Pecados não confessados

Revisado por: Laísa Caroline

Tudo o que você mais quer é fingir que não pecou. Você vai vivendo os próximos dias como se nada realmente tivesse acontecido. Acorda, retoma sua rotina diária, disfarça tão bem que até mesmo se esquece do que fez. Depois de certo tempo, tudo que sobra é um sentimento de solidão, de insatisfação consigo mesmo e com tudo mais a sua volta; nada parece te dar alegria, suas atividades parecem nem mesmo fazerem sentido.

Você já se sentiu dessa forma? Afinal, de que nos queixamos senão dos nossos próprios pecados? (Lm 3.39)

Sabemos que o pecado prejudica nosso relacionamento com Deus e também entristece o Seu Santo Espírito que habita em nós (Ef 4.30). Quando temos consciência do nosso pecado mas não queremos reconhecê-lo diante do Senhor, estamos em última instância vivendo como se Deus não existisse; isto é, deliberadamente incrédulos. Essa incredulidade nos traz duras consequências, tais como as citadas no início do texto. A CFB 1689, cap 17 §1 nos dirá que o pecado da incredulidade poderá obscurecer para nós a visão perceptível da luz e do amor de Deus. E, por isso, por vezes somos disciplinados e afligidos pelo Senhor a fim de sermos levados a buscarmos nele o perdão dos nossos pecados.

Por que não queremos confessar ao Senhor o nosso pecado?

O primeiro motivo pelo qual não gostamos de confessar nosso pecado é porque sabemos que não podemos praticá-lo, mas não estamos dispostos a abandoná-lo. Escolhemos ignorá-los na tentativa de, por um curto momento de tempo, esquecer que ele está ali, pronto para a próxima ocasião onde será exposto.

“Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 Jo 1.8-9)

Observemos que o apóstolo João está se referindo à alguém que mentirosamente fala para si mesma que está sem pecado, em contraste com a atitude de confessar (v. 9) está a atitude de negar o pecado (v. 8). Negar o pecado é o primeiro passo para não confessá-lo. Se negarmos que o pecado existe, logo ele não precisa ser mencionado, exposto ou confessado. Em Gn 3 nós vemos que essa foi a primeira atitude de Adão depois da queda; ele se vestiu e se escondeu como se o seu erro simplesmente não tivesse acontecido. Quando é interrogado por Deus por estar escondido (Gn 3.9), em vez de confessar “ah, Senhor, pequei contra ti e estou envergonhado”, ele oferece desculpas na tentativa de camuflar novamente sua transgressão dizendo que se vestiu porque estava nu – não admitindo o que foi o pecado que o fez perceber que estava nu e então se vestir (Gn 3.10).

Assim como Adão, nós sempre teremos desculpas para não confessar nossos pecados. Não queremos abandoná-los por achar que nada nos dará tanto prazer como um toque inapropriado, ou tanta aprovação como u m falar orgulhoso, nada nos dará tanto destaque quanto a ostentação dos bens, nada nos defenderá melhor como uma resposta grosseira ou nos dará segurança como o dinheiro ganho com mentiras. No fundo acreditamos que necessitamos tanto de tal pecado que abandoná-lo seria grande perca, a qual nem mesmo o Senhor poderia suprir. Em outras situações, ignoramos o alerta do Espírito Santo tão logo ele nos fala ou até mesmo procuramos justificativas bíblicas que facilitem a aceitação do erro de tão grande que é nossa perversidade.

Por que devemos confessar ao Senhor o nosso pecado?

Sobretudo, devemos fazê-lo porque somos ordenados a isso (Pv 28.13). Ele deu seu filho em favor de nós para que não mais fôssemos dominados e escravizados pelas nossos desejos carnais e malignos.

“Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.” (1 Jo 4.10)

Se somos filhos amados de Deus, não permaneceremos ignorando o sacrifício de Cristo em nosso favor. Além disso, o Senhor amorosamente promete conceder misericórdia àqueles que se chegam a ele arrependidos.

“Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.” (Pv 28.13)

O Salmista Davi nos deixou o seu testemunho sobre a Sua Bondade:

“Enquanto escondi os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer… Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: “Confessarei as minhas transgressões ao Senhor”, e tu perdoaste a culpa do meu pecado… Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados!” (Sl 32.3,5,1)

E o apóstolo João nos encoraja ressaltando os atributos de Deus:

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 Jo 1.9)

Para nós este é um grande alívio! Como é prazeroso saber que o nosso Deus e Criador promete nos perdoar e nos purificar se confessarmos o nosso pecado à ele. Que tranquilizante saber que ele é Fiel e Justo para não voltar atrás dessa promessa de perdão que ele nos deixou. Essa é a nossa motivação em confessar as nossas falhas ao Bom Pastor dos nossos corações.

Como alcançar o perdão de Deus?

A palavra de Deus nos ensina o que o arrependimento sincero é a chave para o perdão (Sl 51.16-17) e o arrependimento consiste em: confessar o pecado e abandoná-lo. Não é suficiente chegarmos à Deus com orações vagas, como é costume de muitos, pedindo apenas “perdão pelos pecados” de forma generalizada, como se tudo o que Deus tivesse esperando fosse um pedido de desculpas. Somos ensinados a confessar o nosso erro e existe um motivo para que seja assim. Confissão envolve humilhação; quando contamos a Deus o nosso pecado sendo sinceros com Ele, admitindo nossa fraqueza, onde e como erramos e como afrontamos à sua santidade praticando tal coisa, nós nos expomos. Nós estamos despidos diante dele, sem pretensões, sem grandeza alguma, apenas pó como ele nos fez. Não devemos chegar ao Senhor apenas pedindo desculpas como se o perdão fosse um presente tirado de uma sacola depois de uma palavra mágica. Nós precisamos dizer o motivo pelo qual necessitamos ser perdoados, precisamos falar como somos carentes da sua misericórdia e isso não para que Ele saiba – pois ele sabe antes mesmo de sair da nossa boca, conhece a nossa estrutura e que somos pó (Sl 103.14) – mas para que nós mesmos lembremos o quão dependentes somos Dele e isso nos quebrante e nos humilhe.

E então, o primeiro ponto do arrependimento (confissão) nos ajuda a buscarmos com mais forças o segundo ponto (abandono do pecado). Nós falamos para Deus tudo a respeito do nosso odioso pecado e por ter citado cada motivo pelo qual ele é abominável ao Senhor e confronta Sua Santidade é que nós não queremos continuar a praticá-lo. Não queremos nos humilhar diante de Deus dizendo as mesmas coisas que já dissemos. E por mais que por fraqueza nossa, caiamos de novo e de novo no mesmo pecado, cada vez que confessarmos teremos mais certeza do quanto o aborrecemos e buscaremos com mais força não ceder novamente a ele.

“Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade.” (Ef 4.22-24)

Ao admitirmos a Deus nossas falhas, estamos nos despindo do velho homem (à semelhança de Adão), mas não paramos por aí: a Bíblia nos instrui a renovar o nosso modo de pensar e se revestir do novo homem. Todo pecado que cometemos é fruto dos pensamentos dos nossos corações (Tg 1.14-15 e Mt 15.19), se queremos vencer o pecado, precisamos mudar a nossa forma de pensar. Pensar nas coisas do alto (Cl 3.2), pensar em tudo que é bom (Fp 4.8), fixar nosso pensamento em Cristo (Hb 3.1) e finalmente levar nossos pensamentos cativos à obediência a Cristo (2 Co 10.5).

A maneira como pensamos a respeito das coisas ao nosso redor determinará a maneira como lidaremos com elas, precisamos exercitar a nossa mente a observar tudo por uma perspectiva bíblica, para que sejamos guiados através da Santa Palavra pelo Espírito de Deus a encarar todos os desafios espirituais que nos cercam, desta forma estaremos nos revestindo do novo homem, sendo aperfeiçoados à semelhança de Cristo.

Finalizo encorajando os irmãos que têm se sentido fracos ou desanimados na fé a analisarem quais pecados podem estar ignorando e buscarem em Deus o perdão, confessando-o sua falta com quebrantamento, renovando suas mentes com a palavra do Senhor para que, revestidos do novo homem possam abandonar o pecado de forma a glorificar ao Senhor e Salvador de nossas almas, o qual desejamos agradar e prestar obediência com inteireza de coração. E os incentivo à leitura do Salmo 51, no qual Davi confessa ao Senhor seu pecado de adultério com Bate-Seba. Que nosso Deus e Pai vos restitua a alegria da salvação. Amém.

Salmo de Davi:

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões.
Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado.
Pois eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue.
Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me.
Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe.
Sei que desejas a verdade no íntimo; e no coração me ensinas a sabedoria.
Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e mais branco do que a neve serei.
Faze-me ouvir de novo júbilo e alegria; e os ossos que esmagaste exultarão.
Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades.
Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável.
Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito.
Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.” (Sl 51.1-12)

23 anos, casada, membro na Congregação  Batista da Graça em Recife; amante da boa teologia. Meu coração deseja a eternidade, Cristo em mim é a esperança da Glória.

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