O que há de errado com as universidades brasileiras?

Muitos pais incentivam os filhos, desde cedo, a ingressarem na vida acadêmica, tendo em vista seu preparo profissional. Qual pai nunca sonhou com a educação de seus filhos e em vê-los bem formados? Isso, sem dúvida, é algo natural e justo. Mas, muitos não possuem qualquer noção do contexto real a que estão enviando os filhos que tanto cuidaram e protegeram. Desconhecem ao que os filhos adolescentes/jovens estão sendo expostos e depois não compreendem a mudança no comportamento deles. Também há muitos jovens estudantes que ao entrar na universidade enfrentam um choque de realidade, no qual se sentem ameaçados e reprimidos, tendo que aceitar o pensamento dominante.

A primeira coisa que gostaria de considerar é que tudo o que diz respeito à Palavra de Deus é mal visto, ou, porque não dizer, expulso do ambiente acadêmico. Você pode até pensar que não há nada demais, afinal a universidade é um lugar científico e não religioso. E nem eu quero afirmar que deve ser um lugar religioso. Mas, todo conceito de moralidade foi deturpado, pois decidiram viver como se não houvesse um Deus eterno, absoluto.

Existe um tal “pensamento crítico”, principalmente nas ciências humanas, que nunca pode ser criticado. Sim, estou falando do socialismo científico, ou marxismo, a “santa” teoria que consegue responder todas as questões da sociedade que você possa imaginar. Ironias à parte, essa teoria materialista que culpabiliza um sistema (capitalismo) pelo mal do mundo, entronizando o Estado comunista como o salvador e controlador da humanidade, tem desgraçado os nossos jovens, empurrando-os cada vez mais para perto do inferno. E não estou exagerando! Sei que há muitas pessoas que se dizem comunistas cristãs, tentando fazer uma conciliação que satisfaça suas próprias concepções. Mas, claramente há um desconhecimento de uma doutrina ou de outra. Inclusive, isso é tão óbvio que até Engels, revolucionário socialista, falou a respeito:

“Um de seus favoritos jargões é que, “Cristianismo é comunismo”, “le cristianismo c’est communisme”. Com isso eles tentam provar na Bíblia, o estado de comunismo no qual os primeiros Cristãos foram ditos ter vivido, etc. Mas tudo isso mostra apenas que essas pessoas boas não são os melhores Cristãos, embora eles se colocam como sendo; porque se eles fossem, eles conheceriam melhor a Bíblia, e descobririam que, se algumas poucas passagens da Bíblia talvez são favoráveis ao comunismo, mas o Espírito geral das doutrinas Bíblicas é, na verdade, totalmente oposto a ele, assim como cada medida racional.”[1]

Não é minha intenção expor sobre a teoria marxista neste texto, mas vou listar alguns aspectos que podemos observar no ambiente universitário, frutos desse pensamento de cunho marxista:

  • Pregam o ódio aos ricos e empresários, desejando uma ditadura comandada pelos “trabalhadores”;
  • ignoram o “não furtarás”, incentivando e tornando justa a invasão de propriedades privadas;
  • o certo e o errado são relativizados, os padrões desconstruídos, e o que deveria ser vergonhoso é motivo de orgulho;
  • não há real liberdade de pensamento/opinião;
  • reconhecem Cristo apenas como um revolucionário político e não como o Messias de suas almas;
  • engrandecem e honram personagens históricos responsáveis por genocídios;
  • odeiam o padrão familiar que Deus instituiu e a palavra “patriarcado” é ridicularizada;
  • incentivam a liberdade sexual, a libertinagem;
  • incentivam o ateísmo como pensamento racional e livre de opressões;
  • se enxergam como pessoas vítimas da sociedade, e todo sofrimento humano é por causa da opressão de um sistema, e não pelo pecado que está enraizado no coração do mundo.

Essas concepções, por incrível que pareça, permeiam em disciplinas das mais variadas: política, psicologia, economia, história, filosofia, etc; ou em eventos/palestras que a universidade promove; e até pelos próprios alunos que circulam pelo campus, espalhando todo ódio contra o Senhor que os criou. Então, não é de se espantar quando um jovem, de família cristã, muda radicalmente o visual e repete o mesmo discurso que ouve na universidade. Os jovens andam como zumbis, sem capacidade de pensar em mais nada diferente, pois só recebem o mesmo conteúdo doutrinário todos os dias. Além de que, a universidade se preocupa em encher as bibliotecas com livros de tendência marxista, e quase nenhum de oposição. Encontrar algo da Escola Austríaca, por exemplo, pensamento econômico que refuta a teoria marxista, é praticamente impossível. E se algum aluno for para um evento que não condiz com a doutrina hegemônica marxista, se prepare para correr o risco de ser agredido.

Isso não é novo, muito pelo contrário. E ao estudar um pouco a história do meu curso (Serviço Social) no contexto do regime militar brasileiro, pude observar que houve uma forte introdução do marxismo nas universidades de maneira geral. Enquanto os militares se preocupavam em combater os grupos de guerrilheiros que se levantaram naquela época, os comunistas ganhavam cada vez mais espaços nos ambientes acadêmicos. E assim, hoje colhemos os frutos amargos que começaram a plantar décadas atrás.

E agora?

Não quero desanimar os jovens cristãos com esse texto, nem fazê-los desistir, mas alertá-los que precisam estar bem armados espiritualmente para suportar as pressões acadêmicas. Estudar sobre os atributos de Deus, meditar nas Escrituras, comungar com os santos e descansar no Dia do Senhor trará forças para aguentar o dia-a-dia na faculdade. E tendo sempre em mente que o Senhor tem controle sobre todas as situações, e pode usar meios providenciais, como a vivência numa universidade, para que seus filhos sejam fortalecidos e moldados de acordo com sua vontade.

“Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” (Rm 5.2-4)

Também há grupos de estudos bíblicos que se reúnem nas universidades, e é essencial esses encontros semanais para nos fortalecermos e lembrarmos que não estamos sozinhos. A propósito, já escrevi sobre a importância desses grupos cristãos e da propagação do evangelho na universidade aqui

É importante lembrar que a oração deve estar sempre na nossa rotina. Muitas vezes me encontro cansada de tantos trabalhos inúteis do meu curso, sendo pressionada a virar atéia para ser reconhecida como boa profissional, tendo fortes crises de ansiedade, e a oração é o que me faz lançar todos esses problemas diante de Deus. O meu alívio sempre é saber que o Senhor me ouve.

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.” (Jo 5.14)

O que é mais importante?

Finalmente, quanto aos pais de jovens que irão entrar ou já estão na universidade, vocês têm suprido os seus filhos espiritualmente para lidar com as pressões acadêmicas e a serem capazes de influenciar outros nas sãs doutrinas? Muitas famílias cristãs têm errado ao superestimar o valor de um diploma na mão, esquecendo-se de que nada disso importa se não há temor ao Senhor. A Palavra de Deus tem sido um “pedaço” da vida de muitos lares, apenas um livro que se lê na igreja, e não como o padrão que vai estabelecer toda a conduta familiar e a base para educação dos filhos. E é justamente por essa questão que muitos adolescentes têm se perdido completamente ao não saber lidar com os novos ensinamentos do meio universitário. Não adianta sonhar com os filhos se tornando advogados ou arquitetos dessa forma, pois “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência” (Pv 9.10). Nem adianta pagar um bom cursinho pré-vestibular, se não há ensino doméstico da Escritura e muito menos um viver piedoso em que os filhos possam se espelhar. Logo, todo investimento que não é acompanhado da educação cristã, e não leva os filhos para mais perto de Cristo, é completamente vão, pois o Senhor é a sabedoria. Os pais que negligenciam isso, desobedecem à ordem de Deus quanto a educação dos filhos. E não pensem que é tarde demais. Preguem o evangelho aos seus filhos, exortem, disciplinem, orem constantemente, confiando que ao Senhor pertence a Salvação.

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.” (Dt 6.6-7)

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Pv 22.6)

Além das questões que pontuei sobre as más doutrinas encontradas na universidade, a vida acadêmica é algo completamente estressante e deprimente, que tem causado uma série de problemas psicológicos e emocionais em muitos alunos, independente do curso. Isso não pode ser deixado de lado pelos familiares, que precisam estar atentos em como lidar com esses problemas com sabedoria e graça.  E nem tão pouco pode ser ignorado pela igreja.  Pastores, cuidem de suas ovelhas, invistam em aconselhamento, preguem a palavra fielmente e isso surtirá efeito na vida dos jovens universitários de suas igrejas. Que o Senhor nos ajude e prepare uma geração de cristãos que viva de modo digno no ambiente universitário, suportando tudo pela graça e perseverando na fé. Amém!

Soli Deo gloria!


REFERÊNCIA

[1] Frederick Engels. Progress of Social Reform On the Continent. Disponível aqui.

Recifense, estudante de Serviço Social, porém, conservadora. Serve na Congregação Batista da Graça em Recife, amante de livros e principalmente das Escrituras Sagradas. Salva pela graça e para o louvor da glória de Deus.

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