Providência divina em Rute: graça, redenção e vida eterna (Parte 3: A glória de Cristo)

Leia o primeiro texto da série "Providência divina em Rute: graça, redenção e vida eterna"

 

“Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi”.

Rute 4.22

“ … e Davi gerou o Messias, Jesus Cristo.”

John Piper, Doce e amarga providência: sexo, raça e soberania.

“Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhes eles: De Davi.

Replicou-lhes Jesus: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés?

Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?

E ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas.”

Mateus 22.42-46

“Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino.”

A aliança do Senhor com Davi em 2 Samuel 7.12-13

 

 

Amigo leitor, se chegaste até aqui sabes que todo desdobramento do livro de Rute indica a preparação do caminho para Cristo. O Messias, aquele que, segundo as Escrituras, cumpriria o plano soberano e redentivo de Deus, estabeleceria seu reino eterno e resgataria aqueles para quem o veio. Vimos isso nas partes 1 e 2 do texto.

A partir da leitura do livro de Rute compreendemos que mesmo nas doces e amargas circunstâncias, o Senhor estava tecendo, em sua teia soberana, os mínimos detalhes que a levariam a ser partícipe da descendência de Cristo. Sim, “Deus utilizou uma fome em Belém, o pecado de Elimeleque e a morte de Malom para atrair Rute para Belém e para si mesmo, para casar-se com Boaz e ser parte da linhagem de Davi.”[1]

Vemos assim que, certamente, a glória do Messias é o enfoque central de toda a história. Assim, prossigamos.

 

  1. A glória de Cristo

A parte 2 do texto fora finalizada diante da seguinte situação: Boaz resgata Rute no casamento:

“10 E de que também tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herança, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar; disto sois hoje testemunhas.
11 E todo o povo que estava na porta, e os anciãos, disseram: Somos testemunhas; o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e porta-te valorosamente em Efrata, e faze-te nome afamado em Belém.

12 E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar deu à luz a Judá), pela descendência que o Senhor te der desta moça.” 13 Assim, tomou Boaz a Rute, e ela passou a ser sua mulher; coabitou com ela, e o SENHOR lhe concedeu que concebesse, e teve um filho. 14 Então, as mulheres disseram a Noemi: Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de te dar um neto que será teu resgatador, e seja afamado em Israel o nome deste. 15 Ele será restaurador da tua vida e consolador da tua velhice, pois, tua nora que te ama, o deu à luz, e ela te é melhor do que sete filhos. 16 Noemi tomou o menino, e o pôs no regaço, e entrou a cuidar dele. 17 As vizinhas lhe deram o nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E lhe chamaram Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi. Rute 4. 12-17.

Em tal passagem podemos observar, claramente, o cuidado divino com Noemi, senhora que pediu, quando do seu retorno à Belém de Judá, para ser chamada de Mara, nome que significava “amarga”. Agora Noemi se alegra e reconhece o cuidado do SENHOR para com ela. Percebem o que o texto diz? A Noemi nasceu um filho! (V. 17) Lembram que no início da história ela afirmou que o Senhor a trouxe para Belém de mãos vazias (Rute 1.21)? Agora, como disse o Pr. John Piper, Noemi se mostra ditosa, feliz, abençoada pela graça divina recebida.

Observe, de maneira mais profunda e atenta, os versículos 11 e 12 acima mencionados e perceba a comparação feita com a vida de Raquel e Lia, durante a oração realizada pela nova família que estava sendo constituída entre Rute e Boaz. Isto te remete a algo?

Pois bem, tal comparação deve-se ao fato de Rute ser estéril. Acerca disso, o Pr. John Piper sensivelmente destaca que logo nos primeiros versículos do capítulo 1 do livro de Rute, fica registrado que esta esteve casada com Quiliom por 10 anos sem que tivessem filhos.[2] Esse era o fato em comum de Rute com Raquel e Lia. Segundo o texto bíblico, estas últimas eram alternadamente estéreis (Gênesis 29:31 e 30:9 e 22). Ademais, Piper, divinamente inspirado, ressalta:

Esses amigos também conheciam Lia e Raquel como as grandes matriarcas de Israel. Elas e suas servas haviam dado à luz aos doze patriarcas de Israel. Dessa forma, a oração para que Rute fosse como Raquel e Lia não era apenas para que o Senhor destravasse o ventre de Rute, mas que ela tomasse seu lugar na grande linhagem de Israel que conduziria até o Messias. Este era o significado maior da oração para que Boaz, através de seu casamento com Rute, fosse famoso em Belém. De fato, era ali que nasceria o maior de todos os filhos de Rute.”[3]

Compreendo que aqui temos a mais clara demonstração de triunfo de graça de Deus, a evidência da bondade do Senhor para com o seu povo. A indicação de que o descendente de Rute seria o resgatador (v.14). A princípio, inclusive, pensamos/pensaríamos que Boaz seria o resgatador (Rute 3.9-12) pelo fato deste ser parente de Elimeleque e que poderia garantir que as posses deixadas pelo falecido esposo de Noemi fossem protegidas, bem como assegurar que a sua descendência não fosse interrompida.  Mas os versículos 14 e 15, ao explicitarem: “Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de te dar um neto que será teu resgatador…” fazem referência à criança. A criança que descende Davi e, consequentemente, o MESSIAS.

Ah, quão grandiosa é a soberania do Senhor! Repare o contexto: Rute, moabita e não pertencente à família do pacto casa com Quiliom, membro de uma família do pacto que tivera ido morar em terra pagã. Vimos Rute ficar viúva em decorrência do pecado de Elimeleque e acompanhar a sua sogra, igualmente viúva, à sua terra, Belém. Rute, pobre, estrangeira e viúva  fora exposta aos perigos do tempo em que vivia, o período dos juízes, e fora procurar trabalho, tendo o Senhor lhe direcionado para os campos de Boaz. Como termina a história? “Resgatada em casamento por Boaz, reconhecida por sua piedade, afamada na história da redenção, uma antepassada do próprio Rei Davi.”[4]

É evidente que fora o SENHOR quem buscou Rute. Mulher pertencente a povo idólatra (leia números capítulos 22 ao 25 e perceba o histórico do envolvimento do povo de Deus com o povo moabita) e que não era digna de que o Senhor a buscasse, assim como eu e você. Mas, graças damos ao Pai pela sua infinita misericórdia, pois, conforme explicitado no Evangelho segundo João: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros…” (João 15:16)

Há, por fim, outro detalhe que merece destaque. Não raro, o Pr. Piper aponta outra implicação surpreendente: o fato de que todo o plano divino na vida de Rute em trazê-la ao povo Dele para que esta gerasse um descendente do Messias, o futuro Rei de Israel, se deu no período dos juízes. Tal contexto fora destacado nas partes 1 e 2 do texto. O que não mencionei foi o seguinte: neste tempo, exigir um rei era pecado, era sinal de rejeição a Deus (vide 1 Samuel 8 e 12). Contudo, exatamente nesse contexto o Senhor já preparava a linhagem do Rei dos reis.[5] Neste sentido:

“Deus teve misericórdia do povo e fez o seu ato pecaminoso servir aos seus propósitos eternos – de que haveria uma linhagem real, e seu Filho seria o climáx glorioso dessa linhagem.[6]

Assim, nesta série de textos, vimos que todos os detalhes em Rute são manifestadamente cristocêntricos, de modo que o SENHOR é quem orquestra todas as coisas visando à consumação do Seu grandioso plano: redimir, mediante Cristo, o Príncipe da Paz e prometido das nações, um povo para si.

Um Bebe de Belém, Homem de Dor
Consolação de Israel, Rei das Nações
A Semente Prometida

Príncipe da Paz, O Caminho, A Verdade e Vida
Deus Conosco, Cordeiro de Deus
Meu Redentor e meu Jesus

O Leão de Judá, Yeshua
Meu Juiz, Mediador, Pão do Céu
A Palavra se fez carne

21, Os Arrais.

 


REFERÊNCIAS

[1] NETO, Emilio Garofalo. As boas novas em Rute: redenção nos campos do Senhor. Brasília: Editora Monergismo, 2018. P. 155.

[2] PIPER, John. Doce e amarga providência: sexo, raça e soberania. São Paulo: Hagnos, 2012. P.85

[3] Idem. Ibidem. P. 86

[4] NETO, Emilio Garofalo. As boas novas em Rute: redenção nos campos do Senhor. Brasília: Editora Monergismo, 2018. P. 155

[5] PIPER, John. Doce e amarga providência: sexo, raça e soberania. São Paulo: Hagnos, 2012. P.85

[6] Idem. Ibidem. P. 96

Deixe uma resposta