4 motivos para não tirar seus filhos do culto público

Revisado por: Vanessa Lima

De forma breve, quero expor algumas razões para que os filhos permaneçam com seus pais no culto, ao invés de serem levados a uma sala com dezenas de outras crianças e algumas professoras que contam histórias infantis e as divertem. Sei que a “salinha” faz parte da realidade de muitas (ou quase todas) as igrejas do Brasil, e eu mesma já fui professora de crianças e coordenadora de ministério infantil há muitos anos. Não tenho filhos ainda, porém ouso me direcionar aos pais, incentivando-os a não desistirem de seus filhos quando chorarem na hora do culto ou incomodarem de alguma forma. Levar os filhos ao “culto infantil” pode parecer mais fácil de resolver o problema da inquietação no culto público, mas permanecer com eles no culto, apesar de ser mais difícil no início, fortalece a família. Vamos aos motivos:

1. Os pais devem ensinar a criança no caminho em que deve andar

“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Pv 22.6

A educação de uma criança envolve muitos aspectos, e aqueles que são pais cristãos irão basear todo o ensino à luz dos princípios bíblicos, preocupando-se com que a criança ame ao Senhor. Não há como saber se os filhos são realmente eleitos do Senhor, mas os pais são ordenados ao compromisso de ensinar aos filhos uma vida que glorifique a Deus, encucando-os a Escritura.

“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” Dt 6.4-9

 Nesse sentido, os pais devem ensinar aos filhos a importância do culto público e todos os seus elementos, inclusive, e principalmente, a pregação da Palavra. Esse é o momento que deve ser profundamente esperado pela igreja. Quando nós vamos nos reunir em igreja para prestar um culto, ficamos desejosos (ou deveríamos) por ouvir o que Deus tem a falar ao povo. Infelizmente, é comum algumas igrejas realizarem atividades separadas para as crianças exatamente instantes antes de começar a pregação. As crianças participam do louvor, das orações, etc., mas são privadas de ouvir a mensagem de Deus, que Ele preparou desde a eternidade. Ou então, são privadas de todo o culto. Os pais precisam ensinar às crianças que valorizem a pregação como o ponto mais elevado do culto, e que entendam também sobre a vocação do ministro, que é usado por Deus para expor a Escritura. Não faz sentido algum ensinar tais coisas em casa (se é que ensinam), mas não permitir que as crianças vejam na prática.

Algo fundamental que contribui para esse ensino é o culto doméstico ou familiar, que, por mais difícil que possa ser quando se trata de crianças pequenas e de uma rotina corrida da modernidade, é uma boa forma de educar os filhos sobre o ensino da Bíblia e como se comportar no culto de forma reverente. Aos poucos e com muita paciência, pelo que tenho testemunhado em muitas famílias cristãs, os resultados vão surgindo. Essa prática, além de tratar os pequenos corações e proporcionar união na família, serve como um treinamento para o momento da santa convocação, em que a igreja estará reunida no domingo.

Sabemos que os pais prestarão contas a Deus a respeito de sua responsabilidade com seus filhos. E dos pais cristãos, a quem muito foi dado, isto é, que são participantes da graça, muito será exigido. (“De todo aquele a quem muito é dado, muito será requerido; e daquele a quem muito é confiado, mais ainda lhe será exigido.” Lc 12.48)

2. O “culto infantil” ou “cultinho” não é um culto, e nem Deus ordenou que se fizesse.

“Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moisés ordenara, que Josué não lesse perante toda a congregação de Israel, e as mulheres, e os meninos, e os estrangeiros, que andavam no meio deles.” Js 8.35

Essa é uma questão que devemos deixar bem clara. Se observarmos na Escritura, vemos que todo o povo de Israel era chamado para se reunir e adorar a Deus: famílias inteiras, jovens, crianças, idosos e solteiros (Êx 10.8-9/ Jl 2.15-16). Todos cantavam os salmos, faziam orações e, claro, ouviam a lei de Deus. Semelhantemente é assim que funciona na igreja da Nova Aliança, e os filhos não devem prestar um culto separado de todo o povo, de forma paralela. Quando há essa separação, não podemos considerar o “culto infantil”, pois não consta todo o povo.

Como falei anteriormente, um culto ao Senhor é composto de vários elementos que Deus estipulou (oração, cântico, exortação mútua, dízimos e ofertas, ceia do Senhor, batismo, pregação da Escritura). É óbvio que o “culto infantil” também não abrange esses elementos, servindo, na verdade, como uma forma de entretenimento para as crianças, com muitas músicas divertidas, histórias contadas de forma muito eufêmica, atividades para colorir, brincadeiras e lanchinhos. Que espécie de culto é esse? As crianças estão colorindo o jardim do Éden, enquanto poderiam estar com seus pais, ouvindo sobre a doutrina da Queda e da Depravação Total por meio da pregação no culto público. Sem falar no despreparo teológico vergonhoso de muitos professores de crianças, que acabam fazendo um desserviço às famílias. Um culto bíblico, assim, deve ter a presença de oficiais consagrados para a difícil tarefa do ensino.

Além do mais, se você for de uma igreja de tradição reformada que adota o Princípio Regulador do Culto, precisa desconsiderar o “culto infantil”, tendo em vista que ele não foi ordenado em nenhuma parte da Escritura e, muito menos, o vemos sendo realizado.

3. A criança pode sim absorver a mensagem pregada

 O argumento de que o “culto infantil” é válido com base na ideia de que a criança precisa de algo mais didático e apropriado para a sua compreensão, não se sustenta. Primeiro, quando as crianças são muito pequenas, elas não irão entender muita coisa do que se acontece em qualquer ambiente. Isto é, se estiverem no “culto infantil” também não entenderão muita coisa do que ensinarem. Se elas estiverem constantemente com os pais, com certeza irão aprender sobre comportamento no culto e liturgia, coisa que não aprenderiam nunca numa salinha separada e cheia de crianças. Já presenciei uma criança de menos de dois anos imitando um regente de música enquanto ouvia um salmo, coisa que aprendeu observando o culto (mesmo dormindo em muitos momentos) e tendo vivência num lar cristão.

As crianças um pouco maiores podem também não captar a mensagem do culto completamente (aliás, até os adultos passam por momentos de distrações), mas elas possuem uma percepção melhor que as crianças menores, e são capazes de aprender e sugar as informações. Permitir que as crianças permaneçam no culto público é uma forma de estimular essa capacidade a cada domingo. Temos exemplos de crianças que chegam em casa e comentam ou perguntam aos pais sobre algo que ouviram na pregação, ou brincam de imitar algumas características do culto. Será mesmo que não entendem?

Para ajudar na concentração das crianças e interesse no culto, há atividades que estimulam os pequenos a anotar o que ouviram na pregação (você pode ver um exemplo de atividade aqui). Como também a conversa em família no decorrer da semana sobre o culto, prepara o coração das crianças e dos demais membros da família para o culto solene. Sei que por muitos e muitos domingos a criança pode ficar agitada, ou dormir durante toda a pregação, ou chorar em alguns momentos e até precisar ser disciplinada, mas se trata de um processo de aprendizado. O cristão deve confiar na vontade do Senhor nesse sentido, perseverando e reconhecendo que é Ele quem sabe o melhor para a sua família e não as ideias modernas de educação de filhos.

4. A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus

Certa vez, uma criança da minha igreja falou que sabe o porquê dela permanecer no culto com os adultos: “porque a fé vem pelo ouvir”. Ela estava referenciando brilhantemente Romanos 10.17. De fato, a pregação do Evangelho é a forma providencial que Deus estabeleceu para que creiamos nele, para que Deus realize em nosso coração a sua obra restauradora, chamando-nos eficazmente. Se queremos que ímpios, que nem conhecemos, escutem o evangelho para se arrependerem de seus pecados, quanto mais os nossos filhos! Não prive seu filho de tal privilégio!

Por fim, algo que tenho aprendido na igreja na qual faço parte, é que os pastores, por sua vez, devem se preparar para pregar de tal forma que até uma simples criança entenda. Uma boa exposição da palavra não quer dizer que precise de palavras difíceis, mas de uma explicação fiel do texto sagrado, fazendo com que o Espírito alcance os corações de jovens, adultos, crianças e idosos.

“aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” 1 Co 1.21b

Soli Deo gloria!

Recifense, estudante de Serviço Social, porém, conservadora. Serve na Congregação Batista da Graça em Recife, amante de livros e principalmente das Escrituras Sagradas. Salva pela graça e para o louvor da glória de Deus.

Deixe uma resposta