Lutando contra a insatisfação

Todos nós conhecemos a história de Jó, “homem temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1), e as tragédias que ocorreram em sua vida. Jó perdeu seus filhos, seus bens e foi ferido com graves tumores pelo corpo. E em todas essas coisas, diz as Escrituras,“Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma” (Jó 1.22). Podemos tirar várias lições em todo o livro, mas o foco neste texto não será Jó e sim outra personagem do enredo: a esposa de Jó. Voltemos um pouco para o momento anterior à tragédia. Por todo o contexto, entendemos que a esposa de Jó, que não sabemos o nome, vivia muito bem, se alegrava com o seu marido e com os seus filhos, e nada lhe faltava. Ela estava muito confortável com tudo o que a sua família havia construído. E entendo que, antes da tragédia, a esposa de Jó mostrava amar a seu marido e a seus filhos, ser boa dona de casa e sujeita ao marido, de acordo com o padrão que vemos em Tito 2.4-5. Mas, após a tragédia, notamos que ela não tinha uma fé firmada no Deus que a deu vida, família e todas as outras coisas. Ela tornou-se insatisfeita com Deus pelo rumo que a sua vida tinha tomado. Não sei a você, mas isso chega a me assustar um pouco. Onde será que tenho depositado minha fé?

“Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre.” Jó 2:9

Quando dias ruins chegam em nossas vidas, circunstâncias que fogem ao nosso controle – se é que já tivemos algum – e somos tomados pela insegurança e medo, percebemos como somos fracos. E não estou falando de casos tão terríveis como aconteceu com a família de Jó. Mas, situações da nossa vida que nos trazem desânimo e falta de esperança. Se existia alegria e gratidão na bonança, e com a tempestade brotou desânimo e murmuração, nos aproximamos mais da esposa de Jó do que imaginamos. Claro que não precisamos chegar ao ponto de amaldiçoar a Deus, de querer deixar de servi-lo, como a esposa de Jó o aconselhou em Jó 2.9, mas nossa murmuração constante e ansiedade revelam também nossa miserabilidade e pecado contra os mandamentos do Senhor.
Em tudo, Deus é soberano.
Não conseguimos compreender o tamanho da dor, mas para a mulher de Jó aconselhá-lo com algo tão terrível, questionando se diante daquela situação ele ainda conserva-se íntegro perante Deus, percebemos como ela estava completamente amparada nas coisas terrenas. Estava insatisfeita, queixando-se contra Deus. De forma semelhante, nós também murmuramos, vivemos insatisfeitos com a vontade do Senhor, com o que Ele tem providenciado, segundo os seus desígnios. Reclamamos sempre, focamos nos nossos problemas e esquecemos que Deus está exercendo sua soberania, que Ele pode estar tratando nosso coração, conforme sabe o que é melhor e para que possamos aprender mais Dele.

“Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.” Hb 12. 5-6

A vida terrena é passageira
Também, focamos nosso coração nos problemas e esquecemos que essa vida é passageira. Tudo aqui acaba, é finito, mas nossa esperança deve estar no que é eterno, confiando sempre nas promessas do nosso Redentor. E apesar da brevidade da vida, devemos ter em mente a glória de Deus em tudo o que fizermos. Mesmo não compreendendo determinados caminhos pelo quais o Senhor nos direciona e que, muitas vezes, não fazem sentido algum na nossa perspectiva humana e limitada; como cristãos, precisamos ter em mente que nossa caminhada aqui tem o objetivo de mostrarmo-nos servos do Senhor e lâmpadas neste mundo. Seguindo com perseverança, não olhando as tempestades que nos acometem, mas confiando no Senhor que tem poder para dominar as ondas e acalmá-las, se assim quiser (Mc 4.39).

“Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.” (Hb 10.35-36)

Olhe para o próximo!
Por fim, muitas vezes, nós também focamos de tal maneira nossa atenção em nossos problemas que esquecemos do próximo. Quantas pessoas a nossa volta estão passando por momentos difíceis e nosso egoísmo nos cega  a ponto de apenas enxergarmos a nós mesmos? Ao invés de agirmos como a esposa de Jó, tentando empurrá-lo a um abismo para longe do Senhor, devemos encorajar nosso próximo a perseverar na fé. Podemos e devemos orar pelos irmãos em Cristo, pelo seu fortalecimento espiritual. E, principalmente, nos compadecer da dor do próximo em meio a nossa dor. Se passamos por algum tipo de sofrimento, isso nos torna sensíveis para sermos misericordiosos com o nosso próximo que também sofre. Também podemos interceder ao Senhor pela conversão dos ímpios que nada possuem, além de seus próprios enganos. E, dessa forma, agiremos de forma empática, pois também estivemos outrora na mesma condição (Ef. 2.1).

“Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.” Jó 42.4

Se há algo que aprendemos no Livro de Jó, é que não devemos buscar forças ou respostas em nós mesmos, pois nunca encontraremos. Busquemos força no Senhor, nosso refúgio (Sl 11) e desenvolvamos a nossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12). Não sendo murmuradores, mas satisfeitos em Deus. Que Ele seja o objeto de nossa fé. Soli Deo gloria!
Revisão: Vanessa Lima | Publicação: Thamyris Millena

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