Contentamento material

Revisado por: Nathália Soares

A Bíblia nos instrui a sermos contentes seja qual for a nossa situação; essa instrução é feita
sobretudo por causa da inclinação do nosso coração ao descontentamento.
Por causa do pecado, a nossa inclinação natural é estarmos insatisfeitos, há um sentimento
cobiçoso que nos leva a achar que merecemos um pouco mais além do que Deus tem nos
dado.
A palavra do Senhor exige o contentamento de todo homem,seja rico ou pobre. Apesar de
geralmente relacionarmos a necessidade de contentamento apenas para os que têm pouco,
a vontade de Deus é que aquele que tem muito também viva de acordo com esta verdade.
Charles Spurgeon uma vez disse que “o contentamento do homem com o que tem está em
sua mente e não em suas posses”[1] , isto é bem verdade quando olhamos com atenção
para a declaração do Apóstolo Paulo:
“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi a viver contente em toda
e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando
necessidade.” (Fp 4.12 )
Viver contente com muito ou com pouco.
É tão verdade que há pobres descontentes quanto que há ricos descontentes. Este é um
grande ensinamento, tendo em vista que somos tendenciosos a enxergar a riqueza como
sinal de satisfação. É por isso que a Palavra de Deus nos ensina que o contentamento é
fruto de um coração agradecido e dependente.
“Sei o que é passar necessidade…”, disse o Apóstolo. O contentamento na necessidade é a
alegria de depender do Senhor.
“…por isso, tendo o que comer e com que nos vestir, estejamos com isso satisfeitos. Os
que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos
descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição,
pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o
dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos.” (1
Tm 6.8-10)
Na necessidade, devemos nos alegrar na provisão e na providência do Senhor, não
atentando para o que não podemos ter, mas para o que o Senhor já tem nos dado.
Paulo também disse “sei o que é ter fartura…”. Poucos homens sabem ter fartura. A Bíblia
por diversas vezes nos alerta a respeito da sedução do dinheiro (Mt 6.24, 1Tm 6.10). Há
aqueles que na abundância passaram a amar o dinheiro, de forma que nunca estão
contentes com o que têm, querem sempre mais.
“De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para
este mundo e dele nada podemos levar;” (1Tm 6.6-7)
A chave do contentamento material é entender que nossa satisfação deve estar além do
que possuímos, seja pouco, seja muito.

O contentamento deve ser aprendido.

O Ap. Paulo diz “aprendi a viver contente…”. Somos naturalmente ingratos, incapazes de
enxergar a bondade do Senhor para conosco, murmuradores – como o Ap. Judas descreve a
postura dos ímpios: “vivem se queixando, descontentes com a sua sorte”[2]. E porque a
gratidão não faz parte da nossa natureza, precisamos aprender o contentamento.
“…exercite-se na piedade.” (1 Tm 4.7b)
Assim como toda virtude, o contentamento deve ser exercitado. A Bíblia nos ensina que nos
tornamos aptos e fortes espiritualmente através dos exercícios espirituais; ela chama de
adultos (maduros na fé) aqueles que “pelo exercício constante, tornaram-se aptos para
discernir tanto o bem quanto o mal.”. [3]
Devemos nos exercitar no contentamento até aprendermos a estar contentes em toda e
qualquer situação, tal como o Ap. Paulo. O ponto de partida é o entendimento de que não
merecemos nada, tudo é bondade de um Deus que sabe tudo o que precisamos; “sabe tudo
o que precisamos” não significa apenas que ele conhece todas as nossas necessidades,
mas sim, o que precisamos para nos tornar exatamente o que ele planejou que nos
tornássemos. O Senhor tem nos dado de acordo com o que ele sabe que devemos ter, nada a
mais e nada a menos. Deus é justo e nunca nos nega nada que precisamos para viver
contente diante Dele. Portanto, a forma de nos exercitar no contentamento é rendendo ações
de graças.
“Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em
Cristo Jesus”. (1 Ts 5.18)

[1] Charles Spurgeon, Sermão nº320 ‘Aprendi a estar contente’.
[2] Judas 1:16a
[3] Hebreus 5:14

23 anos, casada, membro na Congregação  Batista da Graça em Recife; amante da boa teologia. Meu coração deseja a eternidade, Cristo em mim é a esperança da Glória.

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