Ansiedade: uma triste consequência da incredulidade

Há quem afirme que a ansiedade é o mal do século. Wagner Gabi, em seu livro “As doenças do século” publicado em 2008, afirma que essa situação é tão antiga como a natureza humana. Há quem classifique a ansiedade como doença, afirmando que tem causas orgânicas, mas o objetivo deste texto é trata-la biblicamente, como uma questão do coração.

Além do livro acima citado, outros dois serviram de inspiração: “Pecados intocáveis”, de Jerry Bridges, publicado em 2012 e “Pecados e pecadinhos: arranque as ervas daninhas do jardim da fé”, de Russell P. Shedd, publicado em 2015.

“Pecados intocáveis” traz um enfoque nos pecados sutis, aqueles socialmente aceitos e que nem sempre são reconhecidos como pecados, mas eles infringem a lei de Deus. Quando não há noção de que a impaciência, ingratidão, amargura, por exemplo, são pecados, mostra um desprezo à lei de Deus, que é a mesma coisa de desprezar Deus. O autor considera a impiedade como sendo o fator base para os demais pecados e define impiedade como viver a vida tendo Deus como um ser irrelevante no dia a dia. Viver sem pensar em Deus, ou pensar em poucas ocasiões; viver de forma independente.

“Pecados e pecadinhos”, diz que práticas e atitudes pecaminosas originam-se na incredulidade. Em cada capítulo explica pecados, muitos dos quais aceitos socialmente no meio cristão, que acontecem simplesmente por falta de fé em Deus e na Sua Palavra. Um desses é a ansiedade.

Nós, o povo de Deus, não somos mais escravos do pecado. Deus é o nosso Deus, Ele nos tirou dessa servidão (parafraseando Êxodo 20.3). Mas, em algum momento da vida, nós estamos sujeitos a sermos tomados pela falta de fé, sujeitos a termos atitudes semelhantes às dos ímpios.

Jerry Bridges fez uma pesquisa no Novo testamento sobre situações em que os variados aspectos do caráter cristão foram instruídos. O mais ensinado foi sobre amor, seguido por humildade e confiança em Deus. Ele ainda diz que o oposto de confiar em Deus é ansiedade, inquietação, que é uma emoção universal diante de situações de perigo, incerteza.

Wagner Gabi diz que a palavra ansiedade é traduzida biblicamente como “cuidado” e que muitas pessoas vivem em um eterno estado de incerteza e preocupação, fazendo com que isso passe a ser seu modo de vida. Mas viver assim é para quem tem um pensamento deísta. Russell Shedd comenta que quem pensa dessa maneira acredita que Deus criou o mundo, mas não se envolve, não intervém. Esse não é o Deus da Bíblia. O Deus bíblico está totalmente envolvido na existência da humanidade.

Mateus 6. 25-34, Filipenses 4.6 e I Pedro 5.7 veem como uma ordem moral. Deus ordena que seu povo não se inquiete e nem ande ansioso e, quando estiver sendo tentado a isso, deve lançar sobre Deus o que lhe inquieta, porque Ele cuida dos seus filhos.

Desconfiar do cuidado de Deus é pecado. Não confiar em Deus é o mesmo que dizer que Ele não se importa com seus filhos, não é fiel, não irá cuidar da pessoa diante da situação que a deixa ansiosa. O olhar inquieto se desvia de Deus e repousa sobre as circunstâncias e sobre o futuro desconhecido (para nós). Jerry Bridges afirma que isso é recursar a providência divina e que “a providência divina pode ser definida simplesmente como Deus orquestrando todas as circunstâncias e eventos do universo para a sua glória e para benefício de seu povo”.

Infelizmente há cristãos com dificuldade em aceitar que Deus tem o controle sobre tudo e todos. Existem cristãos que não compreendem que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito (Rm 8. 28-29), pois não entendem a soberania de Deus e a responsabilidade humana; pensam até que são excludentes.

Jerry Bridges traz no seu livro uma carta de John Newton para um amigo e diz que ela o ajuda a aceitar a vontade providencial de Deus. A carta diz que “uma das marcas da maturidade cristã que devemos buscar é o contentamento na vontade de Deus fundamentado na convicção de sua sabedoria, soberania e bondade (…).Nossa tendência é fixar a atenção nos motivos secundários e nas causas imediatas dos acontecimentos, esquecendo-nos de que tudo o que nos ocorrer estará de acordo com o propósito de Deus e, portanto, é correto e oportuno em si mesmo, e resultará no bem. (…) Como são felizes as pessoas que entregam tudo a Deus, que enxergam sua mão em cada propósito e acreditam que suas decisões para elas são melhores do que as que elas mesmas tomariam”.

Neste mundo caído é comum a ansiedade, o medo do desconhecido, mas a única coisa de deveria realmente nos causar medo, a ira de Deus, já foi removida na cruz, por Cristo e, por isso, podemos descansar em nosso pastor (Sl 23).

Devemos ter a cautela de tratar esse pecado de forma bíblica e não lidar de forma pecaminosa (tentando controlar a coisa que traz preocupação, ou fazendo o uso de drogas lícitas e ilícitas, fazendo compras, comendo etc.). Precisamos retornas às Escrituras e ver como Deus nuca desampara seu povo e também que pecado se trata com confissão e arrependimento.

Concluo com dois trechos de livros: o primeiro é do livro devocional “Dia a dia com Spurgeon”, na noite do dia 03 de maio, comentando o Salmo 46. 1 e o outro é do livro já citado antes neste texto de Russell Shedd.

Spurgeon diz: “As bênçãos da aliança não são feitas apenas para serem admiradas, mas para que nos apossemos dela. (…) Não há nada que desagrade mais a Cristo do que o fato de Seu povo exibi-lo e não se beneficiar dele. Ele ama estar ocupados conosco. Quanto mais fardos lançarmos sobre Seus ombros, mais precioso Ele será para nós”.

Shedd afirma: “A fé cristã se agarra à declaração bíblica de Romanos 8.28 com segurança absoluta: Como seria possível crer que Deus trabalha para nosso bem, e ficarmos ansiosos acerca do futuro incerto? Isaías 7.9b captou com perfeição a conclusão de nosso raciocínio: ‘Se vocês não ficarem firmes na fé, com certeza não resistirão!”.

Nós cremos Senhor; ajuda-nos na incredulidade dos teus filho! Concede-nos fé, confiança em Ti, para glória do teu nome e bem do teu povo. Amém.


Revisão: Laísa Caroline | Publicação: Ingrid Iasmin

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