Igrejas sem o Espírito

A importância do Espírito Santo e sua obra, assim como a sua divindade, a priori, são elementos comuns aos cristãos, sendo inclusive uma forma de identificar aqueles que destoam do pensamento ortodoxo. No entanto, na prática, a atuação do Espírito tem sido um elemento de contrastes entre as igrejas reformadas e as pentecostais, sendo aquelas acusadas de frias, por causas de seus cultos onde o Espírito não se faz presente – ou no mínimo, onde não tem o devido lugar ou espaço. Qual a razão desta afirmação por partes de alguns irmãos pentecostais? Eles estão corretos em seu entendimento?

De que forma podemos “medir” a presença do Espírito em um culto? O encontraremos somente onde há barulho e êxtase? Ele será percebido apenas quando presentes as cordas vocais estridentes e as manifestações extraordinárias? Infelizmente esse é um pensamento muito comum no evangelicalismo brasileiro, em que pese o fato de ser uma realidade também presente em todo o mundo, ao ponto do Anglicano John Stott, afirmar que para muitos a principal manifestação do Espírito é o barulho. Onde não há a presença dos dons extraordinários do Espírito, este está ausente para muitos. Mas esta é a maneira realmente bíblica de tratar o assunto? Vejamos o que o próprio Cristo nos ensina a respeito de onde podemos encontrar o Consolador:

  1. Nós o encontraremos onde a verdade for conhecida e proclamada:

Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. (João 16.13)

Sempre que a palavra de Deus for pregada com fidelidade, esta ação deve-se ao labor do Espírito, que capacita o pregador, fala através dele e também prepara o coração dos ouvintes para compreender as verdades bíblicas. Sem esta ação sobrenatural do Espírito todos os esforços dos mestres e pastores são vãos. É o Espírito, mediante a Palavra que Ele mesmo inspirou, que instrui e alimenta a Igreja de Cristo.

  1. Nós o encontraremos onde pecadores se arrependem e creem em Cristo:

Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. (João 16.8)

O homem natural é cego para as coisas Espirituais, e jamais conseguirá por si só compreender seu estado de pecado, e assim arrepender-se e crer em Cristo para a vida eterna. A salvação só se dá mediante a ação do Espírito retirando as escamas de seus olhos, vivificando-o, operando a regeneração. Só herdará a vida eterna quem nascer de novo, e somente o Espírito pode efetuar esta obra no coração do homem. Não há conversão em a obra do Espírito, aplicando o evangelho aos corações dos homens.

  1. Ele está onde CRISTO é reconhecido como Deus e exaltado:

Quando vier o Conselheiro, que eu enviarei a vocês da parte do Pai, o Espírito da verdade que provém do Pai, ele testemunhará a meu respeito. (João 15.26)

Como poder crer em Cristo e nas Escrituras? O testemunho interno do Espírito! Este é o ministério dele: Fazer-nos cada vez mais firmes em Cristo. Sempre que crescemos na graça e no conhecimento, amando e confiando mais em Jesus, anelando que ele seja cada vez mais exaltado e glorificado em nossas vidas, podemos perceber, por excelência, a obra do Espírito. Sua missão é cristocêntrica. Ele é um farol que lança luz sobre a obra de Cristo. E certamente este é um parâmetro infalível para medir a validade de qualquer manifestação feita em nome do Espírito: Ele aponta para Cristo? Se aponta somente para homens, certamente não está de acordo com aquilo que a Escritura nos revela sobre o Espírito.

Este é o ministério do Consolador: Aplicar a verdade das Escrituras no coração de pecadores levando-os a amar a Cristo e odiar os seus pecados. Se você observa estas coisas em sua igreja, ali está o Espírito de Deus, ainda que não haja movimentos pirotécnicos. Quem afirmar o contrário, tem uma compreensão equivocada das Escrituras. Onde Cristo é honrado, o Espírito está presente. Sua presença não se mede pelo calor ou pelo barulho, mas sim pela reverência e amor ofertados a Cristo.

Deixe uma resposta