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Cristo e o Tabernáculo – Parte I

Quando eu era jovem na fé reformada, ao longo da minha leitura bíblica diária, especialmente no Pentateuco, eu me deparava com histórias fascinantes como, por exemplo: a narrativa sobre o sacrifício de Isaque (Gênesis 22), a passagem pelo Mar Vermelho (Êxodo 20) ou os dez milagres enviados por Deus para mostrar seu poder para os Israelitas e para os Egípcios (Êxodo 7.12-12.29). Contudo, a partir de Êxodo capítulo 25, quando se inicia a construção do Tabernáculo, eu admito que me sentia meio desencorajado. Em minha mente, a escolha dos materiais ou o tamanho dos cômodos ou dos objetos do Tabernáculo não se comparava às intensas narrativas de José e seus irmãos (Gênesis 37-50), ou de Jacó e Esaú (Gênesis 27-36). Mais importante, eu me perguntava como essas coisas poderiam apontar para o Messias e como elas poderiam ser aplicadas à nossa realidade.[1]

Neste Artigo, o primeiro de uma série de treze, meditaremos sobre os materiais que foram utilizados para a construção do Tabernáculo. Portanto, antes de prosseguir a leitura deste texto, recomendo que leiam em suas Bíblias Êxodo 25.1-9 e 35.4-9. Daqui em diante, enquanto nós explorarmos os materiais do Tabernáculo, lembremo-nos de que nós estamos olhando para sombras e tipos da pessoa e do trabalho de Cristo. Os escritores do Novo Testamento nos dizem que Jesus é a pedra angular do Templo (Efésios 2.19-22) e que o Templo era o seu próprio corpo (João 2.19-21). O próprio Cristo disse aos seus discípulos que Ele era maior que o Templo Herodiano (Mateus 12.6). Então, não podemos perder de vista que, ao passo que lemos sobre o Tabernáculo, nós estaremos olhando para a sombra da imagem de Cristo e da Igreja. Se não prestarmos atenção a esse fato, nós podemos ser tentados a pensar que essas instruções e os relatos da construção da tenda não possuem nenhuma conexão conosco.

Os Israelitas deram de suas possessões voluntária e generosamente

Primeiro, as ofertas dos Israelitas não eram forçadas, mas deveriam ter caráter voluntário. Elas deveriam ser uma resposta do povo de Deus. Deus disse a Moisés para aceitar a oferta de “todo homem cujo coração o mover para isso” (Ex. 25.2), reiterando esse comando em passagem paralela “cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por oferta ao SENHOR” (Ex. 35.5). Certamente, as instruções do Apóstolo Paulo aos Coríntios são um eco das palavras registradas por Moisés: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Co. 9:7).

Tanto em Êxodo quanto em Corinto, os cristãos responderam de maneira voluntária e generosa. Por isso, tanto Moisés teve que mandar o povo parar de trazer ofertas (Ex. 36.5-7),  quanto Paulo se gloriava na presteza e no zelo dos Coríntios (2 Co. 9.1-2). Por que eles ofertavam tão generosamente? Nós poderíamos elencar muitas razões, mas a principal delas era o fato deles saberem que eles estavam contribuindo para a construção do lugar em que Deus habitaria na Terra em Êxodo, e da certeza dos Coríntios de que eles estavam contribuindo para o avanço da Igreja de Cristo.

As ofertas do povo de Israel eram para a construção do lugar no qual Deus habitaria na Terra

Segundo, o Jardim do Éden foi o primeiro templo e o primeiro lugar de habitação de Deus na Terra. No entanto, devido ao pecado de Adão e Eva, Deus os expulsou do Jardim e os impediu de ter comunhão com Ele e estar em sua Santa presença. Nesse mesmo episódio narrado por Moisés em Gênesis 3, Deus prometeu que Ele mesmo restauraria a comunhão com seu povo por meio da semente da mulher que iria conquistar a semente da serpente. A redenção de Israel do Egito e a construção do Tabernáculo no meio do povo de Deus representava um passo imenso na restauração daquele relacionamento outrora perdido. Essa restauração e a espera para habitar na presença de Deus foram, indubitavelmente, os principais fatores que levaram os Israelitas a contribuírem com tanta generosidade.

Quando nós consideramos a generosidade dos Israelitas e o desejo de habitar na presença do Senhor, nós devemos nos perguntar se apresentamos essas mesmas marcas. Em outras palavras, nós somos generosos em nossas ofertas? Quando nós damos nossos dízimos e ofertas, nós os damos generosamente sabendo que, ultimamente, eles vão ser direcionados para a construção do lugar final da habitação de Deus na Terra, a Igreja de Cristo? Como recipientes da graça de Deus Pai, em Cristo, nós damos generosamente para que o evangelho do Filho seja pregado em nossa comunidade, nosso país e ao redor do mundo?

O bom e o mal uso do ouro que eles trouxeram do Egito

Terceiro, durante o período em que esteve no cativeiro do Egito, o povo Israelita era escravo e, portanto, não tinha posses. Quando Deus os libertou do Egito, Ele fez com que os Israelitas despojassem os Egípcios, de maneira que, após saírem do cativeiro, eles possuíssem ouro e outros tesouros Egípcios (Ex. 12. 35-36). Contudo, essa riqueza foi usada uma vez para o mal e outra para o bem. Primeiro, eles usaram parte do ouro trazido do Egito para o mal ao construir o bezerro de ouro e adorá-lo (Ex. 32.4). Depois, eles usaram o ouro e os outros tesouros para o bem ao ofertarem para a construção do Tabernáculo. Nós podemos tirar uma importante lição desses dois eventos históricos: como nós usamos nossas finanças e nossas posses? Nós podemos facilmente transformar nosso dinheiro e posses em ídolos, ao invés de contribuirmos para a construção do templo ou da Igreja de Cristo. Pergunte-se: por que você trabalha? Para conseguir mais dinheiro? Apesar do suporte financeiro de nossa família ser importante e bíblico (1 Tim. 5.8), será que nós também temos o desejo de contribuir mais para a construção do templo, da Igreja de Cristo? Nós adoramos o dinheiro ou nós utilizamos dele para o sustento de nossa família e para o avanço do Reino de Deus?

Com que tipo de material o templo deve ser construído?

A porção da Escritura que estamos estudando certamente destaca que certos tipos de materiais eram para ser usados na construção do Tabernáculo. No Novo Testamento, o Apóstolo Paulo desafiou os Coríntios acerca da natureza dos materiais que eles usariam na construção da Igreja de Cristo, o templo final:

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo. Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Cor. 3.10-16)

O contexto dessa passagem é primariamente direcionada aos Ministros dos Evangelho e como eles devem construir sob a fundação do templo – Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, a questão imposta pelo Apóstolo Paulo é relevante a todos nós. Nós iremos construir o templo, a Igreja, de acordo com a sabedoria dos homens ou como Deus nos prescreveu em sua Palavra? Que Cristo seja a pedra fundamental da Igreja e que nós utilizemos apenas dos meios prescritos por Ele para a construção e a manutenção da sua Noiva, nada além disso! Como Moisés e Paulo, sigamos os comandos do Senhor e usemos com sabedoria apenas as coisas ordenadas para a construção do templo, da Igreja de Cristo.


NOTAS

[1] Para mais detalhes sobre o assunto, conferir: Os artigos sobre o Templo na revista TableTalk de Dezembro 2017; J. V. Fresko, Christ and The Desert Tabernacle; G. K. Beale, The Temple and the Church’s Mission: A Biblical Theology of the Dwelling Place of God; e, L. Michael Morales, Who Shall Ascend the Mountain of the Lord: A Biblical Theology of the Book of Leviticus.


Revisão: Vanessa Lima | Publicação: Alicia Catarina

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