Por que não queremos ser homens?

Revisado por: Laísa Caroline

Não apoiamos algum tipo de pensamento que concorde com a ideologia de gênero, quando diz que as definições de gênero são construções sociais. Nossa abordagem não deseja questionar o fato de que homens nascem de fato homens. Porém, é perceptível que na sociedade moderna, o conceito de masculinidade foi amplamente distorcido, mas não somente isso. Não obstante, o mundo inteiro milita contra o exercício da masculinidade, graças a enorme propaganda midiática que vende a imagem de homens que pouco ou nada têm de másculos de fato; os próprios homens defendem com unhas e dentes o direito de esconderem-se embaixo da cama e fugir das demandas da vida que cobram deles uma postura firme.

As Escrituras demonstram qual é papel do homem. Analisando Gênesis 1 e 2, nós percebemos de forma muito clara as demandas desse papel. Em Gênesis 1, após o SENHOR ter criado todas as coisas inclusive o homem, uma constatação é feita: “E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda a erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez” (Gn 1.29-30).

Unindo esse texto ao texto do capítulo 2.15, onde o homem é instituído por Deus como sendo aquele responsável por cultivar e guardar, bem como ao capítulo 3.17-19 quando a sentença é lavrada condenando o homem a ter dificuldades no trabalho e no sustento de sua família, percebemos que a ele é dado a função de ser provedor de sua casa. A mulher que fora dada como sua auxiliadora, pode (sendo conveniente) ajuda-lo na tarefa, mas a Escritura Sagrada não deixa dúvidas de que, os cardos e abrolhos devem nascer nas mãos do homem. O homem/marido “[…] deve ser um provedor para sua esposa. Isso significa que deve alimentar e cuidar dela do mesmo modo como cuida de seu próprio corpo (Ef 5.29)”. Noutras palavras, as penas pelo trabalho e o peso das atividades diárias para sustentar a família devem estar sobre os ombros do homem.

Lendo e compreendendo o significado da palavra guardar no capitulo 2.15, como já citado, não somente a provisão é responsabilidade do homem, mas também a proteção. É obrigação do homem estar sempre a postos para proteger sua casa de quaisquer ameaças, pois sua casa é o lugar onde o SENHOR é reverenciado, assim como era o Éden, quando Deus vinha visitar Adão na viração do dia. Proteger e prover são as mais excelentes e imperativas responsabilidades do homem, e graças ao efeito do pecado, são as atribuições mais negligenciadas e distorcidas nesses últimos tempos.

Ao invés saírem para a batalha diária e lutar por seus lares através do labor de um bom dia de trabalho, muitos homens preferem se esconder embaixo de seus cobertores, gastando seu tempo na frente de um computador ou televisor em sucessivas partidas de um jogo de vídeo-game. Ao invés de almejarem os estudos que proporcionarão o crescimento de seus currículos, aumentando com isso a possibilidade de promover conforto e uma boa vida para suas esposas e filhos, muitos preferem gastar seu tempo em festas e divertimentos que não resultam em absolutamente nada. Entretanto, por mais que saibamos que existem homens que pensam e agem dessa forma, não é diretamente contra eles que escrevemos este artigo, mas para um tipo muito mais pernicioso: aqueles que sabem de tudo isso, mas ainda assim, travestindo uma capa de piedade e compreensão do papel masculino, defendem com unhas e dentes o direito de permanecerem agarrados à barra da saia de suas mães.

Há um pequeno e perceptível movimento de retomada à discussão sobre os papeis do homem e da mulher na perspectiva bíblica. Movimento que tem direcionado debates, tematizados palestras e encontros em todo o Brasil. Livros e mais livros são indicados como sendo bons materiais de pesquisa e aprendizado na área. Queremos deixar claro que isso é uma atitude louvável e devemos agradecer a Deus, pois em tempos como os nossos, quando o feminismo e o covardismo (termo cunhado neste artigo para descrever a atitudes dos homens que fogem às suas responsabilidades) tem influenciado os jovens, nunca foi tão imperativo aprender mais sobre o assunto. Contudo, pouca mudança é percebida nos homens quanto a conscientização de seus papéis.

O esforço em guiar seus lares/relacionamentos, o empenho em desenvolver a liderança em suas famílias/igrejas e demais ambientes demonstram que a masculinidade bíblica não é simplesmente uma questão de apreensão de um conceito, mas o exercício daquilo que se compreende quanto ao próprio evangelho. Antes de considerar isso um exagero, observe que o tratamento e a ótica do lar são exemplificados nas Escrituras pelo relacionamento do próprio Cristo para com sua noiva.

Em Efésios 5.25, a ordem paulina é clara quando compara o que o homem deve fazer para com sua esposa, com o que o próprio Cristo fez para com sua igreja. Um homem que se recusa a entregar-se em cuidado e sacrifício à sua esposa, não penas negligencia seu papel, como também se volta contra o princípio bíblico. Da mesma forma, não há apenas um atentado contra os valores das Escrituras, há uma agressão aos princípios estabelecidos por Deus para o funcionamento do lar, numa que na própria ordem da criação está contida a ideia de serviço e sacrifício, como visto em Gênesis 2.

Há uma tendência pecaminosa no coração do homem. Em Gênesis 3, quando deveria ter protegido o jardim da entrada de um estranho, Adão se mantêm silente diante daquela situação. O homem exime-se de seu papel, e o resultado de sua negligência e covardia é a própria queda da humanidade. A síndrome de Adão perdura até nossos dias, tendo em vista que o problema permanece o mesmo.

Homens que de alguma forma possuem uma compreensão (intelectual) do que é esperado deles, não tomam a inciativa de liderar as situações que lhes são expostas. Tomam sobre seus ombros o peso de guiarem seus lares, igrejas, relacionamentos e quaisquer outros ambientes onde exerçam liderança e, quando confrontados, assumem uma postura arrogante e recalcitrante recusando-se a reconhecer falhas. Homens que detêm grande conhecimento teológico, mas pouca prática piedosa. São esses mesmos que se enfeitam de termos que aparentam denotar enorme conhecimento do que seja o papel do homem, mas em suas vidas há um vazio enorme quanto ao exercício da verdadeira masculinidade bíblica.

É temeroso que tenhamos tantos homens preocupados em deter o conhecimento bíblico sobre seus papéis, mas poucos empenhados em agir de conformidade com isso. Nossas esposas precisam de homens que conheçam com profundidade a verdade bíblica, mas também que atuem em suas vidas de igual forma. Homens verdadeiramente crentes, e que a despeito de seus impulsos pecaminosos de covardia e abstenção, amam a Deus sobre todas as coisas e desejam honrá-lo cumprindo o chamado para o qual foram capacitados e designados.

Nossa exortação é que nos arrependamos como homens de nossa covardia e arrogância e cumpramos nosso dever de líderes e homens, agindo de conformidade com o que é esperado de nós, que sejamos verdadeiros embaixadores de Cristo em nossos lares, como bons filhos, bons namorados, bons maridos, bons funcionários, bons irmãos em Cristo, bons amigos, fazendo de nossa vida um contínuo testemunho do evangelho de Deus.

Cristo triunfa!

[1] WILSON, Douglas – Reformando o casamento – Recife-PE: Clire, 2013., p. 46.

22 anos, cristão, escritor, blogueiro. Estudante de teologia. Membro da Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo, Recife – Pernambuco.

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