprenda com mulheres mais velhas e piedosas (Tt 2.3-4): ano passado eu e outra amiga solteira começamos a visitar uma amiga casada e mãe, buscando orientações. Acabamos formando um pequeno grupo de estudo que reúne cristãs casadas e solteiras, e como isso tem nos incentivado no nosso chamado! Particularmente, frequentar um ambiente familiar, com várias crianças e com mães testemunhando o evangelho, tem me ajudado a perder muitos medos.

Seja alegre em servir (Pv 31.27-30/ Rm 12.10/ Mc 9.35/ 1 Pe 4.10/ Tt 2.4-5): Muitas vezes somos guiadas pelo egoísmo e preguiça, colocando a desculpa feminista que “não somos obrigadas a nada”. Mas, seja humilde, disposta a amar o próximo e em aprender com o nosso Mestre. A mulher que teme ao Senhor não come o pão da preguiça (Pv 31.27). Desfrute da alegria que enche o nosso coração quando servimos à família. Se você é solteira, comece servindo seus pais e seus irmãos! Quando servimos, até o ambiente no lar é transformado e essa é nossa vocação como cristãs.

A minha oração é que Deus ilumine cada vez mais as moças cristãs no entendimento da vocação feminina, que, infelizmente, é tão distorcida pelo feminismo. Podemos vencer um desafio de cada vez em nosso coração, com a graça de Deus, confiando em suas promessas eternas.

Soli Deo Gloria!

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