Deus não nos deu espírito de covardia

“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.” (2 Tm 1:7)

Muito há para aprendermos nessa frase do Ap. Paulo, mas hoje quero voltar a nossa atenção para o primeiro aspecto citado por ele como não característico do espírito que recebemos de Deus.

Por diversas vezes ouvi, vi e li citações reformadas que dizem que o maior erro dos ditos evangélicos atuais é a ausência de convicção, o que vai nos levar para vários outros aspectos dessa falha, tais como mau testemunho, parcialidade, relativismo religioso e teológico etc. A falta de firmeza em si é a causa de muitos outros males. Temos visto uma onda de “novos cristãos” e artistas “convertidos” e batizados que vivem suas vidas longe de qualquer coisa que possa ser reconhecida como marca de um cristão.

“Religião é religião, trabalho é trabalho, profissão é profissão” eles dizem, como se o evangelho do Senhor se resumisse apenas a uma confissão de lábios distinta da vida prática. (Mt 15:8)

Entretanto, o que mais me incomoda não é o ataque ao Santo evangelho em si (pois já fomos dantes avisados do que estava por vir, não somos pegos de surpresa com a apostasia que nos rodeia), mas a inércia dos verdadeiros crentes em Jesus Cristo. Compartilho do pensamento de Martin Luther King que disse: “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

O primeiro motivo que acredito que devemos nos opor claramente à esse falso evangelho é: eles se levantam contra o conhecimento de Deus!

Muitos irmãos estão aquém da realidade espiritual que estamos enfrentando, estamos em guerra, no meio do campo de batalha, não há como pensar que apenas tentar sobreviver se escondendo é a melhor opção. Estão buscando torcer, difamar, subjugar o santo evangelho e os “evangélicos” estão assistindo de braços cruzados, não só isso, mas também se opõem aos que buscam lutar pela causa. Como diria Spurgeon: “Não lutamos contra homens, mas por Deus e pela sua verdade.”. Quando nos opomos àqueles que dizem ser cristãos e não mostram frutos, não estamos nos opondo à pessoa, mas à mentira. Esse é o nosso dever.

“As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo.” (2 Co 10:4-5)

Em contrapartida, quando somos crentes omissos, abrimos mão da verdade pela conveniência. Timóteo estava em Éfeso, num ambiente hostil não muito longe do que temos passado hoje, sendo perturbado e afrontado pelos ensinamentos de falsos mestres, ele precisava ser lembrado do seu papel como crente e pregador da palavra; por esse motivo o Ap. Paulo antecede o assunto principal dizendo “te lembro…” (2 Tm 1:6).

Existe uma necessidade de sermos constantemente lembrados do porquê e para que fomos chamados e quais são os atributos do espírito que recebemos; estamos sendo bombardeados a todo o tempo pelas ideologias do mundo e não podemos simplesmente suportar, temos que defender e pregar o evangelho com coragem, ousadia.

Disseminou-se entre os cristãos um pensamento errôneo de que não podemos nos opor às heresias e falsos ensinamentos, pois nosso papel é apenas crer e pregar o evangelho. Já ouvi isso por diversas e diversas vezes de pessoas totalmente conformadas com a corrupção no meio evangélico.

Quero chamar sua atenção para alguns aspectos que a Bíblia nos revela:

1 – Os 4 evangelhos do Novo Testamento nos mostra Jesus sempre confrontando Fariseus e Mestres da Lei, além de pregar o evangelho;

2 – O livro de Atos nos mostra que além de pregar o evangelho, era costume dos apóstolos ir toda semana nas sinagogas discutir com base nas escrituras (Confira: Atos 14:1 e 17:1-3);

3 – De Romanos à Apocalipse são 22 livros, 7 deles foram escritos especialmente com o propósito de denunciar falsos mestres no meio do povo eleito trazendo falsos ensinamentos;

4 – Dentre esses 22 livros, apenas 2 não demonstra confronto quanto às heresias e falsos ensinamentos. (Filemon e 3 João).

Agora você acha que realmente não há necessidade de confrontar as falsas doutrinas que se levantam contra a Sã Doutrina?

Tantos irmãos nossos deram suas vidas pela causa do evangelho, pela preservação da verdade, muitos deram suas vidas até a morte, para que a geração de hoje ignorasse tudo com falsas interpretações bíblicas repetidas nos quatro cantos do mundo: “não julgueis para não serem julgados”, “Jesus andava mais com prostitutas do que com religiosos”, “Só quem pode me condenar é Deus”?

Precisamos desconstruir esses falsos pensamentos. Não podemos aceitar que se levantem contra o conhecimento de Deus!

O segundo motivo que acredito que devemos nos opor claramente à esse falso evangelho é: a causa que nos leva a omissão.

“Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus…” (2 Tm 1:8)

Aqui Paulo vai direto ao assunto, o “portanto” faz uma ligação com o versículo anterior, o qual dava os atributos do espírito que Deus nos deu: de poder, de amor, de equilíbrio e não covarde. A partir daí ele exorta a Timóteo a não se envergonhar, a não ser covarde diante das aflições que sobrevêm ao pregador do verdadeiro evangelho. Sejamos sinceros, quantas vezes preferimos ficar calados diante da injustiça por termos vergonha de exortar ou repreender atitudes de alguém!

Acovardamos-nos do evangelho por termos necessidade de aceitação, ou por querermos ficar “em paz”. A omissão diante da impiedade e da mentira é pecado. Não podemos nos tornar crentes passivos só para garantir nossa segurança emocional, nem tampouco para criar um ambiente de paz entre os ímpios e rebeldes.

Um ponto importante a ser observado é que não devemos ter medo de confrontar as pessoas com a verdade do evangelho, pois assim como a passagem deixa claro, é o espírito que habita em nós quem tem poder, não vem de nós mesmos, não parte de arrogância ou orgulho da nossa parte, não vamos às pessoas com palavras bem elaboradas na intenção de combatê-las, vamos com a palavra de Deus e o espírito de poder também é espírito de equilíbrio.

“…prega a palavra, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreendas, exorte, com toda a longanimidade e doutrina.Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina.. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” (2 Tm 4:2,3,5)

Timóteo é encorajado a pregar a palavra mesmo em tempos em que as pessoas não iriam querer ouvir. A passagem de 2Tm 4:2-5 nos deixa perceber algumas coisas:

a) A verdade deve ser pregada a todo tempo mesmo quando não for bem aceita pelo mundo;
b) A obra de um evangelista é sofrer as aflições, cumprir seu ministério por meio da perseverança na pregação do evangelho.

Por esse motivo é nosso dever pregar a verdade. (1 Co 9:16)

O terceiro motivo que acredito que devemos nos opor claramente à esse falso evangelho é: por amor aos nossos irmãos que estão em confusão.

Acredito que há irmãos nossos que estão confusos e eles precisam ser exortados. Eles admitem uma posição passiva simplesmente porque não sabem a maneira certa de agir e talvez até de crer. Alguns estão enganados achando que não cabe à eles julgar uma pessoa que se diz crente, mesmo que sua vida seja totalmente igual a de um ímpio (pois no fundo, são ímpios também). Geralmente são as mesmas que criticam os que se opõem à falsidade, mas são como ovelhas mal alimentadas.

O jovem Timóteo também foi instruído por Paulo quanto a isso. Havia irmãos mais fracos na fé que estavam sendo enganados por falsos ensinamentos, e o conselho de Paulo é:

“Se você transmitir essas instruções aos irmãos, será um bom ministro de Cristo Jesus, nutrido com as verdades da fé e da boa doutrina que tem seguido. Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, fazendo isso, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem.” (1 Tm 4:6,16)

Nós como mais fortes, suportamos os mais fracos, ajudamos os irmãos ignorantes a entendermos sobre as características de um verdadeiro cristão, de um falso mestre, de um zombador do evangelho; os levamos a observar na bíblia que sua posição de omissão está errada e como ele deve julgar segundo a reta justiça. Nosso dever é sermos úteis no amadurecimento da fé uns dos outros. (Gl 6:1-2) A nossa exortação não é para que o nosso conhecimento se sobressaia à falta de conhecimento do irmão débil, mas deve proceder de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia. (1 Tm 1:5).

Finalizo encorajando você a refletir qual tem sido sua posição diante dos ataques do mundo e de Satanás à Sã Doutrina e ao Puro evangelho do Senhor Jesus Cristo. A bíblia nos dá vários motivos pelos quais devemos estar vigilantes e corajosos e não oferece nenhuma razão para que sejamos omissos. Um espírito covarde não condiz com o Espírito de Deus que habita em nós.

23 anos, casada, membro na Congregação  Batista da Graça em Recife; amante da boa teologia. Meu coração deseja a eternidade, Cristo em mim é a esperança da Glória.

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