Resenha: Nossa suficiência em Cristo (John MacArthur)

Revisado por: Vanessa Lima

Essa é uma resenha do livro “Nossa suficiência em Cristo: Três influências letais que minam a sua vida espiritual” de John MacArthur, publicado pela Editora Fiel e que pode ser encontrado clicando aqui.

 Argumento central do livro

John MacArthur argumenta que, diante do desconhecimento de muitos cristãos acerca da suficiência e plenitude encontradas em Cristo, tem sido gerada a crescente inclinação existente ao desfrutamento de métodos humanos em busca de plena satisfação. Influências agnósticas provenientes da psicologia, do pragmatismo e do misticismo têm desafiado o conhecimento da pessoa de Cristo e sua suficiência. Faz-se, por isso, necessário o retorno ao conhecimento de que a satisfação proveniente das Escrituras, da graça, da sabedoria de Deus e do próprio Deus são interrelacionadas e demonstram a incrível riqueza da vasta herança que possuímos em nosso Criador todo-suficiente para todos os aspectos de nossa vida.

 Pontos valiosos

O autor exprime a realidade da igreja de forma intrépida, apresentando uma visão crítica e equilibrada. O livro apresenta argumentação bíblica bastante plausível e pertinente e procura deixar o leitor ciente das sublimes riquezas provenientes da herança em Cristo, além de trazer apropriadas interpretações das Escrituras, preocupando-se em demonstrar muitas vezes textos traduzidos em sua língua original, para enriquecimento e devido embasamento do seu quadro argumentativo.
Também, nele, é encontrada uma problematização feita de maneira concisa e paulatina inserção de influências da psicologia, do pragmatismo e do misticismo que se apresentam emaranhados no meio ministerial, trazendo embasamentos concretos e verossímeis para a refutação de tais práticas no meio cristão.

Idéias principais

O livro ressalta a negligência da igreja em enxergar em Cristo sua suficiência, e, devido a isso, sua crescente inclinação em buscar métodos humanos em busca de completa satisfação; apresenta também como a integração da moderna teoria behaviorista na igreja tem criado uma atmosfera na qual o aconselhamento bíblico tradicional é visto como simples, ingênuo e até mesmo tolo, dando a ideia de que somente os especialistas em psicologia estão devidamente qualificados para ajudar pessoas com problemas espirituais e emocionais profundos; e expõe o atual abandono da pregação bíblica, o que pode justificar a inclinação da Igreja à métodos ilegítimos, abraçando técnicas e entretenimentos para que o Evangelho se torne “mais acessível” para o alcance de não-cristãos e atração dos próprios membros.

MacArthur se empenha em advertir contra os perigos do pragmatismo e, utilizando a argumentação bíblica, ressalta a suficiência das Escrituras para a atração de pessoas a Cristo; mostra como o misticismo irracional e anti-intelectual, que é a antítese da teologia cristã, tem se infiltrado na igreja; e expõe a supervalorização dos sentimentos individuais e a experiência pessoal, em detrimento da sã interpretação bíblica, trazendo fortes argumentações contra tal misticismo. Depois de expor os perigos da influência agnóstica no meio cristão, o autor discorre sobre os aspectos da graça e sua suficiência, trazendo soluções conceituais e práticas para um retorno genuíno às Escrituras.

Idéias para meditar

Há uma tácita compreensão, falsamente disseminada no meio da igreja contemporânea, quanto a ideia de que nossas riquezas em Cristo, incluindo as Escrituras, a oração, a habitação do Espírito Santo e todos os demais recursos espirituais que encontramos em Cristo  não são adequados para satisfazer as reais necessidades das pessoas. Porém em Cristo nós herdamos recursos espirituais suficientes para cada necessidade, para cada problema – tudo que conduz à vida e à piedade. Qualquer tentativa de busca por satisfação em outras fontes são como “privar-se do tesouro por causa do lixo”, como buscar cisternas rotas que não retém águas, em troca do manancial de águas vivas. A recusa de depender unicamente dos amplos recursos espirituais dos quais Deus nos dispõe, nos leva tão-somente ao fracasso e humilhação, a exemplo de Israel.
É inegável o fato de que hoje em dia muitas vezes o pecado tem recebido o nome de doença, de forma que as pessoas acham que precisam de terapia e não de arrependimento. Não há “trabalhador de alma” que possa elevar outra pessoa a um nível espiritual mais alto do que aquele em que Ele mesmo se encontra.
As Escrituras são suficientes no evangelismo. MacArthur traz a ideia de que a Bíblia é como um leão. Não precisamos defendê-la. Apenas devemos abrir a porta e deixá-la sair. Ela cuidará de si mesma. Se o coração do homem estiver aberto, a Bíblia pode fazer mais para atingi-lo do que podemos fazer com centenas de outros materiais de estudo. O que mais podemos dar a alguém, visto que nada é mais poderoso do que a própria Escritura?

Idéias para aplicar diariamente
  • Compreender que não existe tal suposição como o cristão incompleto ou deficiente. O divino poder de nosso Salvador já nos outorgou tudo relacionado à vida e à piedade (do recém-convertido ao avançado na fé).
  • Estudar formas de levar esse conhecimento aos cristãos em meu alcance.
  • Entender que muitas das dificuldades que enfrentamos simplesmente não serão resolvidas nesta vida, porque os propósitos dEle transcendem as situações temporais que enfrentamos. Por isso, não há sentido em sairmos por aí, impacientemente, à procura de alívio, dirigindo-nos a pessoas que oferecem “soluções” que ignoram tanto os objetivos quanto a escala de atividades de Deus.
  • Conscientizar-se de que a Escritura é tão poderosa e suficientemente abrangente que pode converter e transformar a pessoa toda, tornando-a em alguém precisamente como Deus quer que ela seja.
 Idéias para desenvolver no futuro

Sabendo acerca da contribuição da psicologia quanto às necessidades educacionais e comportamentais das pessoas, em específicos aspectos, como distinguir uma linha tão tênue entre seus riscos e benefícios ao cristão? Ainda sobre essa questão, quais seriam as medidas práticas que delimitariam o sua contribuição?

25 anos, membro da Igreja Presbiteriana da Aliança, Enfermeira Residente em UTI, Pós-graduanda em Aconselhamento Bíblico/SPN.

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