O Pacificador: Como solucionar conflitos (Resenha do livro)

“Os pacificadores são pessoas que inspiram graça. Eles recorrem, continuamente, à bondade e ao poder de Jesus Cristo, e então trazem o seu amor, misericórdia, perdão, força e sabedoria aos conflitos da vida diária. Deus se alegra em inspirar a sua graça por meio dos pacificadores, e usa-os para dissipar a ira, aprimorar o entendimento, promover justiça, e encorajar o arrependimento e a reconciliação.”.

Ken Sande

 

Este livro foi escrito por Ken Sande, com o título original em inglês de “The Peacemaker” e foi publicado no Brasil em 2015 pela CPAD.

Basicamente, esta obra fala de como solucionar conflitos de forma bíblica. É dividida em quatro partes, cada uma com três capítulos e, no final, traz seis importantes apêndices.

O primeiro exemplo de conflito que o livro traz é de irmãos dividindo a propriedade que foi herança dos pais. E, por todos os irmãos se dizerem cristãos, o conselheiro pergunta qual a diferença deles naquela situação para um ateu? Como poderiam agradar e honrar a Deus naquela situação? Estas perguntas serão sempre apropriadas para todos os cristãos, pois crer em Deus deve fazer a diferença na vida.

Parte 1: Glorifique a Deus

Esta parte fala das maneiras básicas de como as pessoas reagem aos conflitos. Há as reações de fuga e as de ataque, mas a forma bíblica são as reações de pacificação.  Estas reações são ensinadas nas Escrituras.

“Quando você colocar em prática o evangelho e fizer das prioridades do Senhor as suas próprias prioridades, poderá converter cada conflito em um trampolim para um relacionamento mais íntimo com Deus e uma vida cristã mais satisfatória e mais frutífera”.

Ken Sande

Além disso, aborda também as dimensões da paz, as ações judiciais entre os crentes e diz que “a grande negligência da igreja, no cumprimento de suas responsabilidades tradicionais de pacificação, privou os cristãos de ajuda valiosa, contribuiu para o congestionamento do nosso sistema legal, e, o pior de tudo, prejudicou o testemunho da Igreja sobre Cristo”.

E, por último, fala da soberania de Deus, do seu amor, da sua bondade e de como quanto mais se entende isso, mais fácil será confiar nEle. Assim,  ter-se-á a capacidade de servi-lo como pacificador até mesmo em circunstâncias difíceis.

Parte 2: Tire a trave do seu olho

A segunda parte é sobre tirar a trave do olho, pois “quando admitimos que os nossos próprios pecados são tão sérios que Jesus teve de morrer por nós, e nos lembramos de que Ele nos perdoou por todos os nossos erros, podemos abandonar a ilusão de superioridade moral e admitir os nossos erros”.

Sem dúvida é preciso lidar primeiramente com a própria contribuição para o conflito para depois falar com os outros envolvidos. E, antes de se concentrar nos direitos, deve-se ver a responsabilidade. Além disso, é sempre bom analisar se as coisas estão servindo para o bem do Reino. Isso pode fazer com que tenha a possibilidade de ignorar pequenas ofensas e abrir mãos de direitos. Um pacificador precisa lidar de forma honesta com a sua contribuição para o conflito, pois só assim será possível estar mais bem preparado para restaurar os outros mansamente.

Outro importante ponto abordado é que, sem dúvida, o conflito começa no coração. Conflitos são desejos não satisfeitos em nossos corações. Estes, geralmente, são convertidos em ídolos. Por isso deve-se examinar cuidadosamente o coração para verificar se quem está controlando é Deus ou os desejos/ídolos e só é possível através do Evangelho.

Parte 3: Restaure com brandura e mansidão

Inegavelmente, a restauração deve ser com brandura e mansidão, pois “a comunicação piedosa normalmente leva a um melhor entendimento e acordo.”.

No conflito é possível servir até mesmos às pessoas que nos atacam, demonstrando o amor de Cristo e dando testemunho do evangelho. E isto se dá porque, na resolução de conflito, o foco não é apenas confrontar, mas restaurar e mostrar o erro de um irmão para ele mesmo é uma demonstração de amor.

Com a ajuda de Deus, pode-se aprimorar a habilidade de ter uma comunicação que edifique, que fale a verdade em amor, pois a língua dos sábios é saúde. Certamente, ser bom ouvinte é de suma importância para um pacificador.

Mateus 18.15-17 diz que, após ter ido falar de forma particular com a pessoa e não ter tido uma solução, um intermediário pode ser necessário e, para isto, pode pedir ajuda a irmãos imparciais e piedosos e à igreja. E, depois de seguir todos os passos bíblicos e chegar a ter o outro com um descrente, com todas as outras medidas esgotadas, pode ser o momento de ir aos tribunais. Mas mesmo assim é bom avaliar cuidadosamente o custo que pode ser passar para solução litigiosa. Casos assim podem fazer com que ocorra a perda de relacionamentos e não a restauração.

Aqui é estimulado o desenvolvimento de uma cultura de paz na igreja local, pois isso ajuda a preservar os relacionamentos, além de melhorar o testemunho de evangelização da igreja.

Parte 4: Vá e reconcilie-se

“O perdão é uma escolha, uma decisão que você toma, pela graça de Deus, apesar dos seus sentimentos”.

Cristãos são o povo mais perdoado do mundo e é por isso que deve ser o povo mais misericordioso também. “O que aconteceria se Deus o perdoasse da mesma maneira como você está perdoando os outros nesta ocasião?” Não se pode ignorar Colossenses 3. 13b: “Assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também”.  Mas, certamente, não conseguimos fazer isso sozinho; é somente pela graça de Deus que se pode perdoar como Ele perdoou.

Além do mais, é preciso obedecer Filipenses 2.4 (“Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros”). Assim é possível ter uma negociação com o objetivo de afirmar os relacionamentos, entender os interesses, buscar soluções criativas, avaliar opções de modo objetivo e racional e vencer o mal com o bem (Romanos 12.21).

“Quando amamos os nossos inimigos e procuramos entender as suas necessidades, podemos glorificar a Deus e proteger a nossa alma do ácido da amargura e ressentimento”.

Ken Sande

Conclusão

O compromisso do pacificador é se concentrar em Deus e não nos próprios desejos. Por isso ele busca sempre agradar a Deus, assumir suas responsabilidades no conflito, servir os outros no processo de restaurar de forma mansa; tentando demonstrar o perdão de Deus e encorajar para que o conflito tenha uma solução pacífica. Ninguém é capaz de fazer isso por si mesmo, mas, por meio do evangelho, o Senhor capacita.

Na resolução de conflitos, o mundo pensa “o que parece bom e benéfico para mim?”, mas essa ideia egoísta é contrária à divina. Esta nos chama a demonstrar o amor de Deus.

Que Deus no ajude.

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