Experimentando a vontade de Deus por meio de uma mente renovada

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rm 12.2

Tenho ouvido por diversas vezes esse versículo sendo repetido no meio cristão, entretanto, ao que parece, esse ‘texto áureo’ tornou-se mais um ditado bonito na boca de pessoas que mal compreendem a profundidade e o real significado que o Senhor, por meio do Ap. Paulo, traz nesta declaração.

É comum que alguém diga em momentos de felicidade: “Ah, a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável”, ou por vezes, como forma de consolo, nos instantes de tristeza: “Tudo bem, a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável”, mas essa não é e nem deve se tornar uma frase de efeito para amenizar nossas dores ou intensificar nossas alegrias.

A respeito dessas características citadas sobre a vontade de Deus pelo Ap. Paulo todos nós já sabemos, mas é nos feito um convite à realidade da vida cristã:

“…para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Somos convidados não a saber sobre a vontade de Deus, mas à experimentá-la. Ter ciência de que o Senhor é bom (e assim também a sua vontade) é importante para o homem, mas quão formidável é poder vivenciar o que já é por nós conhecido!

A essa altura, aqueles que amam a Deus já estão ansiando em seus corações pelo sabor dessa experiência e se alegra em saber que não fomos apenas chamados a experimentar, mas também fomos ensinados a chegar lá.

“E não vos conformeis com este século…”

A palavra do Senhor nos conclama a sermos santos. O próprio Deus deseja que haja diferença entre o justo e o ímpio (Ml 3.18), entre luz e trevas (2Co 6.14), os filhos de Deus e os filhos do diabo (1Jo 3.10). A ordem é que não devemos nos amoldar a eles, nem às suas práticas, nem aos seus costumes, nem às suas crenças; não podemos estar satisfeitos em parecer-nos com os ímpios, em admirá-los com nosso coração, louvá-los com nossos lábios, apoiá-los com nossa omissão ou imitá-los com nossa negligência. Não somos e não queremos ser como eles.  Também não nos importamos se isso se faz notório, pois nosso interesse está na promessa do porvir.
“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação,não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” (2Co 4.16-18)

Podemos então notar que em oposição de “Não vos conformeis com este século” está “transformai-vos pela renovação da vossa mente” e ainda no capítulo 12 do livro de Romanos, versículos de 9 ao 21, o Apóstolo Paulo nos instrui a respeito das virtudes de um crente fiel. Leia com atenção esses versículos nesse momento – antes mesmo de prosseguir com a leitura desse texto -, pense em cada um deles… não será difícil perceber a imensa disparidade das virtudes citadas por Paulo para o comportamento dos ímpios.


“…mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…”

Não importa somente que estejamos aborrecidos do mundo, mas também que busquemos a transformação de nossas inclinações pecaminosas, a fim de que tenhamos uma vida agradável a Deus renovando a nossa mente.
Não há nada mais poderoso entre os homens dessa geração iníqua do que um justo que tem sua mente renovada. Ele olha para a depravação ao seu redor, mas não se prende em pensamentos depressivos, antes pensa: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade.” (Lm 3.21-23)

Vê a prosperidade do ímpio, reflete e diz: “Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para contigo. Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no SENHOR Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos.” (Sl 73.27-28)

Ele prova a injustiça e declara: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra.” (Jó 19.25)
É perseguido, afrontado, pressionado por causa da verdade e nele há ousadia para responder aos seus adversários: “Acaso, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” (Gl 1.10)

“…boa, agradável e perfeita vontade de Deus…”

Aquele que se empenha em renovar sua mente pela palavra de Deus estará apto para experimentar a vontade de Deus como ela é de fato. É importante saber que a palavra “vontade” usada nessa passagem não diz respeito apenas à vontade de Deus revelada na sua Santa palavra, antes, ainda mais, se refere ao Decreto eterno de Deus, pois esta palavra no original reflete uma vontade que não se pode resistir, melhor definida como “determinação vigorosa”, “propósito” ou até mesmo “mandato”. Há algo precioso demais nessa verdade, pois sabemos que o homem carnal nem sempre se alegra com o cumprimento dos decretos de Deus, para este é demasiadamente difícil ou até confuso lidar com a Soberania do Senhor, em especial, em momentos de grandes tribulações.

Olhando para os grandes homens de fé que a bíblia nos apresenta, somos convocados, meus irmãos, a perguntarmos a nós mesmos: “O que falta a mim para experimentar a perfeição da bondade do Senhor como estes homens o fizeram?”. Estar disposto a entregar o próprio filho à morte, estar alegre nas tribulações e nos açoites, contentar-se com o pouco, não levar em conta o valor da própria vida, e tantas outras provas que temos de homens que experimentaram o que há de mais excelente em ver o decreto de Deus ir se cumprindo ao longo do tempo.

E para finalizar, quero encorajá-los com a palavra do Senhor, que concede essa oportunidade a homens como nós, corrompidos pelo pecado; trago trechos de uma declaração de Davi, um homem que, ao rejeitar o modo de vida dos ímpios e renovar a sua mente na lei do Senhor, pôde experimentar a bondade, a agradabilidade e a perfeição da vontade de Deus:

“Bendirei o SENHOR em todo o tempo… Gloriar-se-á no SENHOR a minha alma… Busquei o SENHOR, e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores… Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei o SENHOR, vós os seus santos… aos que buscam o SENHOR bem nenhum lhes faltará… Quem é o homem que ama a vida e quer longevidade para ver o bem? Refreia a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal e pratica o que é bom; procura a paz e empenha-te por alcançá-la. Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor. O rosto do SENHOR está contra os que praticam o mal, para lhes extirpar da terra a memória… Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido… Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR de todas o livra…O infortúnio matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão condenados… O SENHOR resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam nenhum será condenado.” (Trechos do Salmo 34)

 

Recifense, 22 anos, casada, estudante de Processos gerenciais, mas amante da boa teologia. Meu coração deseja a eternidade, Cristo em mim é a esperança da Glória.

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