Cinco razões ruins para ir à igreja – Greg Morse

Eu conheço um pastor cuja igreja se dividiu por causa da cor do teto.

O preto, como qualquer bom cristão deveria saber, é a cor do mal. O diabo pode se disfarçar como um anjo de luz, mas ele com certeza mantém seu escritório pintado com o tom maligno. “Devemos erguer a tinta do diabo na congregação dos justos? Jamais!” Declarou a facção. E quando as exigências foram recusadas, eles foram embora. O corpo não pôde suportar um compromisso tão colorido.

Quando uma igreja se divide por causa da cor do teto, deve-se perguntar: por que vamos à igreja mesmo? Para adorar a Deus? Para se divertir? Para ter todas as nossas preferências satisfeitas?

Por que você vai adorar?

Jesus perguntou às pessoas da sua época a mesma coisa quando foram ouvir a pregação de João Batista.

 

Enquanto saíam os discípulos de João, Jesus começou a falar à multidão a respeito de João: “O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Ou, o que foram ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que usam roupas finas estão nos palácios reais.
Afinal, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais que profeta. Este é aquele a respeito de quem está escrito: ‘Enviarei o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti’.
(Mateus 11. 7-10).

 

Examinando o ministério de João Batista e o questionamento de Jesus às multidões, Deus nos dá cinco razões ruins para ir à igreja.

1. Para estar confortável.

O que vocês foram ver no deserto? (Mateus 11. 7)

Se não tivermos cuidado, a igreja pode se tornar um substituto adequado para aqueles que não podem pagar por um clube de campo. Assistência gratuita a crianças, pessoas bonitas, mensagens de motivação, um lugar convidativo para pertencer, café, donuts e todos os tipos de conveniências modernas seriam capazes de atrair até alguém que não ama a Deus.

Tais conveniências não seriam ruins, se não nos embalassem para dormir ou diminuir nosso zelo.

Jesus lembra aos israelitas que eles foram ao deserto para ouvir João falar. Eles não se sentaram em auditórios de pelúcia com café fresco para ouvir a palavra de Deus conforme sua conveniência. Eles estavam dispostos a suportar o desconforto para ouvir de Deus. Será que nós iríamos para o deserto, sentaríamos em cadeiras desconfortáveis, sofreríamos com menos do que músicos profissionais (ou ministérios das crianças) para adorar com os santos e ouvir a palavra de Deus declarada? Eles foram ao deserto para ouvir João.

A festa, a fumaça, os jogos de luz e o palácio não os atraíram. Eles foram para um lugar aonde nunca iriam – a menos que o profeta estivesse lá.

2. Para ouvir pregações sem firmeza.

O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? (Mateus 11.7)

Jesus confronta o que parece tão comum nos dias de hoje: ensino incerto. Esse profeta não era o popular professor da Bíblia de hoje, que explica as partes que considera problemáticas ou faz um nome para si mesmo à custa de questionar a crença ortodoxa. Ele não confiava no ceticismo ou na suspeita para provar sua autenticidade e obter seguidores. Ele não discutia; ele pregava. Ele não questionava; ele respondia. Ele não tremeu com a brisa; ele permanecia firme sobre a rocha.

Os ouvintes de Jesus foram ouvir um homem de Deus falar em nome de Deus. João, cheio do Espírito desde o nascimento, brilhava. Nós, como aqueles israelitas, deveríamos desejar ouvir homens humildes cuja “humildade” não os torna incertos sobre a verdade revelada, mas faz com que eles sejam ainda mais dependentes dela. Qualquer sussurro do eu desaparece quando ele proclama a palavra dos telhados (Mateus 10.27).
Os autoproclamados céticos que “ainda não descobriram a verdade,” como a maioria de nós, também não deveriam ensinar, assim como a maioria de nós.

3. Para ser entretido.

Eles não se esquivaram de um pastor que estava disposto a feri-los com a verdade e a confrontar falsos ensinos. Eles foram ouvir João Batista dizer:

Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento! Não pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão. (Mateus 3.7-9)


Eles não tinham comichão nos ouvidos procurando “juntar mestres para si mesmos segundo seus próprios desejos” (2 Timóteo 4. 3). Eles não foram ver um homem que temia falar coisas duras para o bem de suas almas. João não os elogiou. Ele não saiu atirando nos ídolos de outras pessoas. Ele desafiou suas falsas esperanças e as esperanças dos fariseus e saduceus a respeito de uma linhagem abraâmica.

Ao contrário de tantos que não encontram lugar para frutos em seu esquema de crença fácil e graça barata, João chamou seus ouvintes não apenas para se desculparem, mas para “darem frutos dignos de arrependimento”. Ele não temia acusações de quem promovia uma religião legalista vindas de antinomianos apaixonados por seus pecados. Seus ouvintes não podiam sentar e saborear a Starbucks enquanto ouviam discursos motivacionais cheios de histórias calorosas, e irem embora sem serem afetados. O deserto com o profeta era o lugar errado para ser passivamente entretido. Era o lugar para ouvir do profeta, crer, confessar pecados, arrepender-se e ser batizado.

4. Para ser blindado da realidade.

O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. (Mateus 3.10)

Deus tinha um mantra comum que ele falava sobre os falsos profetas e sacerdotes no Antigo Testamento,

Eles tratam da ferida do meu povo como se não fosse grave. ‘Paz, paz’, dizem, quando não há paz alguma. (Jeremias 6.14)

João Batista provou não ser de tal forma. Ele advertiu que, se não tivessem frutos de arrependimento, seriam “cortados e lançados no fogo” – um “fogo inextinguível” (Mateus 3.12). Ele não curou a ferida de seu povo superficialmente. Ele não murmurou sobre o julgamento ou sussurrou o inferno através das ficções do aniquilacionismo. Ele não fingiu ser mais amoroso e perdoador do que Deus. Ele não tratou as realidades eternas ou as almas imortais de maneira descontraída.

O precursor de Jesus soou sirenes para prepará-los para o Cordeiro de Deus. Porque, como deveria ser inconfundível nas Escrituras, esta única vida define o curso para a eternidade. Afunde-se em um vaso gotejante agora e você estará perdido para sempre. Se ele pregar como se nada estivesse em jogo – como se a boca do inferno não se abrisse ou se o céu fosse bem na nossa frente, se ele ri do mal no púlpito ou conta histórias reconfortantes para motivar uma vida melhor, mas nunca se dirige àqueles amores secretos que ameaçam nos destruir ou desfazer de Cristo que se oferece para nos salvar – ele é um escândalo para o seu posto de profeta.

5. Para ouvir principalmente sobre nós. 

Afinal, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais que profeta.
Este é aquele a respeito de quem está escrito: ‘Enviarei o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti’.
(Mateus 11. 9-10).

O ministério de João Batista resume o que todos os verdadeiros ministérios cristãos fazem: eles apontam incessantemente para Cristo. Eles não são a luz, mas são testemunhas da luz para que todos possam crer Nele. Esses ministérios dizem com João: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29) e: “Que ele cresça e eu diminua” (João 3.30). Eles exaltam o Cristo cujas sandálias não são dignos de desamarrar.

Eles não proclamam a glória do homem, mas a de Cristo. Eles não apontam para nós, mas para Cristo. Eles não pregam as Escrituras “higienizadas”, mas Cristo crucificado. Os ouvintes de João foram ouvir de Deus e ouviram sobre a vinda do Messias. O maior dos homens viveu para anunciar outro (Mateus 11.11).

Se o homem de Deus prega corajosamente a excelência de Cristo, também pode pintar o teto de preto, dar tocos de árvore como assentos, falar palavras duras contra o amor pelo pecado.

(Texto retirado do site www.desiringgod.org e traduzido por Thamyris Millena).

Deixe uma resposta