Você está entediado com Cristo no Natal?

Marcos é o Evangelho do Novo Testamento mais negligenciado no Natal. Os outros começam com descrições detalhadas do nascimento de Jesus (Mateus e Lucas) ou pelo menos uma menção dele (João).

Marcos nos dá nada disso – sem manjedoura, sem ovelha, sem pastores, sem anjos, sem magos, sem estrela, nem Jesus bebê. No início de Marcos, Jesus já está crescido. Somos lançados diretamente no seu ministério, e o resto do Evangelho é um relato rápido desse ministério, levando a sua morte.

No capítulo 6, contudo, Marcos fornece uma referência indireta ao nascimento e crescimento de Jesus, e esta referência nos mostra um ângulo diferente da história do Natal.

Confiante e Confuso

Marcos nos conta que Jesus “veio de sua cidade natal, e os seus discípulos o seguiram. ”E, partindo dali, chegou à sua pátria, e os seus discípulos o seguiram.
E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam”
(Marcos 6.1,2).

As pessoas da cidade de Nazaré respondem ao ensino de Jesus com admiração e uma enxurrada de questionamentos. As 3 primeiras pessoas expressam genuíno espanto: “De onde lhe vêm estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?” (Marcos 6:2). Estes são questionamentos reais, em busca de respostas que seus seguidores nazarenos não tinham.

A espanto das pessoas é explicado pelo próximo conjunto de perguntas, cada um deles acreditam que já sabem a resposta para: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs?”
(Marcos 6:3). A resposta esperada em cada caso é “Sim”. Sim, ele é o carpinteiro, ele é filho de Maria, e nós conhecemos seus irmãos e irmãs.

As pessoas da cidade não podem se adaptar ao fato de que o homem que ensina coisas maravilhosas é o mesmo que eles conhecem. Confiantes do que eles pensam saber, estão confusos com o que eles não sabem. Então eles respondem da pior forma: “E escandalizavam-se nele” (Marcos 6:3).

Familiar em todas as formas erradas

O que isso tem a ver com o Natal? O ângulo exclusivo de Marcos sobre os eventos no Natal é este: em pelo menos uma pequena cidade, o fato que Jesus veio como um bebê e cresceu como uma criança normal não foi um encorajamento para a fé, mas sim um obstáculo para isso. Nós frequentemente (e com razão) achamos que o que as pessoas precisam para confiarem em Jesus é familiaridade com quem Ele é. Mas nesta passagem, os amigos de Jesus não conseguem superar sua familiaridade. Ela é um obstáculo. Familiaridade cria desdém.

Talvez nós também sejamos familiarizados com Jesus. Nós nunca corremos com Ele através das ruas empoeiradas de Nazaré, o ensinamos na escola dominical, ou pagamos a Ele para consertar uma cadeira quebrada. Mas nós crescemos conhecendo Ele. Nós aprendemos cedo que se nós respondermos com entusiasmo “Jesus!” a cada pergunta feita na escola dominical, então estaremos certos quase todas as vezes. Nós cerramos os dentes com VeggieTales ou – se nós somos um pouco mais velhos – figuras de flanelógrafo.  Nós brincamos com o Natal todos os anos. Nós sabemos todas as letras das principais canções de Natal.

J. C. Ryle uma vez escreveu: “Familiaridade com coisas sagradas tem uma horrível tendência a fazer homens desprezarem elas.” Isto é verdade. É possível se tornar tão familiar com Jesus que nós conhecemos Ele como uma resposta de escola dominical ao invés de um grande e sincero Senhor do coração, que faz sua reinvindicação sobre nossas vidas, a quem devemos tudo, que, sozinho, nos dá alegria duradoura e que merece toda a nossa adoração. Familiaridade com Jesus pode nos levar a acreditar que O fizemos descobrir. Simplificando, talvez estejamos um pouco cheios dEle.

Deixe a Geração da Familiaridade

Se isso é verdade para qualquer um de nós, é um sinal certo de que realmente não O conhecemos. Pelo menos não o conhecemos o suficiente. Conhecer Jesus é como conhecer o Monte Everest. Para aqueles que o conhecem, Everest cada vez mais emociona, desconcentra, traz prazer, elude e anima. Se as pessoas estão entediadas com o Everest, é porque elas estão aprendendo fatos sobre isso em sua sala de estar, não escalando.

Familiaridade precisa não criar desprezo. Em vez disso, pode criar fé. Marcos nomeia 4 dos irmãos biológicos de Jesus. Notavelmente, 2 dos 4 – Judas e Tiago – depois escreveram cartas do Novo Testamento. Ambos conheciam Jesus intimamente como irmãos há muitos anos. Mas Judas começa sua carta assim: “Judas, servo de Jesus Cristo” (Judas 1).Tiago, por sua vez, começa assim sua carta: “Tiago, servo de Deus, e do Senhor Jesus Cristo” (Tiago 1.1).

Sim, Jesus era seu irmão. Mas eles vieram conhecê-lo mais importante como Mestre e Messias. Em suas vidas, a familiaridade levou à fé. Quanto mais eles conheciam, mais eles viam. Quanto mais eles viam, mais eles adoravam. Quanto mais eles adoravam, mais eles queriam conhecer.

O mesmo é verdade para nós quando nós vemos Jesus como ele realmente é. No céu, nos tornaremos cada vez mais familiarizados com Jesus para sempre e nós nunca ficaremos entediados. Lembre-se das palavras de John Newton em “Amazing Grace”:

Quando já estivermos lá dez mil anos,
brilhando como o sol,
nós não teremos menos dias para cantar louvor a Deus
do que quando começamos.

Stephen Witmer (@stephenwitmer1) é o pastor da Pepperell Christian Fellowship em Pepperell, Massachusetts, e ensina Novo Testamento no Seminário Teológico Gordon-Conwell. Ele é o autor de Eternity Changes Everything e de 12-semanas de estudo em Apocalipse.Ele e sua esposa, Emma, tem três filhos.

 

Leia o texto original clicando aqui.

Pernambucano, 21 anos, membro da Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo em Recife – PE, Aluno do Seminário Presbiteriano do Norte, apreciador de Salmos e das Doutrinas das Graças e ama muito sua namorada Laísa.

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