Usando a timidez para glória de Deus

Sempre fui esse tipo de pessoa extremamente acanhada, que pouco fala quando chega nos lugares, evita até mesmo ambientes em que haja efusiva interação com grupos de pessoas as quais não possuo afinidade. Então, eu passei anos concordando com a ideia de que Deus não se agradava com a timidez: ser tímida, para mim, era um pecado – o qual eu deveria me livrar para logo alcançar o perfil extrovertido e comunicativo.

O grande dilema entre o perfil introspectivo de um indivíduo e o caráter soberano divino gira em torno do fato de que Deus nos conhece integralmente, afinal foi Ele quem formou o íntimo do nosso ser! (Sl 139.13) Ele sabe quem somos, por isso conhece todas nossas características. Se Ele usa determinada pessoa, a personalidade desta se torna indiferente no final das contas, pois tudo é para glória de Seu nome.

Quando Jesus exorta aos discípulos sobre o que se preocupar quanto ao modo de falar nas sinagogas, perante os governadores e autoridades, ele enfatiza que, na verdade, quem ensinará e dirá o que for preciso dizer é o Espírito Santo (Lc 12.11-12). Desse texto, extrai-se a ideia de que o poder para fazer a boa obra não está em nós, e sim nAquele que pode todas as coisas e que opera através de nós, apesar de quem somos.

Ora, se Deus diz para focarmos em sua perfeita providência para que as coisas sejam feitas a seu modo, por que, então, confiar em nossa própria condição temperamental?

Assim, a boa notícia é que, apesar de nossas aparentes dificuldades, Deus opera seus desígnios, faz Sua agradável vontade. Ele nos usa para glorifica-lo independentemente de nossas limitações. Já parou para pensar que o propósito divino, na timidez, é fazer com que reflitamos sobre nossa própria condição de dependência? Dependência esta que se relaciona à ideia de que não podemos pensar em driblar nossa vergonha e acanhamento se primeiro não olharmos para a Cruz. É porque fomos salvas e justificadas que temos a motivação para ver a timidez não como um inimigo, mas como um lembrete de que estamos sendo quebrantadas e moldadas para nos alinharmos ao caráter de Cristo.

Somente através dessa perspectiva é que podemos mudar nossa visão negativa acerca da timidez, sem, contudo, romantiza-la ou manter a narrativa de que ela deve ser estimulada. Então, uma moça tímida não pode usar essa sua característica como salvo conduto para não realizar as ordenanças bíblicas, mas ver nisso uma oportunidade para depositar sua confiança em Deus, e não em si. Que maravilha poder confiar nAquele que pode todas as coisas, quando nós nada podemos!

Que possamos aprender a enxergar, em nossos próprios impedimentos, um caminho para louvar a Deus e bendizer Seu santo nome. Nossa timidez não deve ser uma desculpa, nem tampouco uma lamentação para baixarmos nossas cabeças e desistirmos de agradar a Deus. E esse processo de santificação pode soar até um pouco tímido, mas o resultado até o nosso verdadeiro lar será verdadeiramente jubiloso! Amém.

Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”(Filipenses 1.6)


Texto originalmente publicado pela Confraria Feminina.

Laísa Caroline

21 anos. Estudante de Direito da UEPB. Membro da Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo. Aprecia as obras de C. S. Lewis e o livro de Eclesiastes.

 

 

 

 

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