Nada me faltará – Parte II

Na parte I deste texto falamos sobre como muitas vezes nos encontramos imersos em sentimentos de descontentamento, ansiedade e insatisfação, achando que falta algo em nossas vidas. Mas que, na verdade, o Senhor é poderoso para satisfazer todas as nossas necessidades, primeiramente porque Ele mesmo é a mais profunda delas; e, ainda, porque Ele conhece as outras, e as suprirá conforme for melhor para nós. Deveríamos, portanto, estar em constante paz e descanso confiante em nosso Deus provedor, porém falhamos tremendamente nisso, assim como a nação israelita no passado.

O Israel do período dos reis conhecia toda a história da Aliança do SENHOR com a nação – as promessas feitas aos Patriarcas, o Êxodo, o cuidado e sustento durante os quarenta anos no deserto; as vitórias e o ingresso na Terra Prometida, a disciplina do Senhor em suscitar opressores quando o povo estava longe dEle, e a misericórdia em levantar libertadores quando havia arrependimento e clamor a Ele; a escolha de Davi para ser rei, após o fracasso de Saul, e as promessas feitas a ele; a sabedoria de Salomão, a prosperidade em seu reinado, e a decadência por causa da idolatria, além da divisão da nação em Reino do Norte e Reino do Sul.

Ao longo de todos esses séculos, muitas lições haviam sido aprendidas, e, o mais importante: Deus havia se revelado ao povo, eles tinham a Lei do SENHOR, seus mandamentos e estatutos, aos quais deveriam obedecer, para viverem em santidade ao Senhor, mostrando a glória de Deus aos povos em redor deles. No entanto, não foi assim que eles agiram. O Senhor, então, vocacionou homens para repreender a nação, como o profeta Oséias. A mensagem era a proclamação de que o povo havia quebrado e ainda estava quebrando a aliança com o Senhor, ao adorar e servir a outros deuses. Então, Deus fala ao povo de maneira chocante, revelando o horror e a loucura de seus pecados. Ele compara a nação a uma mulher que traiu seu marido com muitos amantes, enganada por esperar deles seu sustento:

“Repreendei vossa mãe, repreendei-a, porque ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido, para que ela afaste as suas prostituições de sua presença e os seus adultérios de entre os seus seios; […] Pois sua mãe se prostituiu; aquela que os concebeu houve-se torpemente, porque diz: Irei atrás de meus amantes, que me dão o meu pão e a minha água, a minha lã e o meu linho, o meu óleo e as minhas bebidas” (Os 2.2,4)

Da mesma maneira, o povo não confiava em Deus como o único capaz de satisfazer todas as suas necessidades. Não acreditavam que na vida com o Senhor, em amá-lo de todo o coração, de toda a alma, de todas as forças e de todo o entendimento, e na obediência aos Seus mandamentos, estava a provisão de felicidade e a paz. Assim, caíam constantemente em idolatria, buscando aos outros deuses dos povos em redor como fonte de sua felicidade e, em última análise, buscando a satisfação de sua maior necessidade nos caminhos enganosos desejados por seus próprios corações. Além disso, as pessoas também não confiavam em Deus para a satisfação das outras necessidades, mas criam que esses deuses abençoavam a nação, com chuvas no devido tempo, terra fértil, abundância na colheita, quando o Senhor era quem graciosamente concedia tudo isso ao Seu povo!

Exatamente o mesmo ‘processo’ ocorre em nossos corações, que apesar de regenerados, ainda possuem o pecado remanescente, que só será eliminado quando nos encontrarmos com o Senhor para vivermos eternamente em Sua presença. Duvidamos que a verdadeira felicidade esteja em viver para a glória de Deus. Duvidamos que Ele seja o único capaz de satisfazer nossos anseios mais profundos. Duvidamos que Ele seja Aquele que satisfaz nossa necessidade dEle mesmo! (Quão insensato isso é!) Então, como o povo, caímos em pecado – escolhemos fazer aquilo que é desobediência aos Seus mandamentos, achando que assim agindo seremos mais felizes. Procuramos a alegria, o deleite, a paz, o conforto, em outras coisas, pessoas, atividades que não são o nosso Deus. O problema não é ter alegria no que é bom e agrada a Deus, mas sim o buscar a alegria profunda pela qual nossos corações gemem, e que só encontramos no relacionamento pessoal com o Senhor, mediante Cristo.

Quanto às necessidades relativas às coisas desta vida, há a ansiedade, o descontentamento, a busca das coisas sem depender de Deus, por nossas próprias forças, e no fim das contas, tudo é falta de confiança no Deus que supre todas as nossas necessidades. Tudo é incredulidade no poder do nosso Deus, nas Suas palavras deixadas para nós. Não é à toa o que o autor aos Hebreus afirma sobre aqueles que peregrinaram no deserto por quarenta anos:

“Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade”. (Hb 3.19)

Esperança no amor e nas promessas de Deus

            Graças a Deus por Seu amor incondicional por nós! Porque Ele nos ama, apesar de nossa incredulidade e, junto com a repreensão, há o chamado ao arrependimento, além da certeza de que Ele mesmo opera em nossos corações, em todo tempo, a cada dia, através do Seu Espírito que em nós habita. Ele opera incessantemente para que confiemos cada vez mais, sejamos verdadeiramente satisfeitos nEle, e não mais busquemos satisfação em nenhum outro lugar. Vemos isso no mesmo capítulo de Oséias, alguns versículos adiante:

“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração. E lhe darei, dali, as suas vinhas e o vale de Acor por porta de esperança; será ela obsequiosa como nos dias da sua mocidade e como no dia em que subiu da terra do Egito. Naquele dia, diz o SENHOR, ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: Meu Baal. Da sua boca tirarei os nomes dos baalins, e não mais se lembrará desses nomes” (Os 2.14-17)

Mesmo que por vezes pensemos que nossos corações são tão corruptos que é impossível  perseverarmos na busca da satisfação de nossas necessidades em Deus, precisamos nos apegar às promessas que o Senhor nos deixou. Vamos ler, reler, meditar e crer nas doces palavras de nosso Amado:

“Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias; desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás ao SENHOR” (Os 2.19-20)

Quanto às necessidades relacionadas a esta vida, Ele também atua em nós para que aguardemos com paciência Sua providência nos dar o que for necessário, conforme a Sua boa, agradável e perfeita vontade (Rm 12:2), de modo que nos conformemos cada vez mais à imagem de Cristo (Rm 8:28,29). Portanto, confiemos e descansemos “Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Sl 84.11). É como o salmista diz: “O que a mim me concerne o SENHOR levará a bom termo;” (Sl 138.8a).

Que possamos aprender que, quanto à satisfação de nossas necessidades:

“Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades. O que não temos agora, não precisamos agora” (Elisabeth Elliot).

Nossa maior necessidade é Cristo, não há nada neste mundo de que precisamos mais desesperadamente do que de Cristo. E a Ele já temos! Glória a Deus!

“O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.” (Sl 23:1).

Colunista. 20 anos, pernambucana, membro da Igreja Presbiteriana de Areias, em Recife e estudante de Direito. Uma sonhadora que permanece com os pés no chão graças à Palavra de Deus.

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