Resenha: No Esplendor da Santidade: redescobrindo a beleza da adoração reformada para o século XXI (Jon D. Payne)

Logo no prefácio, Darryl G. Hart afirma que muitos cristãos estão tão preocupados em glorificar a Deus durante a semana, nas suas rotinas diárias, que perderam de vista a singularidade do culto público. Como também diz que há diferença entre saber da importância do culto público e participar dele com entendimento.

No epílogo, Jon D. Payne, o autor deste livro, publicado no Brasil em 2015 pela editora Os Puritanos, diz que esta obra começou com uma coleção de cartas pastorais à sua congregação. Ele objetivava trazer mais clareza sobre a natureza e a prática do culto público no Dia do Senhor. Neste livro, no final de cada capítulo há perguntas para estudo e revisão e, no final do manuscrito, tem sugestões de várias obras para aprofundamento do tema.

O título do primeiro capítulo é uma pergunta: “Por que uma liturgia?”. Payne relata que todo culto de adoração tem uma liturgia e, no caso da liturgia cristã, a Bíblia prescreve a forma e o conteúdo. Nas reuniões que não forem assim, dificilmente elas serão uma adoração cristã.

Esta obra traz a importância da preparação para o culto público. Isto deve ocorrer não apenas minutos antes do culto, mas ao longo de toda a semana. Duas das melhores maneiras de preparação para o Dia do Senhor são o culto em família e o pessoal.

O culto familiar evidencia um lar centrado em Deus. É tanto uma alegria como um dever. “É importante que esse momento seja consistente, sério, alegre e sucinto; não irregular, longo e cansativo”. Esta também pode ser a hora para treinar os filhos a ficarem sentados e quietos no culto público.

O culto privado é um forte instrumento para o crescimento e preparação para o Dia do Senhor. “Consiste de Bíblia (leitura, estudo, memorização), louvor e oração”.

Este livro traz também o que é e o que não é um culto bíblico. Segundo a obra, para que o culto professe uma liturgia cristã bíblica, ele deve ser:

  • Bíblico (princípio regulador do culto – fazer apenas o que foi prescrito na Escritura);
  • Centrado em Deus e não no homem (um culto assim glorificará a Deus e será uma via através da qual os eleitos são convertidos; ele nutre o rebanho e converte o pecador);
  • Dialogal (diálogo entre Deus e seu povo redimido);
  • Simples (a simplicidade leva o cristão a, de forma reverente, concentrar o foco em Cristo);
  • Expressado em toda a vida (adorar na vida de uma forma geral e em momentos especiais. “O culto na vida como um todo tem origem no culto biblicamente regulado no Dia do Senhor, e não ao contrário”.);
  • Reverente (como filhos, ficamos à vontade na presença de nosso Pai, mas não podemos esquecer que o culto é um encontro com Deus, o criador, juiz e rei);
  • Trinitário (a adoração deve ser dirigida ao Pai, pela mediação do Filho, no poder do Espírito Santo);
  • Uma apresentação da pessoa e da obra redentora de Cristo (um culto bíblico sempre tem Jesus como seu núcleo).

Após esse capítulo sobre a preparação para o culto, Payne, em cada capítulo seguinte, relata sobre os elementos da liturgia do culto bíblico.

  1. A Chamada à Adoração:

Aqui é relatado que todo o culto deve ter um começo definido, este início é a chamada à adoração. Historicamente é lida só pelo ministro ou de forma responsiva pelo ministro e congregação.

  1. O Cântico de Salmos e Hinos

Em relação ao cântico, fala sobre a profundidade teológica e a excelência musical contidas nos salmos e hinários tradicionais. Mas esclarece que isso não é um desencorajamento do cântico ou composição de novas letras e músicas. Ainda diz que a igreja deve estimular a composição de músicas para serem acrescentadas ao repertório. As músicas devem ter temas doutrinais; devem levar a congregação a louvar com reverência e prazer, servindo para ensinar uma teologia saudável e ortodoxa.

  1. Leitura Pública da Escritura

Outro ponto importante e indispensável no culto é a leitura da Bíblia, pois é uma ferramenta que o Espirito Santo utiliza para trazer vida espiritual e nutrir os eleitos. Independentemente do como é o sermão, os presentes no culto ouvem a Palavra de Deus pura.

  1. A confissão de Pecados

A confissão corporativa de pecados é outro ponto, tanto para o culto público como para o pessoal, pois mostra que procuramos obedecer a Escritura. Ser cristão é já estar justificado, mas também envolvido no processo de santificação.

  1. A Certeza do Perdão

Pela obra do Senhor, temos a certeza do perdão. O autor diz que essa parte da liturgia acontece quando um ministro lê um trecho bíblico que enfatiza a realidade do perdão de Deus mediante Cristo. Payne deixa claro que isso é bem diferente da absolvição católica romana.

  1. A Confissão de Fé

Em relação à confissão de fé, o autor afirma que essa parte do culto não deve ser vista “como um ato de tradição supérflua, mas como um grande privilégio”, pois “as confissões históricas resumem as doutrinas principais das Escrituras”, não só com o propósito de confessar a fé publicamente, mas para ajudar a guardar as verdades fundamentais do cristianismo.

  1. A Oração Pastoral

No culto, a oração pastoral deve ser feita por um ministro para conduzir a congregação à presença do trono da graça. Para isso ela deve ter conteúdo bíblico, devendo ser um derramar do nosso coração diante de Deus.

  1. Os Dízimos e Ofertas

A liturgia também chama os cristãos a entregarem dízimos e ofertas a Deus. Isso não deve ser uma simples formalidade, mas uma declaração de confiança e de gratidão a Deus.

  1. A Pregação da Palavra de Deus

A pregação da Palavra é a tarefa principal da igreja. Jesus, a Palavra feita carne, em seu ministério terreno, teve como sua principal tarefa proclamar o evangelho. Infelizmente, muitas igrejas estão deixando a pregação bíblica de lado ou substituindo por uma mensagem superficial, terapêutica, que agrade o cristão consumidor e jamais o confronte.

  1. Os Sacramentos

A administração dos sacramentos (batismo e ceia) sela as promessas da aliança de Deus em nossa consciência, quando recebidas por fé. Este capítulo traz explicações sobre o batismo – ponto que alguns podem discordar, pois como pastor presbiteriano, fala sobre o pedobatismo-. Entretanto, defender a forma de batismo não é o objetivo do livro, e sim mostrar que o batismo é um símbolo da “lavagem e remoção do pecado pela purificação do sangue de Jesus e do poder regenerador/santificador do Espírito Santo”. Payne também mostra as diferentes visões que a ceia do Senhor tem no meio cristão e deixa claro que devemos receber a Ceia pela fé em Cristo e não por nosso desempenho espiritual.

  1. A Bênção

Por fim, esta obra fala sobre a tradição reformada protestante de finalizar o culto com a bênção e que atualmente tem sido substituída pelos avisos ou uma palavra de despedida, até mesmo do líder do grupo de louvor.

 

Os apêndices deste livro trazem dois temas:

  • “O Dia do Senhor: recuperando uma bênção perdida”. Aqui é falado sobre o dispensacionalismo, revolução industrial e analfabetismo bíblico. O Dia do Senhor foi estabelecido na criação, assim como o casamento e o trabalho. Deus ratificou isso nos 10 mandamentos e Cristo expôs o verdadeiro sentido desse dia, tirando todo o legalismo e tradição farisaicos.
  • “A suficiência da Escritura”. Nessa parte, o autor mostra que, para satisfazer o consumidor, em muitas igrejas a Escritura é deixada de lado. Ela pode não se encaixar na mentalidade consumista, mas o culto bíblico deve ser fundamentado na Palavra e não na tradição ou sabedoria humana.

O autor ora para que este livro sirva para relembrar o que Deus prescreveu e a magnífica herança reformada e confessional, que busca praticar, proteger e promover um culto genuinamente bíblico.

Que Deus nos ajude a prestarmos culto a Ele da forma que Ele ordena. E, assim como Payne, oro para que a igreja recupere o culto público que reflita a adoração centrada em Deus, mediada por Jesus Cristo, cheia do Espírito santo e regida unicamente pela Palavra. Que adoremos a Deus no esplendor da santidade!

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