Lidando com pessoas difíceis

Todos nós já tivemos uma oportunidade de precisar lidar com alguém que chamaríamos de “difícil”. Se não ainda, o dia certamente chegará. Por dizer “pessoa difícil” não me refiro a alguém que traz consigo problemas emocionais e psicológicos que as impedem de socializar bem com outros, mas falo de alguém com quem você tem dificuldade em lidar, mesmo que muita gente lide bem; é aquela pessoa que “não é fácil de engolir”.
 Pode ser um parente próximo, o cônjuge ou um irmão da igreja, o fato é que, na maioria das vezes, temos um relacionamento constante e próximo com este alguém. A pessoa árdua de lidar é como um calo no sapato; ela nos deixa desconfortáveis, nos irrita, nos perturba, mas além de tudo, nos ensina.

O pecado prejudicou os nossos relacionamentos

É necessário lembrar que, depois da queda, nossos relacionamentos nunca mais foram os mesmos. Passamos a invejar, cobiçar, odiar, maldizer… Adão e Eva tinham um relacionamento perfeito com Deus e entre si mesmos (Gn 2.18, 21-25), até que veio o pecado, e Eva, que antes era amada aos olhos de Adão, passou agora a ser objeto de aborrecimento para este (Gn 3.12). Agora, eles deveriam se voltar para Deus buscando por perdão e, então, buscar conselhos para o reajuste de seu relacionamento. Da mesma forma, nós precisamos entender que vemos as coisas a nossa volta muitas vezes com olhos carnais, sendo influenciados pelo nosso próprio pecado. Temos dificuldades em nos relacionarmos com algumas pessoas por não estarmos julgando pela reta justiça, como Cristo ensinou (Jo 7.24). Não queremos ceder, não queremos suportar o outro; nosso coração egoísta quer um relacionamento confortável e agradável, nem sequer se passa pela nossa mente que podemos também ser uma pessoa difícil para alguém. Devemos lembrar que não somos perfeitos e não somos o ideal de pessoa fácil de lidar. Muitas vezes custamos a nos relacionarmos bem com alguém porque estamos comparando-o a nós mesmos, como se nós fôssemos o padrão de alguém bom para se relacionar quando, na verdade, não o somos.

O propósito de Deus em nos enviar pessoas difíceis

Se nos perguntarmos o motivo pelo qual esta pessoa nos incomoda tanto, provavelmente encontraremos um defeito que justifique nossa dificuldade em nos relacionarmos com ela. Mas, se olharmos atentamente, veremos junto a este defeito do outro a virtude que nos falta. Ninguém está em vão no nosso rol de relacionamentos; Deus está trabalhando em nós, ele está nos moldando até que cheguemos à estatura de Cristo (Rm 8.29); Ele nos trata por meio daqueles que custamos a amar. Se facilmente nos irritamos com alguém, o Senhor quer que cresçamos em paciência; se perdemos o controle no desenvolver da conversa, o Senhor quer que cresçamos em domínio próprio; se guardamos mágoa por algo que ouvimos, o Senhor quer que aprendamos a ser mais perdoadores. A verdade é que tendemos a culpar o próximo pelas virtudes que nos faltam, mas por meio das pessoas difíceis Deus nos leva a desenvolver os frutos da nossa salvação. Aprendemos a renunciar, a ser mansos e pacíficos, a suportar as fraquezas do outro e lembrar que também éramos detestáveis a Deus, e que, se recebemos dele não só o perdão, mas também a graça e a misericórdia, devemos fazer o mesmo para com outros.

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Co 13.4-7)

Lidando de forma bíblica com a pessoa difícil


Em termos gerais, consideramos esse alguém como inimigo (oposto de amigo). A Bíblia nos ensina o amor prático àquele que não é objeto dos nossos melhores afetos (Mt 5.44). É necessário se esforçar para praticar o amor para com aqueles que nos são árduos em oração, em serviço e em bendição.  

1- Devemos orar incessantemente por este, pedindo ao Senhor que nos ajude a desenvolver a virtude necessária para lidar com aquela determinada falta que observamos – façamos isso, porém, sem confessar pecados alheios, pois confessar o pecado do próximo em oração é maledicência – e orando também por bençãos espirituais para esta pessoa, seja salvação, crescimento espiritual ou entendimento da Palavra. Orar por alguém é uma das maiores formas de amar.
 “Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus.” (Mateus 5.44-45a)

2- Devemos servir esta pessoa sempre que possível. A consciência de que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores (Rm 5.8) deve nos motivar a nos sacrificarmos pelo mais desprezível dos homem aos nossos olhos. Não é por merecimento, mas pelo entendimento de que nós também não merecíamos tudo que nos foi dado. A Bíblia ordena que sirvamos até mesmo nossos inimigos.
“Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos […]”; “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber…”” (Rm 12.17b, 18 e 20a)

3- Devemos praticar o ato da bendição. Infelizmente, somos velozes para falar do outro, principalmente quando é uma pessoa difícil para nós. Não nos falta palavras para descrever seus defeitos e faltas, entretanto a Bíblia nos exorta a bendizermos uns aos outros (Tg 3.9-10). É importante nos esforçarmos para enxergar as qualidades daqueles que nos aborrecem a fim de que tenhamos sempre uma característica boa dessa pessoa em mente quando formos tentados a maldizer.
“Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem-nos, não os amaldiçoem.” (Rm 12.14)


Podemos enxergar a bondade de Deus em nos enviar pessoas difíceis para nosso crescimento espiritual e amadurecimento na fé. Por meio desses relacionamentos árduos, é possível perceber o cuidado do Senhor em transformar nosso caráter dia após dia até que cheguemos à imagem de Cristo, o filho perfeito. Que Deus nos ajude! Soli Deo Gloria.

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