Definindo características de uma igreja saudável

Revisão: Vanessa Lima

Uma igreja saudável é aquela comprometida com o evangelho. Neste texto, pretendo abordar três tópicos que são indispensáveis para aqueles que estão a buscá-las.

1. Uma igreja que tem a Bíblia Sagrada como única regra de fé e prática

Como bons cristãos, sabemos que o autor da Escritura Sagrada é o próprio Deus. Todo o Antigo Testamento como o Novo Testamento é útil, é verdade, é infalível e não depende de testemunho de homem algum para ser o que é em si mesmo. Em 2 Timóteo 3.16 lemos que

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça,

e neste texto há a confirmação da utilidade e propósito para os quais Deus nos deu a sua vontade na forma escrita, e, em sequência, vemos para quem ela está direcionada: “para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra”  (2 Tm 3.17). Tendo esses versos como pressupostos, nos resta, então, identificar se a igreja local tem esses princípios: o pensamento na centralidade do seu viver em comunidade na centralidade de sua crença.

2. Uma igreja cuja perspectiva de culto público está conforme preescrito no princípio regulador do culto

Trata-se da igreja local que adota a Bíblia Sagrada como única regra de vida cristã e seu proceder de culto público é extraído da própria Escritura Sagrada. De agora em diante o meu argumento será baseado num livreto que tem por autor Brian Schwertley chamado “O Princípio Regulador do Culto” [1].

A nossa natureza humana é pecaminosa e por mais diligente ou por mais otimistas que sejamos logo iremos pecar. O povo com o qual Deus fez um pacto sempre se desviou e ainda se desvia da verdade, e é comum, por conta do pecado, o homem manchar a verdadeira religião ao eliminar elementos dela que lhe desagrada. A saber, o homem corrompe a verdadeira religião tanto subtraindo-a quanto adicionando a ela ideias próprias; nisto constitui o motivo pelo qual Deus advertiu o povo de Israel para nada adicionar ou retirar de sua Palavra:

 “E agora, ó Israel, ouça os decretos e as leis que lhes estou ensinando a cumprir, para que vivam e tomem posse da terra, que o Senhor, o Deus dos seus antepassados, dá a vocês. Nada acrescentem às palavras que eu lhes ordeno e delas nada retirem, mas obedeçam aos mandamentos do Senhor, o Deus de vocês, que eu lhes ordeno”. (Dt 4.1-2)

Esta passagem da Escritura, além de outras semelhantes, forma a base do ensino da Sola Scriptura – Só a Escritura – dos reformadores protestantes. Ou seja, nela aprendemos que somente a Bíblia é a autoridade final em todas as questões de fé e prática, reafirmando, assim, o primeiro tópico deste texto. Assim, o mandamento de Moisés, encontrado em Deuteronômio 4.2, é o Princípio Regulador divino em sentido mais amplo. A autoridade final para o homem e a marca d’água para a vida estão reveladas na Bíblia.

Sendo mais objetivo, toda prática que não é ordenada pela Escritura no culto é totalmente proibida e repudiada por Deus. Aquilo que a igreja adere ao culto deve, explicitamente, ser lógico e transparentemente deduzido Dele.

Na Antiga Dispensação, nenhum aspecto do culto ou da disciplina da Igreja de Deus foram confiados à sabedoria ou ponderação humana, todas as coisas foram prescritas objetivamente pela autoridade divina, e, sob a Nova Dispensação, nenhuma outra voz é ouvida na casa da fé a não ser a do Filho de Deus. O poder da igreja é apenas ministerial e informativo. Ela deve apenas manter a doutrina, fazer cumprir as leis e executar o governo outorgado por Cristo. Nada do que o Senhor estabeleceu deve ser adicionado ou subtraído por ela. A igreja não possui poder discricionário. O que hoje temos por Princípio Regulador do Culto não é algo criado por João Calvino, John Knox ou outros reformadores, mas é de um imperativo divino. É um aspecto crucial da lei divina.

E em consonância com o já exposto até aqui e para maior clareza será apresentado um quadro apresentando as ordenanças e as circunstâncias dos aspectos referentes ao culto público. 

Figura 1 Ordenanças referentes ao culto versus circunstâncias. Não se esqueça de analisar
as referências e conferir na Bíblia Sagrada. Fonte: [1].  

Concluo, então, este ponto, sublinhando que uma igreja saudável não é uma igreja perfeita, porém é uma igreja fundamentada na Escritura, instituída de forma legal e seu Supremo Juiz é a Bíblia Sagrada. E abalizando este pensamento está a Confissão Londrina de Fé Batista de 1689, no capítulo 26 parágrafo 3 que afirma:

 “As Igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro, e algumas tanto se degeneraram a ponto de tornarem-se não mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás; no entanto, Cristo sempre teve, e sempre terá, um reino neste mundo, até o fim deste, para aqueles que creem nEle, e fazem profissão de Seu nome.”

3. Uma igreja é uma comunidade na qual você deve exercer seus dons particulares

Neste terceiro e último tópico destaco algumas reflexões a respeito do conceito de igreja.  A igreja foi fundada por Jesus Cristo (cf Mt 16.18). Ele é a pedra, o fundamento sobre o qual a sua igreja está firmada.

A igreja é de um modo geral uma comunidade, um ajuntamento de pessoas uma assembleia solene. Jesus é o Sumo Sacerdote da igreja, Jesus é o Cabeça da igreja e a igreja é o seu corpo, Jesus é o Noivo da igreja e a igreja é a sua noiva ataviada e adornada. A igreja está debaixo do seu Governo! (1 Co 1. 2, At 11. 26, Rm 1.7, Ef 1.20-23). Vemos, então, que quando a Escritura se refere à igreja não é um anonimato, não é isolamento, não é individual ou geográfico; é um povo chamado, eleito, predestinado. Trata-se não de um indivíduo, mas de pessoas convocadas em reunião, um povo zeloso e de boas obras.

 “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia.” Hb 10.25

Em último lugar, busque em oração a Deus para que Ele lhe mostre uma igreja que zele pelo nome do seu Filho Jesus Cristo, visite uma igreja, mas não fique nela por se sentir bem, mas sim, por tal igreja mostrar-se zelosa em sua prática de acordo com a Bíblia Sagrada. Se ela crê nas doutrinas da graça e almeja continuamente uma reforma baseada na Bíblia já é um bom começo. No mais, converse com o pastor local e procure saber em que está a centralidade da igreja.


REFERÊNCIA

SCHWERTLEY, B. O Princípio Regulador do Culto. Disponível aqui.

Estudante de teologia, leitor e membro na Congregação Batista da Graça em Recife. Atualmente exerce a profissão de Técnico em Informática.

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