Resenha do livro “Todo mundo pensa, você também”

Revisão: Nathália Soares

Este texto é uma resenha do livro “Todo mundo pensa, você também” de Wadislau Martins Gomes, publicado pela Editora Monergismo.

1. Argumento central

O autor trata sobre a centralidade e referência de tudo o quanto existe, seja bom, ou seja mau. A natureza criada por Deus, dotada de inteligência e discernimento, passou à queda, assim como o homem: criado para ser um teorreferente. Num mundo onde predomina a estultícia do coração do homem, há uma inversão referencial, evidenciada por sua atitude de ver todas as coisas a partir de seu próprio ponto de vista “dentro da casca do ovo” (o que é bastante perceptível na cosmovisão exposta através dos pensamentos de grandes nomes como Platão, Aristóteles, Darwin, Nietzsche). O autor tenta trazer-nos a ideia de que, a despeito disso, Deus nos torna receptivamente criativos e ativamente redentivos. Ele nos fez seres análogos a Deus (imagem de Deus), pactuais e dialogais. O verdadeiro conhecimento “é obtido mediante a revelação do Criador, o controlador da verdade, presente em amor e com soberana autoridade sobre suas obras cujo resultado é a atuação do homem no mundo, segundo o pacto divino, como profeta da verdade, sacerdote do amor e rei sobre as obras de Deus.”

2. Pontos valiosos  

1- O autor alerta sobre o perigo da falta de um referencial infinito e eterno;
2- exibe a visão de grandes pensadores e as disseca mediante um olhar bíblico;
3- traz, por todo o livro, reflexivos argumentos apologéticos, rebatendo pensamentos de grandes filósofo à luz da Bíblia.
4- É visível sua preocupação em discorrer acerca do Evangelho em todo o livro, de forma racional.
5- O autor também nos instiga a ler mais acerca das filosofias, bem como nos empenharmos a pensar melhor e exercitarmos nossa capacidade de sermos receptivamente criativos e ativamente redentivos, porém também nos alerta a nos mantermos atentos acerca da nossa capacidade de nos estribarmos de nosso próprio entendimento.

3. Ideias principais

1 – Deus é não apenas central, mas o único referencial para tudo. Seja em direção a Ele ou contra Ele, tudo e todos fazem referência a Ele.
2- Somos seres criados análogos a Deus (imagem de Deus), pactuais e dialogais. Em contrapartida, trata da rebelião, reversão e inversão do homem.
3- Ter uma cosmovisão cristã é importante para se pensar “fora da casca do ovo”. Toda outra cosmovisão vem de “dentro da casca do ovo”, dentro das trevas.
4- Há uma necessidade de se buscar conhecer a Deus da maneira como ele quer ser conhecido, sendo por Ele conhecidos. Isso nos levará a descoberta de nós mesmos, do outro e do mundo. 

4. Ideias para desenvolver no futuro

Estudar sobre os pensamentos dos filósofos citados, a fim de aprofundamento no conteúdo – sempre os trazendo à perspectiva bíblica.

5. Ideias para meditar 

1-  “Uma coisa não é essa coisa e outra coisa no mesmo lugar, ao mesmo tempo e no mesmo sentido.”
2- “A glória de Deus incide em tudo quanto Ele criou, tanto nas coisas criadas quanto nos sentidos da criatura humana, permitindo a visão das coisas.”
3- “O ser humano foi criado para experimentar a vida nos dois lados da mesma realidade: ‘do pó da terra’ para experimentar a própria natureza derivada da natureza de Deus, e do ‘sopro’ de Deus, para experimentar a natureza do Criador.
4- A estultícia está no coração de todo homem. Consiste em “uma recusa natural decaída para aprender a verdade, uma disposição para aprender errado o que está certo; uma visão autorreferente em oposição ao teorreferente.”
5- Compreender que nada é neutro. “Nenhuma fala vem sozinha, no vácuo, mas revela o caráter de quem fala.”
6- “O mal não tem existência em si mesmo, mas é o bem quebrado”: dialética.
7- “Deus é bom, o único bem, e qualquer coisa que não seja Deus terá de ser, por natureza, menos do que bem, passível de ser mau.”

6. Ideias para aplicar diariamente 

1- “Somos criados receptivamente criativos e ativamente redentivos”. Recebemos de Deus todos os recursos necessários para, criativamente, interagirmos com todas as suas obras, e devemos atuar nisso de forma redentiva: corrigirmos a nossa cultura, trazendo-a de volta à Palavra.
2- “Seremos sábios se nossa cosmovisão compreender a unidade e a diversidade aí fora.” Se focarmos ora a totalidade, ora os particulares, sem encontrar as conexões necessárias, tendermos 
a confundir as coisas, arriscando-se perder o sentido da realidade.
3- “Separado da teorreferência, restará somente o referencial do meu competidor diante do qual tenho de demonstrar superioridade.”.
4- Colocar em prática as instruções do autor sobre como pensar bem, biblicamente: devemos pensar após os pensamentos de Deus; em referência a Deus; baseado na graça de Deus, mediante a fé; em termos da sabedoria de Deus; levando sua mente cativa a Jesus; conhecendo a Palavra de Deus; amando ao Senhor, temendo se opor à sua Palavra; pensando em termos de categorias bíblicas de pensamento: criação, queda e redenção; considerando o grande quadro da unidade e da diversidade da criação de Deus – as quais ainda assim não o podem explicá-lO totalmente; e, por fim, pensando tal verdade em amor.

25 anos, membro da Igreja Presbiteriana da Aliança, Enfermeira Residente em UTI, Pós-graduanda em Aconselhamento Bíblico/SPN.

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