Resenha – A Igreja Apostólica: que significa isto?

Revisado por: Laísa Caroline

Thomas Whiterow inicia o trabalho mostrando que eclesiologia não é questão sem importância. Normalmente, diz ele, ela é relegada ao grupo de questões periféricas e irrelevantes. Contudo, pensar assim é ser inconsistente com a fé cristã. Assim, toda a Escritura é proveitosa. Um ensino das Escrituras pode não ser essencial para a salvação e, no entanto, ser altamente importante para outro grande e gracioso propósito na economia de Deus – isso pode ser necessário para o nosso conforto pessoal, para nos direcionar na forma de viver a nossa vida, para nosso crescimento em santidade e, mais ainda, ser essencial para a totalidade do sistema da verdade divina.

Após definir o que se entende, no Novo Testamento, com a palavra “igreja”, ele segue fazendo uma simples e sucinta, embora não superficial, análise exegética de diversos textos no Novo Testamento em busca dos princípios expressamente declarados ou expressamente exemplificados que mostram a natureza do sistema de governo da Igreja Apostólica.

Ao todos, seis foram os princípios encontrados: (1) A eleição de oficias como direito da Igreja (cf. At 1.13-26; 14.23; 6.5-6); (2) Presbíteros e bispos dizem respeito ao mesmo ofício (cf. Tt 1.5-7; 1 Jo 1; 1 Pe 5.1; At 20.17-28); (3) A pluralidade de presbíteros (cf. At 14.23; 20.17; Fp 1.1); (4) A ordenação como direito exclusivo do presbitério (cf. 1 Tm 4.14; At 13.1-3; 6.6); (5) A autoridade permanente dos concílios superiores (At 15; 16.4); (6) Cristo é o único cabeça da Igreja – não um homem ou um chefe de Estado nem o próprio Estado (cf. Mc 12.17; 1 Pe 5.3; 2 Co 1.24; Gl 2.11; Ef 1.20-23; 5.23; Cl 1.18).

Após essa análise, ele coloca os três básicos sistemas de governo presentes, hoje, na Igreja contra os seis princípios – um por um. Ele chega às seguintes conclusões: Episcopal – “é inconsistente com a Palavra de Deus”, “é um sistema completamente humano; é, em todos os sentidos, uma invenção de homens”; Independente ou Congregacional – “embora o sistema de governo Independente seja mais próximo do padrão dos tempos primitivos do que as Igrejas de Roma e Episcopal, ele ainda não é o sistema apropriado para reivindicar o precedente da Igreja Apostólica”, “é mais defeituoso do que errôneo, precisando ter as suas deficiências corrigidas”; Presbiterial – “o sistema presbiteriano é, em termos de governo, a única Igreja Apostólica”, “de todas as Igrejas existentes no mundo, a Igreja Presbiteriana é a que mais se aproxima do modelo dos tempos apostólicos”, “a Forma Presbiteriana de Governo de Igreja está mais próxima da forma que existiu na Igreja Apostólica do que qualquer outra”.

Tendo em mente que “estamos muito longe de afirmar que alguma Igreja na terra seja em tudo um exemplo exato do modelo apresentado na época primitiva”, no tocante ao governo, não há outro mais bíblico. O próprio Whiterow iniciou sua pesquisa com dúvidas se o presbiterianismo era, de fato, o mais bíblico. Assim, leu os melhores defensores de cada sistema e depois foi na fonte derradeira de todas a questões de material religiosa (a Escritura). Terminou a pesquisa “completamente convicto”.

Esse é só um resumo para instigar à leitura do material completo, em todas as suas argumentações e análise de textos bíblicos. Embora ele pareça crer na ideia de uma “hermenêutica imparcial”, visão da qual discordamos, ela ganha compreensão quando seu raciocínio é: “veja, de maneira simples, em uma leitura simples, sem malabarismo, o sistema presbiteriano é o ensinado no Novo Testamento” – com o que nós concordamos. Livro recomendadíssimo! Todo presbiteriano deveria lê-lo – quanto mais seus oficiais.


REFERÊNCIA

WHITEROW, Thomas. A Igreja Apostólica: o que isso significa? Recife: Os Puritanos, 2005. p. 9.

Casado com Narah Vicente. Bacharel em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Bacharelando em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Norte (SPN). Pós-graduado em Teologia Pastoral pelo SPN. Especializando-se em pregação expositiva pela Organização Pregue a Palavra. Membros da Igreja Presbiteriana Marinas Praia Sul (Natal-RN) e, atualmente, congrega, como seminarista, na Igreja Presbiteriana da Aliança (Recife-PE). “Cristo é meu e eu sou dEle, por Sua Aliança” (Joseph Alleine).

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